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3. Metodologia

noviembre 2, 2009 0:00 , por Alan Freihof Tygel - 0no comments yet | No one following this article yet.
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Definimos como condição necessária para a realização do projeto a utilização de uma metodologia participativa, no campo de estudos definido como Participatory and Action Research (PAR) (THIOLLENT, 1996;MORIN, 2004), tanto no diagnóstico e na definição de problemas quanto na elaboração e gerenciamento dos projetos de intervenção.

Esta metodologia não apenas tem um forte poder mobilizador e emancipador se realizada com precisão, como ainda possui métodos que preparam o contexto para a ação posterior à pesquisa, colocando, inclusive, os pesquisadores inseridos como atores no processo: a pesquisa-ação, com objetivo emancipatório e transformador do discurso, das condutas e das relações sociais, vai mais longe que a abordagem Lewiniana [essencialmente democrática e tendo a mudança como finalidade] e exige que os pesquisadores se impliquem como autores? (MORIN, 2004:55) (parênteses nossos).

Esta metodologia pressupõe:

  • O encontro de uma intenção de pesquisa (pesquisadores) e de uma vontade de mudar (atores);
  • O objetivo duplo de contribuir com a resolução de problemas do usuário e fazer progredir os conhecimentos fundamentais;
  • O ideal de trabalho conjunto para aprendizagem mútua de pesquisadores e de usuários e o quadro ético aceito e negociado por todos (LIU, 1997).

Como resultados, prevê:

  • A obtenção de modos de resolução de problemas concretos encontrados no decorrer da realização do projeto;
  • Conhecimentos validados pela experimentação durante a pesquisa-ação;
  • A formação, na comunidade, de competências individuais e coletivas;
  • Novos questionamentos para pesquisas e estudos posteriores. (LIU, 1997).

Buscando desenvolver um projeto de pesquisa-ação procurando envolver todos os atores interessados, foi necessária, inicialmente, uma ida a campo para a ambientação dos integrantes da equipe: conhecer a cidade de Macaé; conversar com habitantes do local ou com pesquisadores que já desenvolvem outros projetos na região; conhecer a unidade de pesquisa da UFRJ em Macaé (NUPEM).
A partir daí, definimos uma orientação metodológica para o projeto que tem como foco: a participação dos atores sociais locais, isto é, da comunidade; o monitoramento e a avaliação das atividades e a interdisciplinaridade.

 

... Agora quero contar as histórias da beira do cais da Bahia. Os velhos marinheiros que remendam velas, os mestres de saveiros, os pretos tatuados, os malandros, sabem essas histórias e essas canções. Eu as ouvi nas noites de lua no cais do Mercado, nas feiras, nos pequenos portos do Recôncavo, junto aos enormes navios suecos nas pontes de Ilhéus. O povo de Iemanjá tem muito que contar.
Vinde ouvir essas histórias e essas canções. Vinde ouvir a história de Guma e de Lívia que é a história da vida e do amor no mar. E se ela não vos parecer bela a culpa não é dos homens rudes que a narram. É que a ouvistes da bôca de um homem da terra, e, dificilmente, um homem da terra entende o coração dos marinheiros. Mesmo quando êsse homem ama essas histórias e essas canções e vai às festas de dona Janaína, mesmo assim êle não conhece todos os segredos do mar. Pois o mar é mistério que nem os velhos marinheiros entendem.
Jorge Amado (Mar Morto, 1973).

 

O Pescador
(Jorge Barcelos)
“Nossa vida é uma aventura, onde a saudade não perdoa a cor
Mas essa simples criatura simboliza o grande pescador.
Teu braço forte conhece o sacrifício, tua coragem não teme a própria dor
Esse valente guerreiro, a deriva, confia no Criador.
Nosso grito está no ar, só o Senhor não ouviu
Nós somos os escravos brancos em plena era 2000
Arrebentando as amarras para libertar, com garras, o mar do nosso Brasil
Quando ele vai à pesca, lagoa, rio ou mar,
Passa as noites no relento para trazer o sustento e os teus filhos criar
Homem das mãos calejadas, trabalha tanto por nada.
Dias, meses e anos, o pescador enfrentando a fúria dos vendavais.
Com gosto de sal na boca, muito distante no cais.
Com uma ponta de saudade, em meio a tempestade
Cara a cara com a morte, é cavernoso é forte
Agora é tudo ou nada, ele pensa em sua amada,
Sem chances de te beijar
Se o teu barco afundar e você não voltar jamais,
Pescador, descanse em paz.
A voz dos ventos distantes, perto das forças do mar
São preces de navegantes que não puderam voltar.
Portanto, se encontrares chorando o filho de um pescador
Por favor, não digas nada, respeite a nossa dor
Ao pescador em apuros, arrastando a sua cruz,
Creia teu porto seguro é só nas mãos de Jesus.”

 

“O caminho agonizava, morria
sozinho...
Eu vi...
Porque são os passos que fazem os caminhos!”
Mario Quintana
( Poema recitado pelo pescador Jorge Barcelos (Tio Jorge) na inauguração da sede da PAPESCA, no prédio da AGRAPE, Macaé, 13/12/2005. )


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