Relatório da Audiência Pública da Bahia sobre o PL 865 e a Política de Economia Solidária
Giugno 7, 2011 0:00 - no comments yetAudiência Pública PL 865, Salvador/BA, 26 de maio de 2011 das 14h30 às 17h no Plenarinho da Assembléia Legislativa
Por Fórum Baiano de Economia Solidária
A deputada Neusa Cadore deu inicio a sessão fazendo um breve relato sobre as audiências que já aconteceram em alguns estados, ressaltando a importância deste momento como mecanismo fundamental de participação cidadã e exercício da democracia. Em seguida apresentou a mesa que foi composta pelo deputado Mauricio Trindade, Moacir Vidal representante da Frente Parlamentar da Micro e Pequena Empresa, José da Boa Morte, representante da Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES) e Diogo Rego, representante do Fórum Baiano de Economia Solidária.
Feito isso foi definido que cada membro da mesa teria o 15 minutos para expor suas idéias e em seguida o debate seria aberto ao público com o teto de 17:00.
O deputado Maurício Trindade iniciou sua fala cumprimentando a mesa e se colocando mais na posição, não emitindo muitas opiniões. Demonstrou ser um político de ouvir e está para ouvir,faz parte da comissão de tributação. A premissa de que a lei "vai pegar". Ele relatou que existem muitas iniciativas de pequenas economia por todo Brasil, contudo este modelo de organização do trabalho ainda é muito menosprezado sendo por muitos visto como um trabalho humilhante e desqualificado,o projeto da presidente Dilma é investir de forma constante na valorização destas iniciativas.
Moacir Fidel, afirmou que a Economia Solidária é muito importante para o país e que ainda que existam algumas semelhanças entre esta e as micro e pequenas empresas, as diferenças são muitas e não podem ser desconsideradas. As micro e pequenas empresas estão inseridas em um contexto Capitalista, tendo por tanto as mesmas características dos modelos de grande empresas deste sistema e como principal objetivo o alcance de Lucro. Ele concorda que a Economia Solidária não é uma Micro ou pequena empresa, pois não visa como objetivo primordial o alcance do lucro e gera uma nova forma de relação social. Com relação ao PL ele defende a criação de um espaço próprio da Economia Solidária , a criação de um Ministério independente e todo segmento da micro e pequena empresa apóia esta causa.
Segundo ele, "Em Brasília o debate foi muito duro, acalorado mas construtivo, as pessoas levantaram a bandeira de que não é micro empresa, que se tem uma visão diferenciada e eu concordo. Os empresários das micro e pequenas empresas aceitam a ordem existente, apesar de empregar 60% dos em,pregados de carteira assinada, em quanto a Economia Solidária luta por uma nova ordem social". A proposta do PL 865 coloca a Economia Solidária junto a micro e pequena empresa e com isso nega totalmente suas diferenças, é preciso respeitar e reconhecer que a proposta da Economia Solidária é Inovadora. A Frente Parlamentar da Micro e pequena empresa apóia totalmente o movimento na luta do alcance do seu espaço.
José Boa Morte disse que um aspecto muito importante nesta discussão é a escuta, o governo Federal estabeleceu um contato de escuta demandado pela própria sociedade civil através das audiências públicas em todos os estados. É preciso refletir a política pública da Economia Solidária no Brasil e não apenas o lugar institucional em que estará alocada. Entende que é necessário encontrar novos rumos para EcoSole que o projeto não atende aos anseios do movimento. É importante recordar que a SENAES foi responsável por alguns avanços que estabeleceu marcos de programas que deram assistência aos empreendimentos de Economia Solidária. Atualmente existem mais de 20 Ministérios com execução de políticas de Economia Solidária no Brasil, contudo é necessário uma melhor articulação e diálogo entre estes. Não cabe a SENAES decidir qual a melhor decisão a ser tomada e sim ao movimento.
