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Espaço da economia solidária em Porto Alegre comercializa artesanato reciclado

21 de Setembro de 2015, 23:33 , por rosana kirsch - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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No espaço, há muitos itens confeccionados com material reciclado como quadros feitos com latinhas amassadas |Foto: Filipe Castilhos/Sul21

No espaço, há muitos itens confeccionados com material reciclado como os quadros feitos com latinhas amassadas |Foto: Filipe Castilhos/Sul21

Jaqueline Silveira

Um local que agrada aos olhos e ao bolso, além de preservar o meio ambiente. Esse lugar é a Casa de Economia Solidária, localizada na Rua Vigário José Inácio, 302, no centro da Capital. Inaugurado em 9 de dezembro de 2014, o local abriga uma infinidade de itens feitos pelos artesãos que, ao mesmo tempo, são os atendentes da casa.

Boa parte dos artigos comercializados é confeccionada com material reciclado. Banners e cortinas, por exemplo, são transformados em bolsas, as escamas de peixe da Ilha Pintada, em Porto Alegre, tornam-se charmosos brincos e as ourelas, lindos tapetes coloridos. As latinhas de cervejas e de refrigerantes amassadas dão vida a bonitos quadros de decoração. Já as tampas de garrafa, viram imãs de geladeira.

Muitos dos itens da Casa de Economia são feitos de jornais, como relógios de paredes e cestas. Já o couro é usado na confecção de artigos típicos do Rio Grande do sul, como chapéu, cuia. “É reaproveitado 100% do couro”, afirma a artesã Oraide Santos, da Associação Toque de Anjo.

Há, ainda, peças de roupas feitas com algodão ecológico produzido no norte do País. “É uma cadeia que vem desde o Norte até chegar ao Rio Grande do Sul”, explica Oraide, sobre o processo. O algodão passa pelas regiões Norte e Sudeste antes de chegar ao estado gaúcho, onde são confeccionadas as roupas.

A Casa de Economia Solidária também abriga trabalhos em crochê, pintura, madeira e em bambu, bonecas de pano, móbiles, utilitários, enfeites de cabelo, esculturas em gesso, chinelos, colares, pulseiras, almofadas, entre outros inúmeros itens. Como boa parte dos artigos é feita de material reciclado pelos próprios comerciantes, o preço é mais acessível. “A pessoa compra diretamente do artesão e é o próprio artesão que atende o cliente”, destaca Oraide, sobre as vantagens tanto para quem vende quanto para quem compra.

Artigos são confeccionados por grupos, associações e cooperativa |Foto: Filipe Castilhos/Sul21

As centenas de artigos são confeccionadas por grupos de artesãos, associações e cooperativa |Foto: Filipe Castilhos/Sul21

“É a primeira vez que venho aqui e já me agradei. Tem muita coisa linda, muitas coisas recuperam as raízes antigas”, observa a aposentada Maria Beninca, que deixou o local com colares e pulseiras e planejando retornar com familiares e amigas. Já a monitora de treinamento Andreia Soares costuma com frequência dar uma olhada nos novos artigos que são expostos e já comprou alguns artigos. “Tem bastante coisa e o preço é razoável”, destaca ela. Em média, circulam diariamente pelo local cerca de 200 pessoas, mas próximo ao Natal teve dias que o número atingiu 500.

Artesanato é produzido por grupos e associações

Todos os trabalhos expostos na Casa de Economia Solidária são confeccionados por 28 grupos de artesãos, cinco associações e uma cooperativa, de Porto Alegre e Região Metropolitana. Para comercializar o artesanato no local, os comerciantes precisam ter o certificado em economia solidária.  Conforme uma das coordenadoras geral da Casa, Elizabete de Souza da Silveira, 300 famílias são beneficiadas com o dinheiro da venda dos artigos.

No primeiro mês, o local faturou R$ 42 mil, impulsionado pelo Natal. Nos próximos meses,  o faturamento deverá  sofrer uma queda. “Eu não sou aposentada ainda e preciso do trabalho do artesanato para me sustentar”, conta  Bete, como é conhecida, situação semelhante vivida por outros artesãos.

Parte do faturamento, 10%, conforme a coordenadora, é usado para pagar o condomínio e a manutenção do espaço. O restante é distribuído aos grupos, às associações e à cooperativa, de acordo com as vendas feitas por cada um, que, por sua vez, repassam às artesãs responsáveis por cada trabalho comercializado.

Além de ajudar nas rendas das famílias, segundo Bete, a confecção do artesanato e o trabalho na própria Casa de Economia Solidária funcionam como uma terapia. “Ajuda a distrair e os clientes elogiam nosso atendimento. Nós estamos vendendo para nós mesmos. É nosso interesse atender bem”, justifica ela.

A Casa da Economia Solidária funciona de segunda à sexta-feira, das 9 às 19h. Já nos sábados, abre das 9h até as 13h.

Ao lado da Casa de Economia Solidária, funcionára um espaço com produtos da agricultura familiar|Foto: Assessoria Fetraf-RS

Ao lado da Casa da Economia Solidária, funcionará um espaço com produtos da agricultura familiar|Foto: Assessoria Fetraf-RS

Agricultura familiar, atrativo para o paladar

Em breve, o centro comercial também agregará atrativo para o paladar. Na próxima quinta-feira (22), começará a funcionar o espaço da agricultura familiar, ao lado da Casa da Economia Solidária. No local, serão comercializados produtos como vinhos, sucos, queijos, embutidos, doces, geleias, erva-mate, cachaça e cuias produzidos por 11 agroindústrias. Muitos desses produtos possuem certificação orgânica como os sucos De Bastiani, das geleias da Coopernatural e das cachaças da Cachaçaria Velho Alambique.

Organizado pela Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf-RS) e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT-RS), o espaço terá gestão coletiva das agroindústrias familiares. “Inauguramos o primeiro espaço de comercialização contínua dos nossos produtos num grande centro urbano e também contemplamos uma demanda da sociedade, apontada em pesquisas realizadas”, comenta a coordenadora da Fetraf-RS, Cleonice Back. A intenção, segundo ela, é tornar o local um centro de referência em agricultura familiar e agregar mais agroindústrias. Por enquanto, o espaço funcionária as quintas e as sextas, das 9h às 19h.

Confira as agroindústrias que comercializarão no local

Agroindústria Figueira do Prado – São Lourenço do Sul

Agroindústria Flaps – São Lourenço do Sul

Agroindústria Negrello – Barão

Amigos da Nadir – Maratá

Cachaçaria Velho Alambique – Santa Tereza

Coopernatural – Picada Café

Cuias Thierry – Vicente Dutra

Embutidos Bergamaschi – Fagundes Varela

Ervateira Rainha do Sul – Novo Barreiro

Laticínios Pipo – Nova Roma do Sul

Vinícola De Bastiani – Nova Roma do Sul

Fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/espaco-da-economia-solidaria-em-porto-alegre-comercializa-artesanato-reciclado/


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