A Cúpula é das mulheres!
18 de Junho de 2012, 0:00 - sem comentários aindaHoje pela manhã (18) as ruas do Centro do Rio de Janeiro lotaram: integrantes de vários movimentos sociais se juntaram por uma causa única: a defesa dos direitos e da liberdade das mulheres. A concentração da manifestação começou no Museu de Arte Moderna (MAM), no Aterro do Flamengo, e seguiu pela avenida Rio Branco, no Centro do Rio, terminando no Largo da Carioca.
Um trio elétrico acompanhou a passeataA, composta de integrantes de diversos movimentos (como a Marcha Mundial das Mulheres), que colaboraram com gritos de guerra e palavras de apoio e de luta. A legalização do aborto, o respeito ao corpo eo respeito ao direitos igualitários foram algumas das reinvidicações.
Entrevistamos algumas mulheres que estavam na passeata para entender as razões que as motivaram a estar ali. As amigas Júlia Moretti e Júlia Marazzo, ambas de 21, são de São Paulo.
Marazo acredita que o momento é propício para discutir os rumos das políticas e ações decisivas. “É um momento em que o mundo inteiro está aqui para decidir o futuro do planeta. É importante essa união dos povos para lutar por seus direitos de ir e vir”. Para Moretti, é preciso que as mulheres lutem contra a interesse capitalista do uso do corpo. “Sou totalmente contra a comercialização do corpo feminino para fins capitalistas que vão contra toda a lógica que nós, feministas e ambientalistas, defendemos”, explica.
As estudantes de pedagogia Raquel oliveira, 33, e Juracy Guimarães, 30, vieram de São João Del Rei, em Minas Gerais. “Acredito no movimento. A gente pode mudar as coisas. Tem como fazer a diferença. Não precisamos ficar quietos. Temos que mudar a nossa concepção de política e não aceitar passivamente o que está sendo imposto pra gente”, defende Raquel.
Juracy conta que veio junto com a faculdade. “Nós estudamos sobre isso e viemos para contestar. A Rio+20 é para
Inglês ver. É um modelo econômico que não aceitamos”.
Para conhecer a programação do Território Global das Mulheres, no Catete, clique aqui.
Plenária de Soberania Alimentar debate os motivos da crise alimentar e as soluções camponesas
18 de Junho de 2012, 0:00 - sem comentários aindaAs cinco plenárias da Cúpula dos Povos tem a função de socializar o que foi debatidos pelas diversas organizações e movimentos nas atividades dos dias anteriores de acordo com três eixos: as causas estruturais das crises e falsas soluções apresentadas pelo capital; as soluções dos povos para os problemas e a agenda de ações dos povos. Ao final do processo, cada plenária produzirá um documento, que será levado para as Assembleias de convergência da Cúpula.
A plenária número 3 tratou da Soberania Alimentar. Participaram dela diversas organizações e movimentos sociais do campo nacionais e internacionais, como Via Campesina, MST, Marcha Mundial das Mulheres, Associação Nacional de Agroecologia (ANA), o Grupo de Estudos em Agrobiodiversidade (GEA) movimentos quilombolas, indígenas, entre outros.
Na parte da manhã, debateu-se os motivos da crise e as falsas soluções dadas pelos governos e corporações para resolvê-las. O modelo do agronegócio foi apontado como o principal responsável pela crise alimentar. Ao priorizar o latifúndio monocultor, o agronegócio aumentou a expulsão de camponeses, indígenas e negros do campo, agravando a concentração de concentração de terras; o modelo criou um êxodo rural forte, além do uso de trabalho escravo no campo, a privatização das sementes, a utilização de agrotóxicos e alimentos transgênicos na lavoura.
Além disso, pois desde sua implantação a crise climática aumentou, ao passo que a perda de alimentos na cadeia produtiva aumentou de 30% a 40%. O Agronegócio se apropria de recursos naturais para existir, e mesmo sendo um modelo de agrário que somente aumenta as desigualdades, continua sendo a opção política dos Estados, que se subordinam aos seus interesses, dando aos latifundiários grandes incentivos públicos. Movimentos de diversos lugares do mundo, como Índia, Bolíivia, África, Argentina e Paraguai, relataram que os mesmos problemas causados pelo agronegócio no Brasil está presente em outros lugares, pois são as mesmas companhias transnacionais que ditam as regras.