Diogo Rego iniciou sua fala relatando que a audiência federal foi bastante rica e participativa, um momento muito bonito e muito importante para o movimento da Economia Solidária. Ele fez uma breve explicação sobre o significado da Economia Solidária, definindo que esta pauta-se principalmente no princípio da Autogestão, desta forma nesse modelo de organização do trabalho não se tem nem patrão nem empregados e não se gera empregos e sim trabalho. O governo Federal não percebe a amplitude da Economia Solidária, pois esta não se resume aos empreendimentos indo muito além, a EcoSol é um movimento social e uma estratégia de desenvolvimento. Atualmente a Economia Solidária tem mais de 229 programas distribuídos em 20 ministérios, porém não é por isso que ela tenha necessariamente se transferir para estes ministérios, então por que em relação a micro e pequena empresa teria que ser desta forma? Por que insistir em uma junção se ambas as partes se colocaram contra esta proposta? É necessário fazer um debate a sobre a política pública da Economia Solidária e isso é muito além da escolha do local institucional. Assim primeiro debate-se a política pública a nível federal e estadual e com isso depois se definir a local institucional em que se enquadra.
Diogo afirmou que o atual espaço dentre da secretaria do trabalho também não é perfeito e precisa ser revisto, não defendemos que existe um cenário ideal e que só pode permanecer nesta secretaria. È preciso deixar bem claro que o movimento não é contra a criação da Secretaria de Micro e Pequena empresa, e sim, contra a inserção da Economia Solidária nela. Assim o movimento define as seguintes propostas:
1.Criação do Ministério
2.Aprovação da lei estadual e federal
3.Criação de uma política de fundos
4.Reformas legislativas
5.Debater a Ecosol como estratégia de desenvolvimento, combate a pobreza e a miséria
Após a fala de Diogo a mesa finalizou suas explanações e abriu-se para o debate:
Joilson (CAMAPET) - Trouxe a vivência do empreendimento que faz parte, trabalhando com coleta de resíduos, ele define que este trabalho evidencia um processo de desenvolvimento pessoal e profissional dos seus membros, através de uma vivência prática e sadia. Ele defende que este trabalho tem um potência de emancipação e promove a valorização de cada ser humano. "Concordamos com a criação desta secretaria, contudo queremos o nosso próprio espaço."
Selma (movimento das donas de casa) - "A Economia Solidária e a Micro e Pequena empresa são bem diferentes e fazem parte da nossa realidade"
Ivanete(Representante do território de Vitória da Conquista) - "É preciso uma política pública voltada para zona rural e o PL não contempla isso"
Ana Sueli (Fórum de cooperativa) - "Não tinha espaço no mercado formal e quando pertencia a este eu me via escravizada, não tinha tempo para cuidar dos meus filhos e está com minha família. A Economia solidária mudou a minha vida e não podemos negar seus princípios"
Farnézio Braz(GREPS) - "Acompanho cerca de 100 empreendimentos, o nosso diferencial é a forma de organização e produção dos nossos grupos , o PL desrespeitou o movimento da forma que as coisas foram conduzidas"
Maurício (Incubadora de cooperativas da UNEB) - " O movimento foi traído com o PL e precisamos de um espaço próprio para a Economia Solidário"
Vera (Rede de costuras) - "A Economia Solidária não é emprego e sim trabalho, não é contrato e sim relacionamento. Aqui a gente se capacita junto"
Dina Lopes (Via do trabalho) - " Nós mulheres negras, aprendemos a nos virar sozinhas em umas perspectiva de solidariedade, a Economia solidária é uma forma de fazer economia respeitando o outro e o meio ambiente. O PL nega todos os princípios da EcoSol"
Enio Correia( Instituto de Permacultura) - "A legislação não é favorável para comercializar os produtos da Economia Solidária"
Selma Porto (representante do fórum na região de Palmas de Monte Alto) - "A micro e pequena empresa não atua dentro da comunidade rural e o PL não contempla o trabalhador rural"
Débora Rodrigues (vida Brasil) - "Para o governo a sociedade não sabe que a Ecosol existe, a questão é um projeto de sociedade da EcoSol que é diferente do projeto de Sociedade da Micro e pequena empresa. 66% dos empreendimentos de economia solidária são da zona rural, por isso o projeto negaria a existência desses grupos."
