Professor da UFRB é semifinalista na categoria História e Arqueologia do prêmio Jabuti Acadêmico
16 de Julho de 2024, 21:48 - sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
O jornalista, professor e pesquisador da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Walter Fraga, é um dos dez semifinalistas do 1º Prêmio Jabuti Acadêmico, uma distinção anual inédita destinada a obras acadêmicas publicadas em Língua Portuguesa no Brasil. Ele concorre com o livro "Longe, muito longe: Manoel Benício dos Passos, um capoeira no ativismo do pós-abolição" (Zahar, 2023, 376 páginas).
O livro de Walter Fraga concorre com outras nove obras na categoria História e Arqueologia. Este, porém, não é o primeiro contato do escritor com a premiação: em 2010, em parceria com a historiadora, pesquisadora e professora Wlamyra Albuquerque (UFBA), Fraga venceu o Prêmio Jabuti, como melhor livro didático e paradidático, com "Uma história da cultura afro-brasileira" (Moderna, 2009).
Os cinco finalistas das 27 categorias desta edição serão anunciados na próxima quinta-feira, 18, às 12h, na página da premiação. Já as obras vencedoras serão reveladas em uma cerimônia no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, em 6 de agosto.
Sobre o livro
O livro reconstitui a vida de Manoel Benício dos Passos (1866-1898), um homem negro, capoeirista, que nas ruas de Salvador ficou conhecido pelo curioso apelido de Macaco Beleza. O baiano é uma representação encarnada do ativismo político negro e popular em um momento crucial da história do Brasil. Ao longo de 32 anos, viveu acontecimentos cruciais da História do Brasil, ou por eles foi diretamente afetado, como a Guerra do Paraguai, o Movimento Abolicionista, a consequente abolição da escravatura e os tormentos que se seguiram aos anos iniciais após a Proclamação da República.
Manoel Benício foi preso, aos 14 anos, por "desordem" (teve mais de trinta registros de prisões ao longo de sua vida); militou no abolicionismo com a distribuição jornais abolicionistas e se tornou porta-voz e militante da causa ao ler em voz alta, em locais de grande movimentação de escravos e cativos, notícias que defendiam a causa da liberdade.
Nos primeiros dias de 1889, aos 23 anos, Manoel Benício passa a figurar como uma liderança da chamada Guarda Negra, uma organização formada por libertos monarquistas que em muitas cidades do Brasil saíram às ruas em defesa do trono contra ataques desferidos pela propaganda republicana - a República foi proclamada em 15 de novembro de 1889.
Entender o papel de Manoel Benício e seu ativismo político antes e depois da queda da Monarquia é parte da história reconstituída pelo jornalista, professor e pesquisador Walter Fraga, autor de livros como "Mendigos, moleques e vadios na Bahia do século XIX" (Hucitec/Edufba, 1996) e "Encruzilhadas da liberdade: histórias de escravos e libertos na Bahia, 1870-1910" (Ed. Unicamp, 2006).
Prêmio Jabuti
Realizado pela Câmara Brasileira do Livro, com o apoio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Academia Brasileira de Ciências (ABC), a premiação é dividida em duas categorias: Prêmio Jabuti e o Prêmio Jabuti Acadêmico.
O Prêmio Jabuti e o Prêmio Jabuti Acadêmico compartilham uma base comum, mas divergem em suas abordagens. Enquanto o Prêmio Jabuti abraça uma variedade de categorias literárias, o Prêmio Jabuti Acadêmico concentra-se exclusivamente em obras acadêmicas, científicas e profissionais. Essa diferença fundamental se reflete na estrutura dos prêmios.






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