A economia verde, proposta que está sendo discutida na Rio+20 como novo modelo de desenvolvimento, que vai resolver as crise, também foi duramente criticada. A economia vede foi descrita como uma agenda política que quer preparar o território para a acumulação de capital por meio do controle da natureza, que vai agravar os problemas já existentes no campo, como a grilagem, despejos da população original e concentração de terras.
Por fim, questionou-se o papel que a tecnologia agrícola exerce hoje, que serve apenas para aumentar a acumulação de riquezas e o controle no campo a uma velocidade maior, pela utilização de máquinas e sementes transgênicas. Ao invés de se pensar em soluções sociais para problemas sociais, estas tecnologias prometem resolver os problemas por si só. Exemplo disso são os processos tecnologicos mais recentes, como a biotecnologia, que promete criar a diversidade natural que perdemos em um laboratório, liberando a exploração dos recursos atuais à exaustão; a geoengenharia, por sua vez, vai permitir “controlar o termômetro das regiões do mundo”. Ao invés de se diminuir as emissões de carbono para controlar a crise climática, esse controle resolveria o problema. No entanto, esse controle estará nas mãos dos poderosos, o que pode ter graves conseqüências para todos.
Nossas soluções – Na parte da tarde, a plenária se reuniu pela segunda vez para discutir as alternativas que vem de experiências dos povos aos problemas sociais que vivemos. A Soberania Alimentar é o modelo agrícola que foi proposto na plenária como alternativa ao agronegócio e à crise ambiental e alimentar que vivemos. O termo contrapõe-se ao de Segurança Alimentar, cunhado pela FAO como forma de tentar resolver a crise alimentar por vias de mercado, e que foi responsável por desestimular a produção interna de alimentos dos países, que precisam importá-los agora.
A Soberania Alimentar consiste em dar aos camponeses condições dignas para viver e produzir alimentos saudáveis, que não estão contaminados por agrotóxicos e cujas sementes são as crioulas tradicionais dos povos, e não transgênicas. Nos dias atuais, a agricultura familiar, apesar da falta de incentivos públicos, é responsável por alimentar 70% da população mundial. Se a Soberania Alimentar for adotada, será possível produzir alimentos para o mundo todo. Para que isso aconteça, no entanto, é preciso que medidas contrárias às que são adotadas hoje sejam tomadas.
A principal é o conjunto de políticas públicas que precisa ser adotado, para dar aos camponeses o acesso a terra, deve-se realizar efetivamente a Reforma Agrária; Também é necessário garantir aos camponeses o acesso à água, às sementes locais e ao crédito rural. O saber camponês precisa ser resgatado e valorizado; deve-se alterar a situação das mulheres camponesas, que trabalham mais no campo do que os homens, mas não tem seus direitos reconhecidos e são vítimas de violência, e demarcar as terras indígenas, em constante ameaça pelo agronegócio e pelos megaprojetos. Em relação à Juventude, é preciso erradicar o trabalho infanto-juvenil e garantir a permanência dos jovens no campo.
Foi ressaltado o papel da agroecologia na soberania alimentar. O desafio do modelo agroecológico não é técnico, pois sua eficácia para alimentar o mundo e esfriar o clima está comprovada. Seu desafio é político, pois é um modelo que incomoda as grandes agroindústrias.
Por fim, a plenária destacou que implantar a Soberania Alimentar dadas as condições atuais é um desafio que só pode ser cumprido se as pessoas tanto do campo como da cidade, de todo o mundo, se unirem contra um modelo que vê os alimentos e o planeta apenas como uma mercadoria e explora os camponeses, para lutar por um modelo que respeite os recursos naturais, e reconheça a importância de quem coloca comida na nossa mesa.
Convergência de Comunicação da Cúpula dos Povos – MST
Movimentos discutem alternativas para geração de energia e criticam indústria extrativa
18 de Junho de 2012, 0:00 - sem comentários ainda
O dilema da produção de energia não é tecnológico, mas político, pois o essencial é saber para que, para quem e sob o controle de quem é produzida a energia. Essa constatação perpassou a plenária de convergência sobre energia e indústria extrativa da Cúpula dos Povos nesse domingo (17).
Esse espaço reuniu movimentos sociais, em especial da América e da África, para discutir os problemas do modelo energético e da indústria extrativa e fazer o exercício de propor uma alternativa que não agrida o meio ambiente, as comunidades atingidas e os trabalhadores.