Ronalda(Unitrabalho) - "A Economia Solidária é um movimento de resistência e nessa perspectiva não se mistura com a micro e pequena empresa, como o governo deseja erradicar a pobreza sem considerar a EcoSol que é uma estratégia emancipa tória?"
Cáritas - "Por que continuar na luta? Para que toda família alcance a cidadania. E o que é cidadania? É poder acordar e não precisar vender minha força de trabalho"
Luanda - "Economia solidária é autonomia liberdade e respeito"
Teresa - "direito de produzir de forma diversa, o governo federal tem passado um trator pela decisão d 2 milhões de pessoas"
Relatoria da Audiência Pública de Pernambuco sobre o PL 865/2011 e a Política de Economia Solidária
Giugno 7, 2011 0:00 - no comments yetRealizada na Assembléia Legislativa de Pernambuco - Anexo I - 6o andar das 8:00 as 12:00 em 28 de maio de 2011.
Por Fórum de Economia Popular Solidária de Pernambuco e Coletivo de Educadores do FEPS/PE
Fotos por Lumo Coletivo (veja todas as fotos em www.flickr.com/photos/lumocoletivo/sets/72157626721097165/)
O relatório está disponível também para impressão em www.fbes.org.br/?option=com_docman&task=doc_download&gid=1398
Composição da Mesa: Paulo Rubem - Deputado Federal; Luciana Santos - Deputada Federal; Profa Ana Dubeux - Fórum Brasileiro de Economia Solidária; Luciano Siqueira - Deputado Estadual; Manoel Santos - Deputado Estadual; Teresa Leitão - Deputada Estadual; Waldemar Borges - Deputado Estadual; Roberto Marinho - SENAES; Luiz Damião Barbosa- ASSIM - Fórum de Economia Popular Solidaria de PE/ Representando os empreendimentos rurais; Maria Cristina Souza - Fórum de Economia Popular Solidaria de PE/ Representando os empreendimentos urbanos; Rosana Pontes (UNEES - ARTANA, Fórum de Economia Popular Solidaria de PE/ Elo Região Metropolitana de Recife), - Lenivaldo Lima (Cooperativa Harmonia - assentamento Miguel Arraes de Alencar - Catende - Fórum de Economia Popular Solidaria de PE/ Elo Mata Sul); José Cavalcante (Assentamento Dorcelina Folador - Itaquitinga, Fórum de Economia Popular Solidaria de PE/ Elo Mata Norte); Jandson Souza- (Fórum de Economia Popular Solidaria de PE/ UNICAFES/ Pelo Elo Agreste; Francineide Menezes (Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú - Fórum de Economia Popular Solidaria de PE/ Elo Sertão do Pajeú).
A audiência foi presidida por Teresa Leitão, Deputada Estadual. A deputada informou que foram convidados para compor a mesa o Presidente da COMICRO Tarcísio Silva, e o Deputado Estadual Sérgio Leite, coordenador da Frente Parlamentar de Micro e Pequena Empresa em Pernambuco, mas estes não compareceram. Com a definição de cinco minutos para as falas, a Deputada Estadual Teresa Leitão informou que teria que se retirar antes do final da Audiência, sendo coordenada, após sua saída, pelo Deputado Estadual Luciano Siqueira.
A audiência pública contou com uma massiva participação do movimento no estado e representações de todos os elos territoriais: Região Metropolitana, Mata Norte, Mata Sul, Sertão do Pajeú, e Agreste, que garantiram intervenções ricas, expondo o quadro diverso e dinâmico que compõe o movimento de economia solidária em Pernambuco, além da afirmação contundente de seus repúdios ao PL 865/2011 destacamos a presença do movimento de mulheres, cujo apoio foi essencial com a animação, a mobilização e a exposição em faixas, cartazes, banners dos desejos e necessidades do movimento.