Os participantes identificaram o problema no papel das corporações transnacionais, que avançam sobre os territórios desrespeitando a soberania dos povos, em especial nos países do hemisfério sul, com o objetivo de acumular lucro. As falas da plenária trouxeram muitos exemplos regionais de como ocorre esse processo. Em Moçambique, é a Vale extraindo carvão; na Guatemala, há mais de 100 projetos de hidrelétricas que, apesar de recusados pelo povo em plebiscito, continuam a serem impostos; nas áreas indígenas de Roraima e Rondônia, no Brasil, o problema são as grandes barragens.
De manhã, sob a proposta de identificar os problemas estruturais nessa área, Gustavo Castro, do Movimiento de los Afectados por las Presas y em Defensa de los Ríos (Mapder), do México, explicou que a crise do capital leva à intensificação da indústria extrativa, que coloca sob controle das grandes empresas não só os mineirais, mas também o ar, a água, os bens vegetais.
Gilberto Cervinski, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), do Brasil, destacou a centralidade da energia para o capital, pois ela aumenta a produtividade do trabalho dos trabalhadores, e ressaltou que o problema central não é com relação à matriz, mas diz respeito ao controle das corporações sobre a geração de energia.
Fabian Masisa, da Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale, de Moçambique, trouxe o relato da extração de carvão pela transacional brasileira Vale em seu país e denunciou a absoluta falta de respeito pelas comunidades atingidas, que têm sua vida mudada para pior.
Também denunciaram a situação predatória do capital extrativista na África Bobby Peck, do Friend of Earth Africa, e Thembeka Majali, do One Million Climate Jobs, já no período da tarde, quando a tônica do debate foi discutir as alternativas dos povos para solucionar esses problemas.
João Antônio de Moraes, da Federação Única dos Petroleiros (FUP), do Brasil, ressaltou que os trabalhadores do setor da energia não são adversários das comunidades atingidas pelas obras nem do meio ambiente, pois são também vítimas dessa indústria predatória. Ele destacou a importância da luta contra a privatização e destacou que as energias ditas “renováveis” também têm impactos sobre o meio ambiente e as comunidades e devem, como todas as formas de geração de energia, serem debatidas pelos trabalhadores e não impostas pelo capital.
Quilombo Pedra do Sal, no Rio de Janeiro
18 de Junho de 2012, 0:00 - sem comentários aindaConheça o quilombo urbano Pedra do Sal, no Centro do Rio de Janeiro. Com mais de 200 anos de existência, o quilombo ainda alvo de disputas entre poder público, poder privado e os quilombolas.
Assista ao vídeo da TV Cúpula:
ONU e Via Campesina debatem economia verde na Cúpula dos Povos
18 de Junho de 2012, 0:00 - sem comentários aindaPor Cristiane Passos
Larissa Parker, advogada da organização Terra de Direitos e membro do coletivo Carta de Belém, inicou o debate questionando o presidente do PNUMA sobre exemplos paupáveis de várias partes do mundo onde a implantação da economia verde se mostra danosa. A financeirização e mercantilização do meio ambiente tornam a natureza um ativo, um título no mercado, ficando sujeito à ação especulativa. Sendo assim, como garantir, dentro da economia verde, a conservação ambiental, já que sua escassez elevará seu valor de mercado?
Larissa questionou, ainda, a engenharia de novas tecnologias propostas pela ONU, como uma forma de manter o colonialismo e o discurso da erradicação da pobreza, sem falar em distribuição de riquezas e de terras. Além disso, esse modelo proposto pela ONU vem a ser uma nova roupagem da tão falada revolução verde, que prometia o fim da fome com as tecnologias desenvolvidas de sementes resistentes e novos pesticidas, e o que se viu foi a continuidade da fome, o endividamento das famílias camponesas que passaram a comprar esses produtos, o envenenamento da comida e, até mesmo, a morte de camponeses e camponesas, principalmente na Índia, desiludidos com essa forma de produção. “As alternativas estão acontecendo, são visíveis, é preciso que a ONU olhe para elas, olhe para os povos que aqui estão reunidos, e para as experiências em vários territórios que aqui estão representados”, finalizou Parker.
Já Edwin Vásquez, representante da Coica, organização indígena da bacia amazônica, do Equador, interpelou o representante da ONU dizendo-lhe o que para eles significaria economia verde. Uma economia verde, com características limpas como querem remeter a ela as Nações Unidas, seriam seus territórios e o que produzem neles, e não as empresas petrolíferas, a produção de carvão ou a mineração. “Para nós, povos indígenas e sem terra, a economia verde não é a cor do dinheiro, é a cor da nossa Amazônia”, completou Vásquez.