Ao término da atividade foram dados encaminhamentos importantes: 1. Criação da Frente parlamentar da economia solidária no estado; 2. Compromisso dos deputados no reforço das propostas do FEPS/PE para o Plano PluriAnual (PPA) 2012-2015 e do FBES para o PPA federal, Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA); 3. Compromisso dos deputados na realização de uma outra audiência pública para debater a política pública de economia solidária em Pernambuco; 4. Indicação de retirada das atribuições da ES do PL 865.
Intervenções das/os componentes da mesa:
O Deputado Federal Paulo Rubem iniciou sua intervenção destacando a surpresa com o encaminhamento do PL 865/2011 pela presidente Dilma propondo a criação da Secretaria Especial da Micro e Pequena Empresa - SEMPE, retirando a SENAES do Ministério do Trabalho e Emprego, sem justificativa, sem análise técnica, submetendo-a a SEMPE a ser criada. Isto leva a reações vistas em todo o Brasil. O deputado lembrou que dentre as estratégias estabelecidas pela frente em conjunto com o movimento, destaca-se, primeiro 1o: A compreensão de que não somos oposição ao governo da presidenta Dilma, 2o: A importância da emenda que retira as atribuições da economia solidária da Pl 865/2011. 3o: A necessidade de criar a Secretaria Especial da Economia Solidária com status de Ministério. Foi enfatizada a importância da realização nos estados das audiências públicas e do diálogo com o Deputado Federal Eudes Xavier, relator do PL865/2011 na comissão de trabalho da Câmara Federal, para a consideração dos resultados apresentados, em sua relatoria. Considerou ainda que não existam justificativas para a localização da Economia Solidária em uma SEMPE em razão dos princípios filosóficos serem diferentes. Chamou o conjunto dos presentes a perceberem à necessidade de elaboração e acompanhamento das políticas não apenas federais, mas também as estaduais e municípais.
A Deputada Federal Luciana Santos dispõe o mandato ao debate, informa que compõe a frente parlamentar e subscreveu a emenda que retira as referências à Economia Solidária do PL 865. Conhece de perto experiências de Economia Solidária e acredita ser importante para a construção do Brasil que hoje tem um ritmo de crescimento elevado, mas é necessário crescer de forma sustentável sendo necessário discutir o modelo de crescimento econômico. No governo federal as políticas de economia solidária perpassam vários ministérios - 20 ministérios e 229 projetos - tratando-se de uma política transversal e interministerial. Importante assim o esforço e mobilização para tirar da SEMPE às referências sobre a economia solidária e lutar por uma secretaria com status de ministério. Manoel Santos, Deputado Estadual iniciou lembrando a importância do povo e movimentos organizarem-se para acompanhar e participar da elaboração das políticas estruturantes. Foi um avanço a criação da SENAES, mas apresenta-se irrisória frente às necessidades do conjunto do povo em uma perspectiva de futuro. Tem-se apresentado cada dia mais necessário criar elos para caminhar na contestação e criar condições de negociação. E isto já faria o governo sentir que não dá para realizar a transferência da economia solidária da forma como está conduzindo. Lembra a importância de despertar os estados para mobilizações nos estados e municípios, já que para a elaboração de políticas de economia solidária é preciso haver uma ação articulada entre os poderes executivos nas três esferas.
Teresa Leitão, Deputada Estadual lembra que é autora da lei estadual de fomento à Economia Solidária em Pernambuco e convidada permanente do Conselho Estadual de Economia Popular Solidária pela Assembléia Legislativa do Estado. Tem acompanhado os debates através de militantes do movimento, tem lido os documentos, e embora existam divergências no âmbito da concepção, na forma de como realizar a política, apresenta-se para todos/as o caminho da mobilização, da pressão, e da reflexão como necessário. Espera que esta mobilização ecoe no país e que se construam encaminhamentos importantes, a partir do fórum, da lei, e que dê ao PL em tramitação a cara do movimento, assegurando a Economia Solidária um lugar de destaque.
Professora Ana Dubeux, do Fórum Brasileiro de Economia Solidária ressalta, que embora o movimento enquanto organização seja novo, suas práticas são antigas, presentes no espaço rural e urbano na utopia de um mundo melhor, questionando os valores do capitalismo, o movimento de Economia Solidária está, assim na contramão deste processo, que busca os trabalhadores/as que não são visíveis no quadro das políticas públicas. O PL 865/2011 tenta juntar diferentes já que a economia solidária não se identifica com a microempresa. Aassim, vê-se o desmantelar de um espaço para a junção de duas políticas públicas que são essencialmente antagônicas. É preciso perceber às lutas no Brasil que se colocam contra a forma avassaladora que o capitalismo tem destruído à vida: o cacique chorar ao saber da aprovação da instalação da usina hidrelétrica de Belo Monte e os dois companheiros extrativistas que foram mortos brutalmente por lutar uma vida digna, são exemplos. A luta é pela garantia de que as mulheres tenham condições de construir e reproduzir à vida. A economia solidária busca o resgate da dignidade e da cidadania algo que às práticas de geração de renda individuais não conseguem fazer. O Brasil é referência por ter um lugar próprio para a Economia Solidária, desta forma as propostas que existem são pela ampliação do espaço institucional no governo federal e pelo fortalecimento da política pública federal neste campo, contribuindo com ações que fortaleçam o Movimento de Economia Solidária no Brasil.
Roberto Marinho, representante da SENAES, ressalta que é missão da SENAES estabelecer o diálogo entre o governo e movimento. Afirma que a SENAES é fiel as deliberações da II Conferência, que apontam para a criação de uma Secretaria Especial da Economia Solidária, e reconhece as fragilidades nas esferas municipais, estaduais e nacional para a economia solidária. Afirmou ser importante a ampliação do espaço institucional e que a presidenta Dilma não achava possível criar esta secretaria por já ter assumido o compromisso com a criação da SEMPE. Reafirmou a posição da SENAES de fidelidade às deliberações da II Conferência com a criação da SEES e destacou a posição do Ministro do Trabalho e Emprego Carlos Lupi pela permanência da SENAES no MTE.
Luiz Damião Barbosa, Fórum Estadual de Pernambuco, debateu a importância da Economia Solidária na mobilização do povo do campo com a agricultura familiar. A ES trouxe a possibilidade de resgate do trabalho no campo como a organização de mais de 50 feiras agroecológicas que foram desenvolvidas com a cooperação e a associação de regiões, cada uma delas com experiências que trazem resultados e mantém o homem no campo. Há uma grande indignação com o PL, não apenas sua, mas também da base já que o PL não respeita ou considera o que o povo discute, não respeita as deliberações da II Conferência.
Maria Cristina de Souza, Rede de Mulheres Produtoras do Recife e Região Metropolitana e do Fórum Estadual de Pernambuco, destacou que o lugar da política de Economia Solidária não é paralelo às micro e pequenas empresas, mas é uma luta específica, que o movimento vem batalhando pela construção de uma outra forma de organização, assim não cabe o movimento dentro da SEMPE, na base podem-se ver as necessidades reais das pessoas, o que acontece nas comunidades. Ressaltou que em Pernambuco o movimento tem claro que quer um lugar próprio para a ES.
José Cavalcante, assentamento Dorcelina Folador - Itaquitinga, lembra que a agricultura familiar e a agroecolocia buscam a garantia da alimentação a partir de uma construção solidária. O movimento vem buscando o desenvolvimento sustentável do meio rural, fazendo a produção agrícola, valorizando o uso sustentável da biodiversidade e respeitando as raízes culturais das pessoas. A base caminha para o embate na Mata Sul, pois o PL 865/2011 não fala a língua do movimento. Por isso, as formiguinhas da Mata Sul só estão esperando o comando, para ir às ruas. Conscientes e mobilizadas já estão. Se preciso for, vão pro embate.
Jandson Souza, UNICAFES, lembra que o movimento não é contra a SEMPE, mas sim contra a mistura dos dois espaços. É a favor do cumprimento das resoluções da II CONAES, afirma que é impossível pensar em todos os cidadãos incluídos na economia formal, com carteira assinada, assim são importantes as alternativas criadas pelo movimento. Sente tristeza vendo o governo Dilma fazer este encaminhamento sem discussão com o movimento. Diz que ficou emocionado quando veio com a caminhada falando palavras de ordem nas ruas do Recife, é preciso superar o individualismo.
Rosana Pontes, União dos Empreendimentos de Economia Solidária - ARTANA, destaca que a Economia Solidária tem a cara do Brasil já que este é diverso. Desde EES de Produção do artesanato a produção agrícola,com agricultura familiar e a agroecologia, da Produção cultural, a finanças solidária, Finanças SIM, pois não só falamos de micro-crédito, mas também de bancos comunitários, clubes de troca, e comercialização solidária, pois não basta comercializar, temos princípios inclusive regido pela Lei que criou o Sistema Nacional de Comércio Justo e Solidário, assinado pelo então Presidente Lula, em novembro de 2010. Por ser focada na preocupação com os seres humanos à formação tem sido um ponto central, estruturada a partir da educação popular. Somos também Empresas Recuperadas e o movimento se junta à luta dos companheiros e companheiras da Usina Catende. Por razão da diversidade que compõe a economia solidária não se veem contemplados na SEMPE. A nossa Presidenta pode até desconsiderar os anseios do movimento mais saberá que não é nesta secretaria que queremos ficar e a presidenta Dilma terá que arcar com esta decisão.
Francineide Menezes, Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú - Afogados da Ingazeira, recorda que em Pajeú o surgimento da Rede teve como propósito fortalecer o trabalho das mulheres e que perceberam ser necessário uma rede com caráter político, econômico e social. Assim escolheram como caminho a Economia Solidária. Serviu para as mulheres como reconhecimento do seu trabalho, que este não era ajuda, a Economia Solidária ajudou-as a perceberem que seu trabalho produtivo e reprodutivo era trabalho. Elas saíram de uma situação de miséria para de uma economia solidária que não visa o 'eu' apenas.
Waldemar Borges - Deputado Estadual, relembra que na gestão de João Paulo, Prefeitura do Recife, quando era Secretário de Desenvolvimento Econômico, observávamos um emaranhado legal cruciante para que a Prefeitura se relacionasse com os empreendimento de economia solidária. Ainda estão aí, por isso temos que buscar superar os limites burocráticos e legais que são antigos. Mas, vejo que o movimento tem crescido ao olhar para esta sala. A economia solidária tem um projeto político e social que não está presente para as micro empresas e é importante considerar esta diferença como movimento que quer mudanças na sociedade.
Intervenções das/os presentes:
Fábio, Fórum Estadual de Economia Solidária ressalta a preocupação com dois ataques, o PL 865/2011 e a votação do código florestal. Propõe a inclusão da Economia Solidária na comissão de desenvolvimento econômico da Assembléia Legislativa de Pernambuco. Vani Maris, presidente de Sindicato de Artesão da Região Metropolitana do Recife, estava afastada mas o PL a tem feito retornar as bases, destaca a importância da criação do fórum municipal para fortalecer o fórum estadual de economia solidária.
Greg, da CUT, solicita que a casa dê atenção a como o governo do estado tem visto a Economia Solidária, que tem ficado num lugar esquecido. Coloca a necessidade de discutir os marcos legais, mesmo não concordando com o PL865 tem um compromisso da presidente Dilma de criar a SEMPE, assim propõe que é preciso ter mudanças do marco legal, ficar onde está ou criar um novo lugar, com a apresentação de um substitutivo que nessa secretaria a Economia Solidária tenha mais espaço. Lenivaldo, Cooperativa Harmonia,as ações na economia solidária buscam resgatar às pessoas da miséria, a Economia solidária deu visibilidade a situação de empresas recuperadas, empresas que os patrões não queriam mais e passaram a ser assumidas pelos trabalhadores. Quando pleiteou-se que se transformasse a Senaes em Secretaria, o movimento buscava mostrar que sua capilaridade do movimento precisava de um status melhor. A criação da SEES fortaleceria as políticas criadas pelo movimento. É uma forma de mostrar que as experiências em economia solidária querem políticas públicas, reconhecimento, visibilidade. Considera que com todos os limites a Senaes tem sido um importante instrumento político para fazer avançar a economia solidária e o que se esperava era um lugar maior no governo.
Nani Mariani - Brasil Local Feminista e Economia Solidária, ressalta a unidade do movimento frente às diferenças, pois centra-se na luta pela construção e fortalecimento da Política Pública de Economia Solidária. As diferenças concentram-se mais do campo da tática que da estratégia e parabeniza a forma como foi encaminhada a discussão.
Graça Mendonça, Associação Costurarte, afirma que trabalham na perspectiva de serem vistas como um empreendimento econômico solidário que não quer patrão. Assim, não é justo que depois de tantos anos de luta não sejam respeitados. Os empreendimentos tem as características das pessoas que estão naquele espaço o que é diferente da forma que uma empresa é construída. Na empresa capitalista tod@s são tratados como iguais quanto a sua capacidade a ser explorad@. Vilma - Sertão do Pajeú, está realizada em ver que a luta não será em vão e que a base é forte, que são formigas, trabalhadoras e cortadeiras, que são mulheres e homens que precisam trabalhar. Jéssica, Coletivo Lumo e Rede Fora do Eixo, representa os produtores culturais, e vê o momento de Economia solidária como propício para unir forças.
Lourdes Oliveira - Fundo Rotativo da Ação da Cidadania - CRED CIDADANIA, inicia lembrando que Pernambuco vive um momento de muito crescimento econômico, frente ao qual é preciso discutir que tipo de sustentabilidade está se criando. Em todas as três esferas de governo não há prioridade para políticas de Economia Solidária. O lugar institucional não tem conseguido avançar, então é preciso ir à rua para lutar. Destaca ainda a importância do microcrédito para trabalhadoras/es que precisam de condições para trabalhar, e que não existe apoio de política pública, ou finanças solidárias do poder público.
Luciano Siqueira, Deputado Estadual, ao final da reunião, destacou às conclusões consensuadas na Audiência. Ressaltou a importância da presença da Deputada Luciana Santos e do deputado Paulo Rubem pelo compromisso firmado com o movimento de avançar na luta contra o PL 865 na câmara dos deputados. Por outro lado, aqui também o compromisso renovado do companheiro Waldemar Borges, da companheira Teresa Leitão, do companheiro Manoel Santos e que permite avançar em uma das reivindicações do movimento que é a criação da frente parlamentar da economia solidária no estado. Essa frente encontrará meios de, no âmbito da casa, reforçar o movimento nacional pela retirada da Economia Solidária das atribuições da secretaria da micro-empresa. Aquilo que diz respeito a canais de discussão sobre o PPA, e a LDO, constituída a frente parlamentar ela própria será canal de discussão das duas peças que serão encaminhadas pelo governador e que deverá encaminhar para a assembléia, assim como também algumas das comissões técnicas permanentes da assembléia. Por fim registrou que como diz a canção que Milton Nascimento que 'todas as formas de amor valem a pena', é preciso afirmar que todas as formas de resistência às injustiças, às contradições, às distorções da sociedade que vivemos, o sonho de superar o capitalismo pelo socialismo vale a pena.
No decorrer da Audiência, foram anunciadas as presença de: gestores Prof Helcio de Mattos - Secretaria do Trabalho do Jaboatão dos Guararapes, Augusto Severo - Vice Prefeito de Afogados da Ingazeira, João Monteiro - Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico de Recife, Ana Dias Rocha - Secretaria Executiva da Secretaria de Qualificação, Trabalho e Empreendedorismo do governo de Pernambuco, Roberta Meira Lins Secretaria de Planejamento e Gestão do Governo de Pernambuco - - Secretaria de Planejamento e Gestão, Zafira Peixoto - Gerência de Economia Solidária (Secretaria de Qualificação, Trabalho e Empreendedorismo); artistas como as Loucas de Pedra Lilás; companheir@s do Fórum de Economia Solidária da PB, cuja audiência será no dia 30 de maio no plenário José Mariz; e o Fórum de Mulheres de PE.
O relatório está disponível também para impressão em www.fbes.org.br/?option=com_docman&task=doc_download&gid=1398
Seminário de Lançamento do Fórum da Economia Popular Solidária do Recife - FEPS-Recife
Giugno 1, 2011 0:00 - no comments yetFonte: http://economiasolidariaempernambuco.blogspot.com/2011/05/seminario-de-lancamento-do-forum-da.html
Foi realizado nos dias 26 e 27 de maio o Seminário de Lançamento do Fórum da Economia Popular Solidária do Recife - FEPS-Recife. Com a participação de empreendimentos das 6 RPAs, assessorias e gestores publicos, o evento realizado na Faculdade FAFIRE teve as parcerias da Prefeitura da Cidade do Recife, Ministerio do Trabalho e Emprego, Banco do Brasil, Incubação/FAFIRE, UNISOL e SINDAREM.
Fórum de Economia Solidária do RN se manifesta, em Audiência Pública, sobre PL 865
Maggio 31, 2011 0:00 - no comments yetRelato de Lidiane F. de Jesus (lidianefreire@gmail.com)
É com alegria que anunciamos a realização da nossa Plenária Estadual de Participação Popular de Economia Solidária do RN. Hoje, 30 de maio de 2011, das 14h as 17:30, no plenarinho da Assembléia Legislativa.
Contamos com pouco mais de 70 participantes, dentre EES, EAF e Gestores, e organizações da sociedade civil que apóia a economia solidária, bem como representação da universidade, SEBRAE, SENAES, Frente Parlamentar de Ecosol e FBES/FPES.
Estiveram presentes representantes da economia solidária das seguintes regiões/territórios do estado: Seridó, Assu/Mossoró, Trairí, Mato Grande, Sertão do Apodi e Terras dos Potiguaras.
Paraíba realiza hoje Audiência Pública sobre PL 865
Maggio 30, 2011 0:00 - no comments yetRelato de Sandro Silva (sgsgomez@hotmail.com)
Na tarde desta segunda-feira, dia 30 de maio, ó Fórum Estadual de Economia Solidária da Paraíba realizará, em parceria com os Deputados Estaduais Frei Anastácio, Anísio Maia e Luciano Cartaxo com o objetivo de discutir o marco legal da economia solidária, com ênfase no PL 865.
Para o evento estão convidados os integrantes dos três segmentos do Fórum Estadual, parlamentares e gestores federais, estaduais e municipais, além de movimentos e organizações sociais. Durante a atividade será lançada uma Carta do Fórum Estadual com 100 assinaturas de organizações, destacando a posição da Paraíba sobre o Projeto de Lei 865/2011.
A concentração da atividade será a partir das 13h30 na praça do Pavilhão do Chá, de onde os militantes da economia solidária saem em caminhada, em direção à assembléia legislativa. A Sessão Espcial também servirá para que o fórum possa construir encaminhamentos junto ao Poder Legislativo Estadual em torno de ações para viabilizar a construção do marco legal da economia solidária no Estado.