Juan Herrera, da Via Campesina, ressaltou a importância da luta dos povos camponeses contra esse modelo proposto, principalmente, para beneficiar os países ricos e o capitalismo. Segundo ele, a Via Campesina vem lutando contra as mudanças climáticas, provocadas pelo modelo de desenvolvimento do capital, e contra a fome, que também é resultado da ganância do mercado e da não distribuição de terras e riquezas. Todo esse trabalho da Via Campesina é contrário às soluções propostas pelo capitalismo, que são sempre elaboradas com a finalidade de que o capital possa sempre crescer mais. Juan aproveitou a ocasião para reforçar o processo de luta da Via Campesina, “nós da Via Campesina vamos continuar nas ruas lutando por todos os povos do mundo. A ONU propõe a massificação do uso de transgênicos e agrotóxicos, e nós lutamos por uma alimentação saudável para o nosso povo, e que todos tenham acesso a ela”.
As interpretações da economia verde segundo a ONU
Segundo Achim Steiner existem muitas interpretações diferentes para economia verde e formas diversas de lidar com ela. Ele afirmou não discordar dos questionamentos e análises feitas até o momento sobre o assunto e assumiu que a ONU também ficou frustrada com o pouco avanço após a Eco 92. De acordo com ele, o pensamento econômico domina todas as nações, pode não dominar em algumas comunidades, mas a ótica das nações é a econômica. Afirmou, ainda, que o relatório do PNUMA como um todo seria uma crítica aos mercados que não conseguiram aplicar o desenvolvimento sustentável, definido como prioridade na Eco 92.
Sobre as novas tecnologias Steiner destacou, “nossa visão é permitir que as pessoas possarm ver o desenvolvimento sustentável como algo diferente do que foi mostrado até agora. As tecnologias de energia renovável e transgênicos são boas ferramentas, mas que foram apropriadas por grandes multinacionais. O caminho foi feito de cima para baixo. As economias não podem ser totalmente controladas por um lado ou por outro, elas devem conviver e não ser dominada somente pelo mercado ou pelos governos. Ao falar da economia, não falamos do modelo do passado, mas do futuro”.
Já Pat Mooney, da organização ETC Group, frisou que os governos estão no lugar errado. Segundo ele, já que é aqui no espaço da Cúpula que a economia se torna realidade, é aqui que estão as discussões importantes.
A crise financeira que tem atingido boa parte do mundo foi causada pelos sistemas financeiros. A crise das mudanças climáticas foi causada pelas tecnologias que destruíram o meio ambeinte. Agora, de acordo com Mooney, querem juntar essas duas crises e buscar uma solução. Crises essas que o próprio mercado criou. “Como a economia verde vai fazer uma nova tecnologia que resolva o que a outra destruiu? Essas tecnologias não são verdes e não funcionam para nós, e quando digo isto não estou dizendo que elas não são operativas, mas que não nos servem”, questionou ele. “Não podemos permitir que esses que destruiram o sistema financeiro, destruam o meio ambiente”, enfatizou.
O representante da CUT, Arthur Henrique, destacou que não se pode aceitar um modelo que mercantiliza os bens comuns. “Precisamos mudar o modelo de produção e consumo no mundo. A própria ONU já admitiu que o modelo não deu certo’, destacou. Os pilares ambiental e social ficaram para último plano nos debates mundiais. O trabalho verde, segundo Arthur, é o trabalho decente, não é apenas combater o trabalho escravo e o trabalho infantil. “Não queremos só sermos ouvidos, queremos discutir juntos as saídas para o desenvolvimentos sustentável”, encerrou ele.
Pablo Solón, da Global South, interpelou Steiner questionando porque ele não estava sendo sincero e não assumiu realmente os interesses do capital sobre a economia verde. Segundo ele, a economia verde é para que os países ricos continuem seu modelo de desenvolvimento, através de políticas compensatórias como as REED’s e o crédito de carbono. E concluiu criticando o modelo econômico preterido pelos países ricos, “o modelo econômico não pode estar embasado na exploração indiscriminada da natureza. Não necessitamos seguir crescendo eternamente, precisamos redistribuir as riquezas e os recursos. Isso a economia verde não diz”.
Assista ao vídeo sobre o debate:











