<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"><channel><title>Feed RSS do(a) Marcos Arruda</title><link>http://cirandas.org/marcosarruda</link><description>Conteúdo do(a) Marcos Arruda publicado no CIRANDAS</description><item><title>ONDE HÁ SEDE DE PODER, NÃO HÁ AMOR</title><description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;img src="/articles/0032/4025/Pablo%20e%20Marcos%20mar%202016.jpg" alt="" width="379" height="213"&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Refletindo sobre a crise política e moral brasileira&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta frase do psicanalista Carl Jung é um chamado universal à consciência. Jung diz: “Onde há amor, o poder não domina. Onde há sede de poder, não há amor. Um é a sombra do outro”. O ser humano só pode ser feliz no amor. Sendo um ser social, ele está vocacionado para o amor, diz o biólogo chileno Humberto Maturana. E ele define o amor como o acolhimento do Outro enquanto autêntico outro no conversar, e não como projeção dos meus desejos e carências. E ele conclui: sem amor, o ser humano adoece e morre.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O drama que o Brasil vive nestes dias – uma crise política e moral – se soma à crise econômica que vive a maioria trabalhadora da população – pois os ricos não estão em crise. Mas a clivagem atual da sociedade brasileira não se dá apenas em torno do tema da corrupção. Contra a corrupção, na retórica todos se unem, inclusive os corruptos e os corruptores. A clivagem maior continua sendo entre os que vivem de rendas do capital, e os que vivem de vender o seu trabalho no mercado do capital, seja como empregados, funcionários públicos, autônomos, desempregados e biscateiros. Quem determina a estrutura da sociedade e a luta de classes não são os segundos, mas os primeiros, ao se apropriarem dos bens e recursos comuns, que se tornam produtivos com o trabalho de todos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando todos tiverem suficiente dinheiro e bens materiais para satisfazer suas necessidades materiais e imateriais, não haverá mais pobres, porque não haverá mais ricos. Para isto é preciso que aja em todos os corações o sentimento da partilha, da colaboração, do amor ao próximo como a si mesmo. Até esta transformação dos corações e mentes acontecer, por força do desabrochar da consciência coletiva do Brasil e da humanidade, viveremos de crise em crise, gerando sofrimentos com nossa ganância de poder e riqueza material, nosso medo e nosso desamor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O PT E O SONHO DE UM BRASIL SEM MEDO DE SER FELIZ&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O amigo Haroldo Mendonça, da SENAES, postou na sua página do Feice uma fala do Lula em uma concentração de petistas. Fiz a ele o seguinte comentário, ampliado por mim para mais ampla divulgação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;3.3.2016&lt;br&gt; Caro Haroldo,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O PT virou este fantasma que está hoje servindo ao grande capital, em grande parte por escolha de Lula e Dilma. Eles fizeram os melhores governos que a direita podia desejar em seu próprio benefício.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nunca os banqueiros ganharam tanto. Nunca o patrimônio nacional foi tão vergonhosamente entregue ao capital transnacional como agora. Lula e Dilma fugiram da Rede Jubileu Brasil e da Auditoria Cidadã da Dilma: durante 15 anos se recusaram a nos receber para conversarmos sobre a AUDITORIA da dívida externa. Fogem deste preceito da Constituição que o próprio Lula ajudou a aprovar... Se acovardaram diante dos credores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao longo dos seus anos de governo, não fizeram nenhuma MUDANÇA ESTRUTURAL neste país, que apontasse para uma Economia do Trabalho e não do capital. Em 1989, quando o PT ainda era "dos Trabalhadores", participei do Governo Paralelo na qualidade de membro da equipe de economia internacional. Aceitar dinheiro do grande capital para as campanhas, de 1994 para cá, foi fatal. De lá para cá, o espaço para eu e outros com senso crítico colaborarmos na formulação dos programas de governo foram estreitando, até que em 2002 meu único meio de colaboração foram as cartas que eu escrevi ao Lula com sugestões para a Campanha e depois para a ação de governar o nosso País.&lt;a href="#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estou fora do PT desde 2005, quando elegeram o lamentável Berzoini em vez do Plinio. Estelionato eleitoral, foi o que o PT fez: prometeu e não cumpriu o essencial do seu programa de governo. Fez alianças espúrias e escravizou-se a elas. Transformou o poder do Estado em fim, em vez de meio para tornar o Brasil o protagonista de um desenvolvimento endógeno, soberano, autenticamente democrático, solidário e sustentável. Desperdiçou a oportunidade histórica de envolver o povo no governo do País, saindo do Planalto para a planície onde o povo vive para trabalhar e para sofrer. Tem tratado as minorias étnicas - os povos originários, os quilombolas, os pescadores, em grande parte mestiços pelo Brasil afora, com uma arrogância e um desprezo indesculpáveis e criminosos. O genocídio-em-marcha dos Guarani-Kaiowá são uma amostra desta cumplicidade do governo com o grande agronegócio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Brasil, campeão do uso de agrotóxicos. Brasil, campeão das sementes transgênicas sem a investigação prudente dos seus riscos para a saúde e o ambiente. Brasil, campeão dos tiros no pé, com a política altos juros e enorme desvalorização do real para baratear nossos produtos de exportação. Brasil, campeão da febril exportação de mercadorias de baixo ou nenhum valor agregado, para viabilizar o pagamento da espúria e impagável dívida externa. Brasil, campeão do fiel pagamento de juros aos credores da dívida pública, às custas do investimento no desenvolvimento humano e social! Entre 2002 e 2015 a dívida pública passou de R$ 820 bilhões para R$ 6,1 trilhões.&lt;a href="#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Continuamos escravos do "sistema da dívida": quanto mais pagamos, mais devemos. E para pagar, estamos vendo o patrimônio natural e humano do Brasil sendo entregue, dizimado, esmagado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Triste que meu livro "Cartas a Lula: um Outro Brasil é Possível" esteja tão válido hoje como estava em 2006, quando foi lançado. Praticamente tudo que eu propus nas cartas ficou ignorado. Pior para o Brasil. Pois minhas sugestões faziam parte do bom senso no contexto de então. E continuam válidas para agora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não, caro Haroldo. O sonho de um Brasil &lt;em&gt;inteiro &lt;/em&gt;sem medo de ser feliz parece ter sido adiado &lt;em&gt;sine die. &lt;/em&gt;Isto porque quem foi para o Planalto achou que podia atender ao mesmo tempo aos interesses do grande capital e das suas escravas e escravos trabalhadores.  Só descendo do Planalto para a planície onde o povo vive e sofre é que a Política vai voltar a ser instrumento de gestão da emancipação deste nosso grande País.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;SOBRE A NOMEAÇÃO DE LULA COMO MINISTRO DA CASA CIVIL&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;15.3.16 - A situação se agrava muito para Lula e Dilma com a nomeação do Lula como Ministro da Casa Civil. O juiz Sergio Moro permitiu à Polícia grampear o telefone da Presidenta! Isto soa como uma grave ilegalidade. Como é que um juiz de primeira instância pode grampear o telefone da Presidenta da República? Mais estranho ainda, no momento seguinte a Rede Globo já tem acesso ao grampo e o divulga para o País inteiro! Quem entregou o grampo, feito pela Polícia Federal, à Globo? Na breve conversa com Lula, Dilma diz que está enviando um documento que contém o termo de posse para ser usado em caso de necessidade. Isto, segundo a grande imprensa e os próceres da oposição, configura que "Dilma atuou para tentar evitar prisão de Lula na Lava Jato."&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como eu havia escrito na minha linha do tempo do Feicebuque, ela não devia nomear Lula para nenhum cargo público enquanto ele for suspeito de crime e estiver sendo investigado. O princípio ético que defendemos para suspeitos de crimes como Eduardo Cunha, Renan Calheiros e outros políticos, tem que valer também para Lula. A nomeação, a meu ver, é um ato de violação da ética na política. Mas também é um problema jurídico a mais para engrossar as águas do impedimento de Dilma. A direita está articulada nos vários poderes, e nas ruas, para tirar Dilma, e ela está colaborando para isto acontecer. O PT e suas lideranças estão conseguindo levar o País de volta às mãos da direita, talvez até da extrema direita. O Judiciário fazendo o papel do que foram os militares nos anos 60. Algo parecido já ocorreu, com inspiração e apoio da CIA, na Venezuela em 2002, no Haiti em 2004, em Honduras em 2009 e no Paraguai em 2012. O único país em que o povo foi para as ruas e impediu que este golpe institucional fosse vitorioso foi a Venezuela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nesta “briga de cachorro grande”, que sobra para a massa de trabalhadores empobrecidos do país, sejam eles operários, empregados do setor de serviços, funcionários públicos, autônomos, trabalhadores rurais, desempregados, agricultores pequenos e médios? Estamos diante de uma mega crise do sistema político brasileiro e da democracia representativa. Uma manifestação improvisada está ocorrendo em Brasília contra a nomeação de Lula, pelo impedimento da Presidenta, e pela prisão de Lula. Sergio Moro figura como o grande herói da conjuntura. No Supremo, a voz mais eloquente é do mais retrógrado e questionável dos seus membros, Gilmar Mendes. A BandNews mostra agora os manifestantes expulsando os congressistas que apareceram na manifestação para protestar contra o governo. Existe um sentimento de total descrença da política institucional. Isto é demasiado grave.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nem todos os manifestantes são de direita! Nem todos querem o retorno ao poder de outros corruptos que, antes dos governos de Lula e Dilma, acolheram propinas das mesmas empreiteiras que nos últimos 15 anos engrossaram as contas de políticos e de burocratas dentro da Petrobrás. Estão lá para protestar contra toda a podridão que está sendo revelada. Esta é uma podridão histórica e sistêmica, que nasceu com a ocupação das Américas pelos ibéricos das rainhas e reis de Portugal e da Espanha, e vem se perpetuando à medida que o capitalismo se enraizou no continente. Esta conexão da corrupção com o sistema do capital raramente é mencionada ou mesmo pesquisada. Mas, afinal, qual é a ética do capital?&lt;br&gt; "Tudo que colabora para eu acumular dinheiro e poder é bom. Tudo que impede, é mau.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As horas passam e – espantoso - a polícia continua grampeando o telefone da Dilma e só ela e Lula parecem não saber disto. E a mídia continua tendo acesso imediato a estes vídeos invasivos da privacidade da Presidenta e do ex-Presidente. A BandNews diz que Lula já sabia dos grampos. Lula fala em república de Curitiba. Eu falo em &lt;em&gt;ditadura do Judiciário&lt;/em&gt;. Mas é uma ditadura com base social, que neste momento está nas ruas Brasil afora. Na linguagem televisiva, o eufemismo dos grampos é "áudios". Será que Dilma não vai imediatamente investigar e processar Sergio Moro pelos grampos e pelo vazamento deles para a grande imprensa?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Lula, a Dilma e o PT ainda não se deram conta de que estão politicamente esmagados pela sua própria falta de bom senso político e de espírito público neste momento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo a TV Brasil, Sergio Moro declarou que mandou interromper as gravações e a Polícia não obedeceu. E continuou não obedecendo. E Moro não fez mais nada a respeito. A Polícia diz que quem interrompe não é ela, mas a empresa privada de telefonia móvel!!! Qual será ela? Hoje, são todas ligadas ou controladas por transnacionais! Segurança nacional zero! E como é que estas gravações foram acabar nas garras da TV Globo?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há, evidentemente, uma politização e mesmo partidarização do Judiciário.&lt;br&gt; Onde estão neste momento as forças que defendem a Democracia? Se elas quiserem sair às ruas, qual será sua causa? Quais serão suas consignas? As minhas são de defesa da Democracia e da Legalidade. E isto evoca 1962 e 1964...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;QUEM É SERGIO MORO?&lt;a href="#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;&lt;strong&gt;[3]&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; E COMO SUPERAR A "DITADURA DO JUDICIÁRIO"?&lt;br&gt; QUE DESAFIOS PARA OS MOVIMENTOS QUE DEFENDEM A VERDADEIRA E PLENA DEMOCRACIA?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;16.3.16 - Lamento começar o dia com uma nota negativa, e muito. Mas é preciso conhecer quem hoje se configura como inimigo da Democracia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Moro excedeu suas atribuições como juiz. Ele está atuando como se fosse o primeiro poder da Nação, daí eu falar em "ditadura do Judiciário". É preciso que setores democráticos do Judiciário recoloquem Moro no seu devido lugar. Mais ainda, é preciso que a Presidenta, eleita para ser a cabeça do organismo que é a sociedade brasileira, use seu poder para recompor a ordem jurídica da Nação. Mas sua autoridade moral e política está abalada, e ela está na defensiva, incapaz de cumprir seu papel de máxima autoridade, eleita pelo povo para servir ao povo. Ela tem que recobrar-se, recuar na nomeação de Lula para a Casa Civil (como argumentei ontem na minha linha do tempo), e governar com correção e coragem, até o fim, qualquer que ele seja.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sempre que ocorre uma crise política eu recorro à Constituição, pois ela é a Carta-Guia da Nação brasileira, mesmo que desfigurada por tantas PECs que eu entendo como inconstitucionais! (É legal e legítimo um Congresso ordinário aprovar emendas a uma Constituição que foi elaborada por uma Assembleia Constituinte, investida do poder democrático de elaborar uma nova Constituição? Se é, então para que existem Assembleias Constituintes?).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Então, vejamos o Parágrafo único do Art. 1o.: "TODO PODER EMANA DO POVO, QUE O EXERCE POR MEIO DE REPRESENTANTES ELEITOS OU DIRETAMENTE, NOS TERMOS DESTA CONSTITUIÇÃO".&lt;br&gt; Esta combinação de democracia representativa (DR) com democracia direta (DD) está quase que apenas no papel. Há mecanismos de DD previstos na Constituição, que o povo brasileiro ignora ou subutiliza.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É a hora de os setores autenticamente democráticos irem para as ruas com uma proposta de superação pacífica e eficaz da crise: &lt;br&gt; * que o Judiciário continue as investigações de corrupção, que serão reforçadas se a proposta de legislação anticorrupção feita pela Presidenta Dilma tornar-se lei;&lt;a href="#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt; que as investigações não se limitem aos governos de 2003 para cá, mas sejam equitativas no trato das práticas de corrupção dos governos passados, desde o fim da ditadura em 1985;&lt;a href="#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt; &lt;br&gt; * se for comprovado crime de responsabilidade ou outro por parte da Presidenta, que ela seja pressionada a renunciar e a convocar eleição antecipada para Presidente da República;&lt;br&gt; * se nada for comprovado como crime da parte da Presidenta, que o mandato popular da Presidenta seja fortalecido, que ela governe até o fim desse mandato e que a Nação se reunifique em torno de um projeto de Brasil autenticamente democrático;&lt;br&gt; * que os movimentos sociais e populares se unam para pressionar nas ruas e noutros espaços públicos em favor do saneamento e da democratização da economia, recolocando-a a serviço da maioria oprimida e explorada pelo grande capital, através da implementação fidedigna da Constituição e da legislação complementar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Carta Magna do Brasil, no seu Art. 3o., define como "objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:&lt;br&gt; I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;&lt;br&gt; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;..."&lt;br&gt; Não haverá sociedade livre, justa e solidária, nem erradicação da pobreza, enquanto não houver ECONOMIA LIVRE, JUSTA E SOLIDÁRIA.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Permitam que eu lembre outros três artigos das Disposições Transitórias que considero fundamentais. O descumprimento do Art. 26 tem sido causa de uma sangria dos recursos arrecadados pelo Tesouro, em favor do enriquecimento dos credores da dívida pública brasileira. O descumprimento dos Artigos 67 e 68 tem dado espaço para um verdadeiro genocídio (que rima com Delcídio...) dos povos tradicionais:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Art. 26 - "No prazo de um ano a contar da promulgação da Constituição o Congresso Nacional promoverá, através de Comissão mista, exame analítico e pericial dos atos e fatos geradores do endividamento externo brasileiro.&lt;br&gt; Par. 2. "Apurada irregularidade, o Congresso Nacional proporá ao Poder Executivo a declaração de nulidade do ato e encaminhará o processo ao Ministério Público Federal, que formalizará, no prazo de sessenta dias, a ação cabível."&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O cumprimento deste artigo visava acabar com a sangria do Tesouro Nacional, com o fim da prática dos juros sobre juros, viabilizando assim o desenvolvimento socioeconômico do País a partir dos nossos próprios recursos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Art. 67 - "A União concluirá a demarcação das terras indígenas no prazo de cinco anos a partir da promulgação da Constituição." (Portanto, 1993!)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Art. 68 - "Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos."&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se a União tivesse cumprido estes dois artigos, quantas mortes de líderes indígenas teriam sido evitadas, de quanto sofrimento esses povos teriam sido poupados! E haveríamos saldado a dívida histórica que continua pendente sobre cabeça da Nação!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por que o Judiciário brasileiro não coloca o poder de sua ação na garantia do cumprimento da Constituição em aspectos tão importantes quanto estes? O descumprimento desses artigos não representa omissão grave dos três Poderes da Nação? Não seriam eles parte da pauta do PROJETO DE BRASIL QUE QUEREMOS?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Publiquei uma seleção destas cartas no livro “Cartas a Lula: Outro Brasil é Possível”, 2006, da Editora Documenta Historica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Para mais dados, análises e notícias, visite www.auditoriacidada.org.br.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; http://rededante.blogspot.com.br/2016/03/ex-conhecido-de-sergio-moro-mostra-uma.html?m=1&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/03/dilma-anuncia-pacote-anticorrupcao-em-resposta-as-manifestacoes.html&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; E por que não investigar a corrupção que campeou durante a ditadura, com uma impunidade protegida pelo pretexto da “segurança nacional”? Os grandes grupos bancários, industriais e agropecuários cresceram pendurados nas tetas do Estado ditatorial que vigorou entre 1964 e 1985.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 21 Mar 2016 19:08:42 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/onde-ha-sede-de-poder-nao-ha-amor</link><guid>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/onde-ha-sede-de-poder-nao-ha-amor</guid></item><item><title>ECUMENICAL CELEBRATION IN NOTRE DAME OF PARIS during COP21</title><description>&lt;p&gt;&lt;img src="/articles/0031/9385/CelebrOecum31215.jpeg" alt=""&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ecumenical celebration in Notre Dame de Paris - 3.Dec.15&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;The cathedral of Notre Dame was half full. A choir of monks, another choir of young women and men from Madagascar colored the evening with their chants. Clergy of various Christian churches led the celebration. These are the most touching moments.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; “You are the salt of the earth; but if salt has lost its taste how can its saltiness be restored? It is no longer good for anything…&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“You are the light of the world… No one after lighting a lamp puts it under the bushel basket… Let your light shine before others, so that they may see your good works and give glory to your Father in heaven”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Offertory:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Theme: “Natural resources are not inexhaustible, … we must learn to share them and protect our environment that sustains life on Earth.”&lt;/p&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;A piece of cotton: from a tropical region, is a means of dressing our bodies. A call to overcome all forms of slavery in today’s world.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;A piece of linen: a gracious herb that makes a blue flower. Beauty and softness adorn should adorn the lives of each and every human being.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;A metal ewer: through human labor and creativity minerals are transformed into useful, beautiful objects, from tools to works of art, to coins. They should serve to satisfy human needs, we should not convert them into our masters.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;A pottery: we are life embodied in earthen vessels. We are part of God’s adventure in Matter.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;A bottle of olive oil: an ointment that soothes and relaxes, a bearer of fragrance that embalms, an ingredient that nourishes. Let us offer our life as a multiple service to others and to our own good living and happiness.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;A musical instrument: through art, music and culture, humans can express what they are in the deepest sense: a being connected to all forms of life on Earth and in the Cosmos. Gratitude for our capacity to co-create ourselves and the world through all forms of art!&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;A boat: modern means of communication abolish distances and make us aware that our world is unique and that we are interdependent. We need to deepen our awareness to choose &lt;em&gt;communion&lt;/em&gt; with one another, to rebuild humankind as one single family, wherein sisters and brothers love and care for one another and for all forms of life. A special place should be granted to women, youth and native peoples, who are prominent caretakers of Earth Mother.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;The globe, represented by a Chinese lamp shade with the continents made of modeling clay. Creation is a gift entrusted to us, humans. We are responsible to the current and future generations for the whole inhabited Earth.&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;p&gt;A message from the Council of Christian Churches of France for the COP21 was read. Its final paragraph says:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Our hope as Christians rests in our belief that our world is not destined to disappear but to be transformed, and that human beings capable of self-destruction are also able to unite and to choose that which is good”… that which creates good living and happiness in harmony with Nature.&lt;/p&gt;</description><pubDate>Sat, 05 Dec 2015 11:44:17 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/ecumenical-celebration-in-notre-dame-of-paris-during-cop21</link><guid>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/ecumenical-celebration-in-notre-dame-of-paris-during-cop21</guid></item><item><title>COP 21: Quando o colapso parece promissor</title><description>&lt;p&gt;&lt;img src="/articles/0031/9355/a-hora-do-renascer-da-terra-e-da.jpg" alt=""&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Texto em colaboração com Marcos Arruda&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Numa das atividades da Rede Global Diálogos em Humanidade, em Paris, como parte das manifestações da sociedade cívica para pressionar os Estados a assumirem reais responsabilidades frente ao aquecimento global, um grupo de trabalho propôs incorporar a possibilidade de colapso da humanidade. O grupo deveria imaginar as bases com as quais a sociedade humana poderia ser reconstruída para desenvolver-se sem correr riscos de nova aniquilação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Num primeiro momento, o grupo ficou atônito ao imaginar a conjunção de dados reais: a aceleração do aquecimento global com suas cada vez mais nefastas consequências, mas também do terrorismo; os acidentes ambientais cada vez mais graves devidos aos excessos do capitalismo; a onda de refugiados de guerras e de mudanças climáticas que, buscando o justo direito de reconstruírem suas vidas, desestabilizam territórios já precários; a crise dos alimentos, cada vez mais caros e envenenados; a crise do endividamento, dos Estados nacionais até as famílias e as pessoas; entre outras. Esses dados juntam-se à forte probabilidade de um novo colapso financeiro mundial causado pela insustentável ciranda especulativa, muito mais grave do que a de 2008. Essa explosão torna-se inevitável pela aplicação de recursos oriundos do trabalho humano real junto a uma montanha de dinheiro imaginário (pura especulação), configurando um perigoso cassino global. Ao ruir, o sistema financeiro vai carregar consigo o sistema produtivo globalizado, principalmente bancos e empresas transnacionais, o emprego, as redes de seguridade social, e o nível já conquistado de bem estar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Passado o momento inicial de impacto de se imaginar o colapso, o grupo pergunta-se o que fazer e imagina que restaram comunidades humanas espalhadas pelo interior dos continentes menos tocados pela catástrofe econômica e pelo aumento do nível dos oceanos. As grandes cidades - com poucos alimentos e energia, falência das grandes companhias atingindo as demais, governos desestabilizados e comunicação precária, expostas à barbárie dos &lt;em&gt;sem esperança&lt;/em&gt; - foram em grande medida desertadas por suas populações. Milhões de sobreviventes se transformam em refugiados e buscam locais mais estáveis para reconstruírem suas vidas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O panorama, aparentemente saído de um filme catastrófico de Hollywood, espelha na verdade os dados de pesquisas recentes sintetizadas no livro « Comment tout peut s'effondrer: Petit manuel de collapsologie à l'usage des générations présentes », de Pablo Servigne e Raphaël Stevens (“Como tudo pode entrar em colapso –pequeno manual de colapsologia para uso das gerações presentes”), ainda sem tradução no Brasil.  De modo mais artístico, esse é também o cenário do filme « &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=_d4YDLK0jP0"&gt;A era da estupidez &lt;/a&gt;», de Franny Armstrong, que fez um misto de documentário, ficção e animação para contar a história da destruição da Terra, causada pela insensatez da humanidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O grupo de trabalho, formado por cidadãos e cidadãs de várias partes do mundo, começa a traçar um caminho de soluções possíveis, buscando enfrentar não só as questões de cunho político, ambiental, social e econômico, mas também criar um quadro cultural e psíquico, que evite que a humanidade desenvolva mais suas sombras que sua luz, e que aproveite ao máximo seus potenciais de conhecimento, criatividade e cooperação. A descontração criada pelo fato de que se tratava apenas de fazer um exercício coletivo de sonhar acordados, sem a pressão de « salvar o mundo », fez do trabalho uma alegre atividade, simples e inspiradora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em primeiro lugar, o grupo tratou de reorganizar a sociedade humana a partir dois fatores. Um, subjetivo – o acolhimento e o respeito às diferenças - e o outro, objetivo - as atividades locais que produzem o suficiente para a sobrevivência da comunidade de forma absolutamente ecológica, sem fertilizantes nem pesticidas nos alimentos, e utilizando fontes locais de energia como o sol, a biomassa, os ventos etc. A força de trabalho e os recursos naturais locais vão sendo valorizados por meio de tecnologias adequadas à realidade local e ecossistêmica, produzidas em todo o planeta, o que aumenta em grande medida a produtividade local, e permite a partilha dos seus ganhos com base na proporcionalidade. Volta-se, de certa forma, ao tempo das comunidades primitivas, enriquecidas agora pela consciência de todas as evoluções humanas, em termos sociais, políticos, culturais e tecnológicos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Imaginando o pleno emprego dos membros da comunidade, chegou-se ao conceito de subsidiariedade, no qual só se mobiliza um nível posterior de escala territorial quando se esgotam as possibilidades de resolver desafios localmente. Em termos brasileiros, isso seria uma autonomia imensa para o nível de governança comunitária e municipal, passando-se para o nível estadual e federal apenas poucas questões, impossíveis de serem respondidas localmente. A subsidiariedade reforça a responsabilização da comunidade e dos indivíduos para a conquista de boas condições de vida para si e para o coletivo, de modo colaborativo. Ela propõe também a construção das escalas « superiores » a partir da prática da solidariedade entre as comunidades.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na dinâmica da subsidiariedade, constrói-se a pirâmide de possibilidades e responsabilidades de baixo para cima, a partir das necessidades e dos recursos humanos e naturais existentes na comunidade, e não de cima para baixo, a partir do poder da força e/ou do controle do dinheiro, do conhecimento e das técnicas, como se fez na história pregressa da humanidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O segundo campo de trabalho do grupo foram os próprios membros da comunidade e a educação. Para evitar os efeitos desastrosos da condição e do sentimento de exclusão, é preciso que cada um tenha seu lugar na sociedade. Todo um programa de apoio ao autoconhecimento, fundado na busca da identificação dos talentos de cada um seria colocado em prática pela comunidade em um sistema educativo baseado na prática da pesquisa e da construção colaborativa do conhecimento, e na busca do bem viver integral. A ideia é que cada indivíduo, sem exceção, sabendo de suas potencialidades, busque ser feliz, disponibilizando seus talentos para que sejam uteis a si e aos demais. Assim, o desejo de cada humano de ser reconhecido e amado teria fundamento na contribuição dada ao todo e a cada outro, e não na supremacia sobre os demais. Apostou-se, como Teilhard de Chardin, o grande paleontólogo e humanista francês, que a crescente individuação naturalmente constrói a solidariedade entre todos, e que a história cósmica é a história da construção da Noosfera – a esfera da cooperação na riqueza da diversidade – após passar pela da geosfera, biosfera e tecnosfera.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O terceiro é o tema do poder: como organizar a partilha do poder de modo a não reproduzir o modelo político fracassado de hoje? Como resgatar, ao mesmo tempo, a história das conquistas democráticas da sociedade humana, que nos levou à noção de direitos humanos e de democracia representativa, sem cair nas armadilhas que enfrentamos hoje de insuficiência humanista e democrática? Partilha, co-responsabilidade e serviço, três palavras-chave que qualificam um tipo de poder político que canaliza a consciência coletiva e viabiliza a democracia co-criativa. Auto-estima, humildade e gratuidade, três atitudes que qualificam quem é investido daquele poder democrático co-criador. A trilha proposta por Patrick Viveret, de buscar o melhor da tradição e o melhor da modernidade, nos fez buscar o modelo político de muitas sociedades ancestrais (entre eles os índios bororos e ianomâmis do Brasil), nas quais o poder é entregue àqueles que são reconhecidos como os mais generosos entre os membros da tribo. Aqueles que têm, como diria São Francisco, maior capacidade de dar do que receber.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para evitar os excessos que podem ser cometidos quando alguém, ou um grupo de pessoas, mesmo consideradas generosas desvia-se de si mesma no exercício do poder, a noção moderna de controle social seria utilizada. Assim, as pessoas que governam os diversos territórios nos estritos domínios da subsidiariedade (ou seja, respeitando a autonomia individual, familiar e comunitária) seriam acompanhadas pelo conselho da comunidade, composto por sábios e especialistas da confiança da comunidade, recrutados em sua maioria entre jubilados com comprovado espírito público. Esse conselho de sábias e sábios, recriando a sabedoria ancestral, teria, como se concebe modernamente, a representação de todos os setores da sociedade, inclusive jovens e crianças.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O exercício do grupo de trabalho teve tempo limitado e, assim, outros temas não puderam ser tratados e muitos ficaram implícitos. O cultivo de uma relação profunda da humanidade com a Natureza, entendendo seu lugar como parte dela; a modelagem da organização dos serviços públicos e sociais; a pluralidade de lógicas econômicas que, tendo como referência comum a solidariedade e o suficiente, poderiam prevalecer para evitar o monopólio de uma só logica, como a do lucro ou a do Estado, e tantos outros desafios ficaram para novas oportunidades de encontro. As pessoas do grupo sentiram alegria com o trabalho e pode-se dizer que imaginar a possibilidade do colapso da civilização atual é como lidar com a própria morte. Pode nos ajudar a organizar a vida, de modo a tirar dela o melhor e dar a ela a melhor contribuição. As civilizações também podem morrer, como já morreram os impérios mundo afora, por viverem sem consciência da possibilidade de sua própria extinção. Pensar o colapso para além da tragédia das suas dores, pode ser instrutivo… e promissor.&lt;/p&gt;</description><pubDate>Sat, 05 Dec 2015 11:54:43 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/cop-21-quando-o-colapso-parece-promissor</link><guid>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/cop-21-quando-o-colapso-parece-promissor</guid></item><item><title>A nova encíclica papal e a crítica ao atual modelo de desenvolvimento</title><description>&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.aepet.org.br/videos"&gt;www.aepet.org.br/videos&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Amigxs,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Neste portal vcs encontram a entrevista feita por Paulo Passarinho, âncora do Programa de TV DebateBrasil, com Marcos Arruda e Ivo Lesbaupin, sobre a Encíclica Laudato Si, do Papa Francisco, recentemente lançada em preparação à 21a Conferência do Clima, no início de dezembro em Paris, e o atual modelo de desenvolvimento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Obrigado por divulgar a entrevista.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Marcos Arruda&lt;/p&gt;</description><pubDate>Thu, 20 Aug 2015 16:13:03 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/a-nova-enciclica-papal-e-a-critica-ao-atual-modelo-de-desenvolvimento</link><guid>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/a-nova-enciclica-papal-e-a-critica-ao-atual-modelo-de-desenvolvimento</guid></item><item><title>TESTEMUNHO SOBRE O HCE - Marcos Arruda 300715</title><description>&lt;p&gt;COMISSÃO DA VERDADE DO RIO DE JANEIRO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;CLÍNICAS DO TESTEMUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;AUDIÊNCIA PÚBLICA COM EX-PRESAS E PRESOS POLÍTICOS QUE ESTIVERAM INTERNADOS NO HOSPITAL CENTRAL DO EXÉRCITO – HCE&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Rio de Janeiro, 30 de julho de 2015&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;strong&gt;TESTEMUNHO DE &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;strong&gt;MARCOS PENNA SATTAMINI DE ARRUDA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Vocês que vivem seguros&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Em suas casas cálidas,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Vocês que encontram comida quente&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;E caras amigas quando voltam à casa.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Considerem se isto é um homem&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Que trabalha na lama,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Que não conhece a paz,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Que luta por uma migalha de pão,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Que morre por um sim ou não.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Considerem se isto é uma mulher&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Sem cabelos, sem nome,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Sem a força de recordar,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Vazios são seus olhos, frio é seu ventre,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Como uma rã no inverno.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Nunca esqueçam que isto aconteceu.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Lembrem-se destas palavras.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Gravem-nas nos seus corações,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Quando em casa ou na rua,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Quando deitados ou se levantando.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Repitam-nas para seus filhos.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Ou que suas casas sejam destruídas,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Que a doença lhes golpeie,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;em&gt;Que seus filhos virem as costas a vocês”.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;― &lt;a href="http://www.goodreads.com/author/show/4187.Primo_Levi"&gt;Primo Levi&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.goodreads.com/work/quotes/851110"&gt;&lt;em&gt;Survival in Auschwitz&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;Estudei geologia no Rio de Janeiro e trabalhei três anos como geólogo. Deixei a profissão para trabalhar em fábricas metalúrgicas em São Paulo, ajudando na organização e luta dos operários por seus direitos e contra a ditadura. Fui preso em 11.5.1970 e torturado pela Operação Bandeirantes (OBAN). A brutalidade foi extrema, me levou às portas da morte. Levado ao Hospital Geral do Exército, na manhã seguinte, recebi a Extrema Unção. Passei um mês e meio para melhorar o suficiente para ser levado de volta à OBAN para uma acareação. Só em agosto minha família conseguiu que, depois de três meses internado no Hospital Geral do Exército eu fosse transportado numa cela-ambulância para o Rio de Janeiro, minha cidade de origem. No Rio, fui entregue ao DOI-CODI, no Batalhão da Polícia do Exército sediado na Rua Barão de Mesquita. De lá fui levado para o Hospital Central do Exército (HCE), em Triagem, onde fiquei preso entre os dias 21.8.1970 e 1.2.1971.&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;“Esquecer? Nunca Mais!” é o nome do livro publicado pela minha mãe, Lina Penna Sattamini, onde ela conta a saga do filho nas mãos sangrentas da ditadura empresarial-militar que dominou o Brasil durante 21 anos, e o que a família vivenciou para conseguir a minha libertação. Por iniciativa do professor de história do Brasil na Universidade Brown, James Naylor Green, esse livro ganhou uma versão em inglês, com o título “A Mother’s Cry”, da Universidade Duke, dos Estados Unidos, país onde Lina viveu e trabalhou por mais de duas décadas.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Em setembro de 2014 participei da Comissão que visitou o HCE, composta de membros das Comissões Nacional e Estadual da Verdade, das Clínicas do Testemunho e de ex-presas e presos políticos que ali estiveram internados. Nesta ocasião, entreguei carta em mãos ao Diretor do HCE solicitando o meu prontuário. Até hoje não obtive qualquer resposta. Neste testemunho, não deixo dúvida de haver conhecido por dentro o HCE na época em que lá estive. Portanto, não se pode pôr em dúvida que lá estive como preso político. Então, se o HCE se recusa a fornecer meu prontuário, está violando conscientemente um direito meu como cidadão.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;No HCE fui colocado num quarto-cela no pavilhão chamado de 13&lt;sup&gt;a&lt;/sup&gt; Enfermaria, onde fiquei em torno de 20 dias totalmente incomunicável, sem ninguém que me examinasse nem falasse comigo. E o servente que me trazia comida se recusava a trocar palavras comigo.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;No fim deste tempo, fui transferido para uma enfermaria ampla e aberta, com cerca de 20 camas. Ela ficava no fundo à esquerda do corredor, e defronte dela havia outra enfermaria de mesmas proporções, para militares presos. Como algumas pessoas passaram por lá que não eram presas políticas, percebi que essa enfermaria abrigava presos políticos e presos comuns civis. Todos os que ali conheci haviam sido vítimas de sevícias pelos órgãos da repressão governamental.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt; Nomes
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;Raimundo Nonato dos Santos – contou que foi torturado pelo I Batalhão da Polícia do Exército, na rua Barão de Mesquita, Tijuca, Rio de Janeiro. Estava com as pernas imobilizadas e sofria descontinuamente descargas nervosas espontâneas nas duas pernas. Depois de um mês foi levado de volta à PE. Contou que fora acusado de tentativa de roubo de automóvel.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;José Carlos Tortima, preso político – contou que, por ser membro do PCBR, sofrera violentas torturas no DOI-CODI da rua Barão de Mesquita durante 9 dias, em fevereiro e março de 1970, fora hospitalizado em estado grave, voltara à PE e estivera preso sete meses na Ilha Grande. Foi trazido ao HCE para tratamento psiquiátrico.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;João Pedro Francisco – contou que sofrera choques violentíssimos nas mãos e tornozelos, que ficaram incinerados. Depois fora pendurado num pau-de-arara enferrujado, que provocara infecção das feridas. Os ossos e tendões de uma das mãos e um dos tornozelos estavam à mostra e João estava sendo submetido a operações plásticas de enxerto.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Senildo da Silva – contou que estivera na Delegacia de Roubos e Furtos, no DOPS e na PE. Fora torturado com choques e muitas pancadas, que lhe quebraram o fêmur direito em dois lugares e a tíbia direita. Foi transportado para o Hospital Souza Aguiar e depois para o HCE. Os policiais diziam que ele tentara pular do terceiro andar de um prédio para fugir e quebrara a perna. Senildo disse que a própria Polícia quebrara sua perna com pontapés, em meio a sessões de tortura.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Estrella Dalva Bohadana Bursztyn, arquiteta de 19 anos de idade – contou que fora trancada num quarto escuro durante seis dias no 1&lt;sup&gt;o&lt;/sup&gt;. Batalhão de Infantaria Blindada de Barra Mansa, e depois transferida para o DOI-CODI da rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro, onde foi violentamente torturada com chutes na barriga (quando disse que estava grávida), choques e pancadas. Estrella foi levada para o HCE em péssimo estado, com hemorragia interna e as pernas paralisadas. Contou-me que sofreu aborto, devido às sevícias que sofreu. Ficou em torno de um mês no HCE, entre novembro e dezembro de 1970, e pude comunicar-me com ela graças à ajuda solidária do servente Sr. Valter. Ele e o Sargento-enfermeiro Argolo mostraram total solidariedade para com as presas e presos políticos durante todo o tempo em que estive no HCE. Estrella recebeu alta pelo diretor da enfermaria, Major Dr. Wilson Boia, e foi levada de novo para o DOI-CODI e de lá para o 1&lt;sup&gt;o&lt;/sup&gt; BIB de Barra Mansa, onde voltou a ser torturada brutalmente sofrendo, entre outros danos, fratura de duas costelas.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Através da Estrella fiquei sabendo da presença de outra presa política, de nome Irony Bezerra, que estava em estado de gravidez avançada. Por isso, não tinha condição de suspender-se até a janela gradeada para participar, durante as noites, das conversas minhas com Estrella. Ela estava na cela ao lado daquela em que Estrella estava presa.&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Os remédios que eu tomava diariamente incluíam pílulas anti-convulsivas (eu tive convulsões depois de horas de pau-de-arara com choques elétricos muito violentos, e elas retornavam de forma intermitente) e soníferos (creio que Valium), em dose que me deixava lerdo e semi-drogado. Nos últimos meses de prisão, eu fingia tomar o Valium e depois guardava as pílulas, ou as jogava na privada, para estar desperto para as conversas com Estrella. Durante esses meses fui tratado com fisioterapia diária, e tive visitas de um neurologista para examinar meu olho esquerdo, cuja pálpebra estava caída desde a tortura com choques elétricos.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;O quadro do pessoal do HCE, quando lá estive, incluía:
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;o diretor General Galleno,&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;o responsável pela segurança, Capitão Morais, que sempre tratou os membros de minha família com gentileza e humanidade,&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;o Major Dr. Wilson Boia, dermatologista, que não dava praticamente nenhuma assistência aos pacientes, tratando-os como animais, aos berros e com ameaças;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;os dois Sargentos-enfermeiros, Argolo, solidário e prestativo com presas e presos, e outro do qual esqueço o nome;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;os dois serventes, Sr. Valter, sempre solidário e prestativo com presas e presos, e o outro, creio que de nome Wilson.&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;p&gt;Minha homenagem ao Sargento-enfermeiro Argolo e ao Sr. Valter, pelo espírito solidário com que nos apoiaram naqueles tempos sombrios.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;8. Durante minha estada no HCE, passei a maior parte do tempo incomunicável, apesar de todos os esforços da minha família de me visitar, e mesmo do advogado, Técio Lins e Silva, que ela contratou de vir entrevistar-se comigo pessoalmente. Só o conheci depois que fui libertado, em 1.2.1970. Expresso aqui minha gratidão a cada membro da minha família e ao Técio, que trabalharam amorosamente pela minha libertação. Em especial à minha mãe, Lina Penna Sattamini, minha avó materna, Maria e minha madrinha Elza Sattamini de Britto Pereira, pelos esforços incansáveis em pressionar os militares pelo meu direito à liberdade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;9. A função do HCE, assim como do Hospital Geral do Exército em São Paulo, onde eu já estivera preso entre 12.5.1970 e 21.8.1970, era “recauchutar” presas e presos políticos que haviam sido torturados, para que pudessem retornar aos centros de tortura para mais interrogatórios e novas sevícias. Portanto, os hospitais militares cumpriam a função de &lt;em&gt;elos da cadeia produtiva das torturas e dos assassinatos&lt;/em&gt;. Os médicos que realizaram esta função traíram seu juramento ético-profissional, denegrindo assim suas instituições e as Forças Armadas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;10. Daquele período de cinco meses e 10 dias que passei de prisão no Rio de Janeiro, apenas três dias não foram no HCE, mas sim no Doi-Codi da rua Barão de Mesquita. Dias de inferno, entre 23 e 25.12.1970, pois fiquei trancado numa cela, situada num corredor em que havia várias celas com outros presos. Dia e noite vinham os soldados, apelidados de ‘Catarinas’, levar um preso para a tortura. Os gritos dos torturados ecoavam por todo o prédio, inclusive durante toda a noite de Natal, levando-nos a um sentimento de compaixão e impotência, e de terror diante da possibilidade de servos o próximo a ser levado para a tortura. Os soldados depois traziam o preso de volta apoiado neles ou arrastado pelo chão. Por falta de medicamento, voltei a ter convulsão e fui levado de volta para o HCE. Só fui libertado em 1.2.1971.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;PROPOSTAS&lt;/p&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;Expresso aqui minha gratidão aos membros das Comissões Nacional e Estadual da Verdade, e sugiro que seja criada &lt;em&gt;uma instância governamental permanente&lt;/em&gt;, ligada à Secretaria Nacional de Direitos Humanos, para dar continuidade às investigações sobre o HCE em particular, e sobre os Hospitais das Forças Armadas que serviram à repressão durante das décadas da ditadura empresarial-militar.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Desejo também expressar minha gratidão às psicólogas e psicólogos do Projeto Clínicas do Testemunho, que têm acolhido com espírito de pesquisa, competência e carinho, vítimas das torturas do tempo da ditadura empresarial-militar e suas famílias. Este Projeto tem colaborado ativamente com os trabalhos das Comissões Nacional e Estaduais da Verdade, em particular a CEV-RJ. Defendo que o Governo Federal &lt;em&gt;transforme as Clínicas do Testemunho em projeto de governo&lt;/em&gt;, com mandato para realizarem sua missão sem horizonte temporal e contando com recursos suficientes para isto. &lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Na realidade&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Vivemos hoje&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Os sonhos &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Que sonhamos ontem.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;E, vivendo&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Estes sonhos,&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Sonhamos outra vez.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;MARCOS PENNA SATTAMINI DE ARRUDA&lt;/p&gt;</description><pubDate>Fri, 31 Jul 2015 03:52:36 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/testemunho-sobre-o-hce-marcos-arruda-300715</link><guid>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/testemunho-sobre-o-hce-marcos-arruda-300715</guid></item><item><title>TESTEMUNHO ÀS COMISSÕES NACIONAL E ESTADUAL DA VERDADE </title><description>&lt;p&gt;Dia 30.7.2015 a Comissão da Verdade do RJ vai promover uma audiência pública para ouvir o testemunho de presas e presos políticos que estiveram internados no HCE - Hospital Central do Exército nos anos tenebrosos da ditadura empresarial-militar (1964-1985). Vamos testemunhar que o HCE fez parte do que chamo de "cadeia produtiva da tortura e do assassinato". As pessoas torturadas nos centros de repressão eram frequentemente levadas para o HCE para serem tratadas em preparação para retornarem aos centros de tortura. Foi o caso da brava Estrella Dalva Bohadana, falecida em maio passado. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aproveito esta ocasião para divulgar aqui o meu testemunho às Comissões Nacional e Estadual da Verdade, RJ, em setembro de 2013, com algumas pequenas correções ao texto original. O objetivo daqueles que irão depor amanhã, apoiados pelo Projeto Clínicas do Testemunho, é mostrar a importância de o Governo Federal dar continuidade às investigações sobre os crimes da ditadura, e ao pagamento da dívida política, social e moral para com a cidadania do País que teve a coragem de se opor ao regime ditatorial e lutar pela emancipação e pelo autêntico desenvolvimento do povo e da Nação brasileira.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;TESTEMUNHO DE MARCOS ARRUDA&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;ÀS COMISSÕES NACIONAL E ESTADUAL DA VERDADE&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Rio de Janeiro – 170913&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;SENTIDOS DO MEU TESTEMUNHO
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;Identificar os crimes do Estado ditatorial, ocupado por militares e civis autoritários, que usurparam o poder por um golpe inconstitucional em 1964, e estabeleceram o terrorismo de Estado, aprofundando o atrelamento da economia brasileira ao Império corporativo transnacional.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Purificar a memória do Brasil – Resgatar o heroísmo dos que morreram por um Brasil libertado dos seus jugos, próspero, igualitário, livre, fraterno, verdadeiramente democrático e feliz: menção especial aos desaparecidos PEDRO ALEXANDRINO DE OLIVEIRA, PAULO WRIGHT, LUIS HIRATA, HONESTINO GUIMARÃES, EDUARDO BACURI, JOSÉ CARLOS DA MATTA MACHADO, MARIA AUXILIADORA LARA BARCELOS, FREI TITO. Mostrar que nós - sobreviventes da ditadura - e eles somos parte viva da história do nosso país.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Somar o meu grito ao de todxs que exigem O FIM DE TODAS AS DITADURAS: a das torturas, a dos sequestros, a dos assassinatos impunes (CADÊ AMARILDO?), a das armas contra o povo. E também a ditadura da dívida pública, da corporatocracia e do lucro acima da vida. A vitória sobre todas as ditaduras é viável somente através da reestruturação radical do sistema de segurança pública em todo o país; o fim das Polícias Militares; e uma profunda reforma política e eleitoral, capaz de introduzir a Democracia Direta como principal fator de uma governança verdadeiramente republicana.&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;MINHA MOTIVAÇÃO PARA LUTAR CONTRA O SISTEMA DO CAPITAL – antes e agora:
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;Primeiro, eu acredito que a Humanização da humanidade é possível, e procuro ser aquele ser humano que eu desejo para o mundo.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Segundo, o sistema do Capital se veste com diferentes roupagens, da democracia representativa excludente até a ditadura mais sanguinária. Por trás delas está sempre a ditadura do capital, do corporativismo consumista e produtivista, do sistema antidemocrático de propriedade e gestão, da ditadura da classe do capital sobre as/os trabalhadores.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;O objetivo deste sistema é sempre perpetuar os privilégios das classes que controlam o capital. O sistema político que prevalecia nos 21 anos de ditadura, e continua a prevalecer na democracia representativa é a &lt;strong&gt;corporatocracia&lt;/strong&gt;. A maioria dos políticos que ocupam o Estado – federal estadual e municipal - ou são membros da classe capitalista ou são políticos que escolheram servir ao capital, mesmo usando como disfarce o eufemismo &lt;em&gt;“representantes do povo”&lt;/em&gt;.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Este sistema patriarcal e patrimonialista de dominação e alienação submete, coopta e mercantiliza todos os aspectos e dimensões do ser humano, inclusive seu mundo mental e psíquico. Manipula com a propaganda comercial e o domínio da mídia e do sistema educativo a visão de mundo, as fantasias e os desejos das pessoas de todas as idades. Cria seres desumanos, esterilizando sua capacidade de cooperar, de dar com gratuidade e de amar com autenticidade.&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;BREVE PASSAGEM PELOS CONTEXTOS
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;Minha formação cristã serviu de base para o despertar da minha consciência social, no contexto da Juventude Universitária Católica, nos anos 60. Rapidamente, fui eleito presidente do diretório dos estudantes da Escola Nacional da Geologia (ENG) da Universidade do Brasil (hoje, UFRJ), mais tarde, presidente da Executiva Nacional dos Estudantes de Geologia. Foi no meu mandato que os generais deram o golpe e depuseram o presidente constitucional.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Participei do movimento em defesa da Constituição, contra o golpe militar e pela tomada de posse do vice-presidente João Goulart, depois da renúncia do presidente Jânio Quadros. Daí por diante, concentrei minha ação política no campo da profissão de geólogo, defendendo uma política nacional de controle do subsolo brasileiro a serviço do desenvolvimento do Brasil e o bem estar da população, e contra a entrega das riquezas minerais a outros países através de suas empresas transnacionais e da exportação não regulada de matérias primas minerais. Minha convicção era estar dando testemunho do amor evangélico, do serviço, da compaixão pelos que sofrem exploração e opressão. Isto atraiu ataques e perseguições pelo diretor da ENG, que me denunciou como comunista e armou toda sorte de constrangimento, até mesmo ao meu estudo e graduação. O que ele conseguiu foi motivar-me para estudar as obras de Marx e aspirar ao socialismo democrático.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Em colaboração com colegas de Belo Horizonte e Ouro Preto, participei da organização da Conferência “Minério não dá duas Safras”, em fevereiro de 1964, que atraiu a participação de lideranças políticas nacionais, entre elas o líder sindical Clodesmidt Riani, o governador Miguel Arraes, de Pernambuco, e o Ministro do Trabalho Almino Afonso. Nossa campanha era pela adoção de uma política mineral nacionalista e pela criação da Minerobrás, que seria um monopólio estatal semelhante à Petrobrás, que teria o controle estratégico das riquezas minerais do Brasil.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;O golpe militar de 1964 obrigou a uma mudança na forma da militância. O foco passou a ser a luta contra a ditadura, pela democracia e pelos direitos e liberdades individuais e sociais. Trabalhei três anos como geólogo e professor de geociências, atuando na Ação Popular como alfabetizador de trabalhadores pelo método de Paulo Freire, e ajudando a organizar os intelectuais do Rio contra a ditadura. Em 1967 a polícia foi me prender em casa, eu estava ausente, fiquei sabendo e tive que partir com a roupa do corpo. Fui para São Paulo, onde o amigo Frei Betto me acolheu com minha esposa de então, e me apresentou à equipe da Revista Realidade. Aí trabalhei até decidir deixar tudo e trabalhar como operário para aprofundar a militância junto às classes oprimidas.&lt;a href="#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Trabalhei na Sofunge, fundição pertencente à Mercedes Benz, e na Stora, metalúrgica sueca de tubulações de aço. Atuei na Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo, focalizando a educação e organização dos operários para o que eu acreditava ser uma ‘guerra prolongada entre classes sociais’. Na Oposição Sindical convivi com Waldemar Rossi, Vito Gianotti, Aparecida, Luis Hirata, Raimundinho e muitos outros, entre eles Pedro Alexandrino de Oliveira.&lt;a href="#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Emoções: minha motivação profunda era colaborar no despertar da consciência crítica e criativa das classes trabalhadoras, pois só elas poderiam ser autoras da sua própria libertação. Sem uma classe que usurpa as riquezas naturais, escraviza o trabalho, saber e criatividade daquelxs que vivem somente do seu trabalho, não haveria luta de classes. As classes oprimidas precisam lutar para libertar-se desse jugo e criar uma socioeconomia onde o empoderamento de cada pessoa, a cooperação, a solidariedade e a partilha oferecem o suficiente para todas as pessoas; as classes sociais, assim, deixarão de existir. A educação e a comunicação têm um papel libertador fundamental.&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;PRISÃO – TORTURA – NOMES
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;Prisão – Eu estava buscando trabalho. Depois de várias visitas a portas de fábricas, vim à casa na Vila Baronesa e saí para o encontro com Marlene Soccas, dentista, que ia sair da organização dela para entrar na AP e se integrar na produção fabril. Eu devia encontrar uma nova moradia para ela. Hasiel Pereira, que vivia na mesma casa que eu, me aconselhou a não ir. Meu sentimento de responsabilidade para com Marlene levou-me a ir encontra-la. Ela havia sido presa quatro dias, violentamente torturada e levada para o encontro comigo.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Fui agredido já na rua e levado para a Operação Bandeirantes pela equipe do Capitão Albernaz. Os detalhes das torturas, transferência para o Hospital Geral do Exército, retorno à OBAN para acareação com Marlene, retorno ao HGE, transferência para o Rio – Doi-Codi, depois Hospital Central do Exército, retorno ao Doi-Codi e, afinal, libertação estão na carta que escrevi ao Papa Paulo VI, pedindo-lhe que interviesse para que a tortura parasse de ser praticada no Brasil.&lt;a href="#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;TORTURADORES DA OBAN, São Paulo: Capitão Benoni de Arruda Albernaz, Capitão Dalmo Lúcio Muniz Cirillo, Capitão Homero César Machado, Capitão Maurício Lopes Lima, Capitão Faria (interrogatórios na OBAN e no Hospital Militar), Sargento Tomás, Chico e Paulinho. Na sessão de tortura ao longo da acareação com Marlene Soccas, o Major Gil (seria ele o Coronel Waldir Coelho, diretor da OBAN na época?), Capitão Dalmo Cirillo, um tenente do Corpo de Bombeiros e o carcereiro Roberto. Na OBAN, interrogou-me um sargento médico nissei, com o nome coberto por esparadrapo, que se assemelha às fotos do legista Harry Shibata, que vi posteriormente. No Hospital Geral do Exército, Sérgio Adão. Companheiros presos na OBAN mencionaram o assassinado do metalúrgico Olavo Hansen pelos mesmos torturadores, 10 dias antes da minha prisão.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;No DOI-CODI do Rio de Janeiro: o Capitão Gomes Carneiro, que liderou meu transporte do Hospital Central do Exército para o DOI-CODI em 22 de dezembro de 1970. Passei três dias de terror no DOI-CODI do Rio de Janeiro, até 25.12.70, esperando a qualquer momento ser levado para a sala de tortura, onde outros companheiros já haviam sido assassinados, como Mario Alves. Passei toda a noite de Natal vendo outros presos ser levados para a tortura, ouvindo seus gritos lancinantes, e vendo-os arrastados de volta à cela pelos “catarinas”, arrasados, ensanguentados.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;O Comandante do 1º. Exército na época era o General Siseno Sarmento, que chefiava de cima toda a operação da repressão, tortura e assassinatos. O Diretor do HCE na época era o General Galenno, vice-diretor Tenente-Coronel Aquino, e Drs. Oscar, Elias e Mota. O chefe da segurança do HCE foi o Major Sadi, depois substituído pelo Capitão Morais (que nos reconhecia e nos tratava como seres humanos). O responsável pelo tratamento das presas e presos políticos era o Major Boia, dermatologista. Ele é que dava alta para que fossem levados de volta à tortura.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;No Ministério do Exército, o Tenente-Coronel Mello, da Cavalaria, chefe da PE do I Exército afirmou que o Exército estava convencido de que eu era um “subversivo irrecuperável”, e fez comentários agressivos e ameaças antes da minha libertação, em 1.2.1971. Minha mãe já o tinha visitado, com o nosso advogado Técio Lins e Silva, Miguel, meu irmão, o Prof. Clemildo, meu pai, e o Cônsul estadunidense.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;PRESOS COM QUEM CONVIVI: na OBAN, apenas MARLENE SOCCAS. Não sei quem foram meus companheiros de cela na única noite que passei numa cela comum no andar térreo. Nessa noite ouvi prolongados e repetidos gritos lancinantes de pessoas sendo torturadas. No Hospital Militar de São Paulo estive em cela na enfermaria dos soldados. Convivi e gravei o nome de alguns,&lt;a href="#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt; que se mostraram solidários comigo. Ali convivi várias semanas com o argentino HUGO MIGUEL MORENO. No Rio, JOSÉ CARLOS TORTIMA. ESTRELLA BOHADANA e IRONY BEZERRA, aos quais presto homenagem aqui.&lt;a href="#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;IGREJAS
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;Minha formação cristã havia sido provada pela proximidade da morte. Quando o capelão militar veio para confissão e extrema unção no Hospital Militar de São Paulo, eu soube que ele era também capitão. Contei-lhe da tortura e pedi que avisasse à minha família que eu estava nas mãos da OBAN. Ele não avisou nem voltou para me trazer a comunhão.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Dom Aluísio Lorscheider, Arcebispo do Rio de Janeiro, foi um bravo opositor da ditadura e das suas agressões aos direitos dos cidadãos. Recebeu minha família quando eu ainda estava preso, ofereceu todo o apoio ao seu alcance. E nos recebeu quando eu saí da prisão, querendo saber de tudo que passei e se comprometendo a continuar a defender os direitos das pessoas que eram presas e brutalizadas.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Também recebi pleno apoio de antigxs companheirxs da JUC, dos ex-colegas de seminário jesuíta, e dos meus colegas geólogos.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Suspeito, mas não posso confirmar, que o bispo que me visitou no HCE em dezembro de 1970, talvez tenha sido Dom Alberto Trevisan, que havia sido Bispo Auxiliar para o &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Capelania_militar#Ordinariato_Militar_Cat.C3.B3lico_do_Brasil"&gt;Ordinariado Militar do Brasil&lt;/a&gt;(1964 - 1966). Naquele momento, ele era Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro (1966-1973). Veio me perguntar se, quando fosse libertado, iria “cuidar da vida e silenciar sobre o que passei”, ou se ia fazer alarde e criar constrangimentos...&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;IGREJAS DO EXTERIOR: além da Anistia Internacional, o Escritório da América Latina do Conselho dos Bispos Católicos dos EUA, o Conselho Nacional de Igrejas dos Estados Unidos e o Conselho Ecumênico de Igrejas, de Genebra, todos deram significativa contribuição no combate à tortura e às violações dos direitos humanos pela ditadura brasileira. Menciono, em especial, o Pe Louis Michael Collonese e Thomas Quigley, do Escritório da América Latina, o pastor William Wipfler, do CNI-EUA, Ralph della Cava, Brady Tyson, Charles Harper, do COE-Genebra.&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;REFUGIADO POLÍTICO
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;EUA – logo que cheguei a Washington DC fui convidado a trabalhar no Escritório da América Latina, do Conselho dos Bispos Católicos dos EUA. Gesto solidário, que me deu um ganha-pão naquele início, em que eu estava dependente dos cuidados de minha mãe e irmã.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Convivi com pessoas ligadas às igrejas católica e protestantes, que não apenas me ajudaram com amizade, moradia, apoio financeiro (Elizabeth e Patrick French financiaram meu primeiro semestre no Mestrado em Economia da &lt;em&gt;American University&lt;/em&gt;), mas também colaboraram de forma determinante na criação do Comitê Contra a Repressão no Brasil e, a partir do golpe no Chile em 1973, do Comitê pela Libertação da América Latina (Coffla).&lt;a href="#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Gratidão especial a pessoas ligadas à Igreja Católica dos EUA, como Loretta e Harry Strharsky, Marjorie and Thomas Melville, Mary Harding, Francisco Otero e outros que colaboraram conosco no Comitê Contra a Repressão no Brasil, que, a partir do golpe do Chile, tornou-se Comitê pela Libertação da América Latina.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Gratidão especial também ao Prof. James Green, da Universidade Brown, pela sua incondicional solidariedade à luta de libertação do povo brasileiro.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;GENEBRA - Trabalhei durante quatro anos no Instituto de Ação Cultural, liderado pelo Prof. Paulo Freire, e três anos e meio no Conselho Ecumênico de Igrejas, como consultor econômico responsável pelo Programa sobre Empresas Transnacionais.&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;p&gt;7. PROJETO CLÍNICAS DO TESTEMUNHO – Presto homenagem ao bravo e persistente trabalho não só de apoiar as vítimas de tortura da ditadura, mas as da ditadura do capital que prevalece até hoje no Brasil. Tenho sido beneficiado pela dedicada competência das/dos profissionais do Projeto, assim como minha irmã e minha mãe. Expresso aqui minha gratidão à psicóloga Tania Kolker e à dedicada equipe de terapeutas-pesquisadoras. Solicitamos ao Estado brasileiro que dê continuidade a este trabalho, como uma das formas de reparar os danos físicos, psíquicos e morais causados a milhares de cidadãs e cidadãos que ousaram expressar seu desacordo com o regime autoritário, muitos dos quais foram privados da vida ou da sua saúde física e mental.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;8. COMISSÃO DA ANISTIA – Gratidão ao Dr. Marcello Lavenère e aos membros da Comissão da Anistia de então, em especial a advogada Beatriz Bargieri, e ao Dr. Paulo Abrão, seu atual Presidente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;9. RENASCIMENTO DA NAÇÃO - O Brasil começa a revisar sua história, com grande atraso em relação aos países irmãos do Cone Sul. A COMISSÃO DA VERDADE tem um papel muito relevante a desempenhar, realizando em nome da Nação o esforço de forçar a abertura da “caixa preta” da ditadura, revelando os responsáveis pelo terror de Estado e o destino dos mortos e desaparecidos da ditadura, que as Forças Armadas ainda não demonstram a coragem de reconhecer e assumir, a fim de redimir-se e purificar-se de seu passado recente tão tenebroso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;10. SENTIDO ÚLTIMO DO MEU TESTEMUNHO&lt;/p&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;Chefe Seattle, em sua carta ao presidente Franklin Pierce escreveu: "De uma coisa sabemos. A Terra não pertence, ao homem: é o homem que pertence à Terra. Todas as coisas estão &lt;em&gt;interligadas&lt;/em&gt;, como o sangue que une uma família. Tudo que agride a Terra, agride os filhos da Terra. &lt;em&gt;Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma&lt;/em&gt;. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará."&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;A humanidade também é uma família, e tudo que fazemos de bom ou de ruim uns aos outros, fazemos a nós mesmos. Embora responsáveis pelo regime de terror que reinou durante os 21 anos de ditadura empresarial-militar, os algozes, os torturadores, os ditadores e seus financiadores, apoiadores e beneficiários também são nossos irmãos. Temos dois modos de ajuda-los a evoluir, a fazer a difícil passagem de seres &lt;em&gt;infra-humanos&lt;/em&gt; a &lt;em&gt;seres humanos&lt;/em&gt;: o &lt;strong&gt;perdão&lt;/strong&gt;, a ser dado pelo mais íntimo do nosso ser (“Pai, perdoa-os porque não sabem o que fazem!”), e a &lt;strong&gt;justiça&lt;/strong&gt;, a fim de que, mediante a exposição e punição dos crimes hediondos por eles cometidos, sua consciência desperte para nunca mais desejarem ou tolerarem qualquer violência e opressão contra pessoas e contra o povo brasileiro e latino-americano, que eu amo e a quem presto a última homenagem.&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Relato esta experiência num Capítulo do livro, “Educação para uma Economia do Amor”, 2011, Editora Ideias&amp;amp;Letras.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Pedro e eu éramos muito amigos. Ele saiu da fábrica em Osasco, depois de preso e solto decidiu ir para a Guerrilha do Araguaia. É um dos desaparecidos cujo paradeiro faz parte da gigantesca dívida do Exército brasileiro para com sua família e o nosso povo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; A carta está publicada no livro de Lina Penna Sattamini, 2000, “Esquecer Nunca Mais”, OR, produtor editorial independente – Osmar Rodrigues, a quem agradeço cordialmente! Rio de Janeiro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Ver minha carta ao Papa Paulo VI.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; &lt;a href="http://www.torturanuncamais-rj.org.br/denuncias.asp?Coddenuncia=73&amp;amp;ecg="&gt;http://www.torturanuncamais-rj.org.br/denuncias.asp?Coddenuncia=73&amp;amp;ecg=&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; Ver James Green,  2009, “Apesar de Vocês – Oposição à Ditadura Brasileira nos Estados Unidos, 1964-1985”, Companhia das Letras, São Paulo&lt;/p&gt;</description><pubDate>Wed, 29 Jul 2015 22:30:37 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/testemunho-as-comissoes-nacional-e-estadual-da-verdade</link><guid>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/testemunho-as-comissoes-nacional-e-estadual-da-verdade</guid></item><item><title>ASHRAM-ECOVILA INTEGRAL - FAZENDA PLENITUDE - VASSOURAS, RJ</title><description>&lt;div&gt;&lt;strong&gt;FICHA INFORMATIVA DO PACS&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Um grupo de pessoas/famílias motivadas por uma espiritualidade engajada e pelo amor à Pachamama comprou coletivamente uma área de quase 100ha perto de Vassouras, RJ, para aí construir uma inovadora combinação de Ashram Purna Ananda (Morada da Plena Felicidade) e Ecovila Integral, isto é, que contempla o desenvolvimento de todas as dimensões do ser humano - pessoa e coletividade. Eis uma breve narrativa do onde estamos neste meado de 2015.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br&gt;&lt;strong&gt;APAAEI - Associação Purna Ananda Ashram Ecovila Integral&lt;/strong&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Fundo Solidário Plenitude&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;APAAEI&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A associação tem cerca de 50 associadxs. Foi criada com o objetivo singular de construir um espaço que seja cooperativo e solidário, ecologicamente sustentável, e orientado por uma espiritualidade viva e aberta, não doutrinária. Que desenvolva uma práxis comunitária, no sentido do compartilhar um projeto em comum de vida solidária e sustentável, valorizando ao mesmo tempo o único de cada pessoa. Uma comunidade em que as pessoas desejem ver crescerem seus filhos e acolherem seus anciões e anciãs.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A associação tem uma diretoria formal e um conselho gestor de seis membros. As decisões estratégicas são todas tomadas em Assembleia geral. &lt;/div&gt;
Membros da associação criaram o Fundo Solidário Plenitude, com o objetivo inicial de apoio mútuo no financiamento da construção de suas moradias.&lt;br&gt;&lt;div&gt;A associação faz parte de uma grande família, que é a Rede Global de Ecovilas, e também da Rede de Fundos Solidários do Rio de Janeiro.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
FAZENDA PLENITUDE&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Situa-se a 1 1/2 km da rodoviária nova de Vassouras, na Estrada Barão de Vassouras. São quase 100ha de terras com relevo irregular, cuja propriedade é associativa. As pessoas que possuem o título de associadas têm direito de construir sua casa num terreno entre 400 e 600m2. Esta benfeitoria pertence à pessoa, mas a terra é da associação. Neste momento, temos duas aldeias de pioneiros, que estão iniciando as construções de suas casas. Temos uma Casa Mãe (antiga casa de caseiro, reformada) e um galpão grande (400m2), onde realizamos eventos diversos; e outro galpão menor no qual estão guardados materiais de construção. Temos também uma pequena casa que está sendo reformada para abrigar temporariamente pessoas que querem morar na Fazenda antes do final de suas construções. E outra pequena casa, onde está abrigado o caseiro da Fazenda. As pessoas associadas pagam uma mensalidade de manutenção de R$ 190,00, mais uma taxa de manutenção de R$ 50,00. As famílias que estão construindo depositam mais R$ 250,00/mês para os gastos com a infraestrutura, que é coletiva.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O SENTIDO MAIOR DO ASHRAM-ECOVILA &lt;br&gt;&lt;div&gt;Foi na busca do novo que a Fazenda Plenitude nasceu. Suas raízes foram calcadas na busca da essência - do Ser, da Vida e da Natureza. Muitos se aproximaram do projeto buscando seus aspectos de ashram: autoconhecimento, busca pelo sagrado em si mesmo, no outro e em toda parte. E não apenas para encontrar esse sagrado, mas também para expressa-lo na vida e na matéria, transformando uma existência egoísta e limitada em uma vida de plenitude, paz, liberdade, amor e solidariedade.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Outros conheceram e foram atraídos ao projeto pelos seus aspectos de ecovila: sustentabilidade social e ambiental, harmonia com o ambiente, autogestão, autoempoderamento e solidariedade, vida simples, governança circular, produção local e orgânica de alimentos, utilização de energias renováveis, bioconstrução, economia solidária, entre outros.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A Fazenda Plenitude não é apenas um ashram nem apenas uma ecovila. Pretende ir além. Possibilita a adoção de uma disciplina espiritual, sem cercear a liberdade dos que não compartilham das mesmas aspirações. Abre campos de pesquisa para as relações humanas e o ambiente desde seus aspectos materiais até as sutilezas energéticas e espirituais. Não tolera comportamentos que envolvam exploração e opressão de pessoas e ações nocivas e à vida e ao ambiente natural. Adota uma governança compartilhada, avessa à centralização do poder, buscando lideranças naturais que ajam com humildade e com talento para servir e integrar.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A COMUNIDADE PLENITUDE&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A Fazenda Plenitude pode ser considerada um experimento de busca por uma nova consciência de unidade na diversidade, de respeito à individualidade humana em harmonia com o coletivo e o ambiente. Enfim, um espaço para a realização dos seres em todas as suas dimensões. Pretende desabrochar como uma comunidade intencional que pratica a posse compartilhada da terra e o desfrute compartilhado dos bens comuns. Ao mesmo tempo, respeita a individualidade de cada pessoa e grupo familiar, promovendo a complementaridade e o diálogo como modos de valorizar o entendimento e o aumento da riqueza do grupo, e também de superar conflitos e desacordos de forma pacífica e amorosa. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Entendemos que as pessoas, a sociedade e o ambiente natural estão enfermos, devido à forma como a economia brasileira e mundial está organizada, com base na busca do lucro a qualquer custo, do consumismo desenfreado, da sobrevalorização dos bens materiais e do dinheiro, tornados fins que justificam qualquer violência ou opressão como meios para obte-los, e da mercantilização, destruição e negação da essência sagrada da vida e da natureza. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Este mesmo espírito de desenvolvimento endógeno, autogestionário e solidário da totalidade que é cada pessoa e nossa comunidade, irá inspirar nossa ação educativa, terapêutica e de apoio ao desenvolvimento das comunidades da região.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O FUNDO SOLIDÁRIO PLENITUDE - Dinheiro da gente na mão da gente!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O nosso Fundo tem atualmente 11 associadxs e está em fase de ampliação. Nesta etapa, o Fundo focaliza empréstimos para a construção das moradias das famílias associadas. Até o momento só temos arrecadado, pois apenas duas famílias iniciaram suas construções, usando recursos próprios. Elas utilizam quanto possível materiais locais, e procuram formas sustentáveis lidar com a energia, a água, os esgotos e o panorama. Cada associadx deposita um valor mensal na conta de poupança do Fundo na CEF, cujo montante depende da possibilidade de cada um. Desde agosto de 2013 até hoje, quando criamos o Fundo, até junho de 2015, já temos em caixa em torno de R$ 70.000,00. Os empréstimos estão previstos para serem feito num valor proporcional ao do saldo de cada associadx. Serão pagos em prestações, sem os juros com os quais o capitalismo remunera o credor. Quem toma empréstimo paga apenas, em acréscimo à prestação, uma pequena taxa de manutenção do Fundo. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Numa etapa futura, em que o desafio já não seja a construção das moradias, poderemos redefinir o objetivo dos recursos recolhidos pelo Fundo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Estamos empenhados em participar da Rede de Fundos Solidários do estado do Rio de Janeiro, pois acreditamos na força da união das nossas iniciativas, entre nós e junto ao poder público, que nos deve apoio político e material. Também pretendemos obter o reconhecimento como membros da Rede Global de Ecovilas, a grande família que agrega a diversidade de experiências singulares e plurais altamente inovadoras, que acenam para outro mundo, outra humanidade e outro ser humano possíveis!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Um por todos! Todos por um!&lt;/div&gt;</description><pubDate>Fri, 24 Jul 2015 00:48:46 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/ashram-ecovila-integral-fazenda-plenitude-vassouras-rj</link><guid>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/ashram-ecovila-integral-fazenda-plenitude-vassouras-rj</guid></item><item><title>ENTREVISTA SOBRE A ENCÍCLICA LAUDATO SI, DO PAPA CHICO - 260615</title><description>&lt;p&gt;Neste portal do programa Faixa Livre você pode ouvir a entrevista feita por Paulo Passarinho com Ivo Lesbaupin (IserAssessoria), Jean-Marc von der Weid (ASPTA) e Marcos Arruda (PACS) sobre a extraordinária Encíclica do Papa Francisco, que focaliza a crise socioambiental que aflige cada vez mais gravemente o Planeta, e suas causas profundas. Esta reflexão sobre os fatores determinantes da crise planetária e civilizatória que vive a humanidade, é o aspecto mais inovador e surpreendente da Encíclica. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esperamos que a entrevista motive você a ler a Encíclica!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;http://www.aepet.org.br/faixalivre/pagina/422/Programa-Faixa-Livre-26062015&lt;/p&gt;</description><pubDate>Wed, 22 Jul 2015 12:37:40 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/entrevista-sobre-a-enciclica-laudato-si-do-papa-chico-260615</link><guid>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/entrevista-sobre-a-enciclica-laudato-si-do-papa-chico-260615</guid></item><item><title>GRÉCIA - O CASSINO GLOBAL E A DEMOCRACIA - 140715</title><description>&lt;h2&gt;GRÉCIA - O CASSINO GLOBAL E A DEMOCRACIA&lt;/h2&gt;
&lt;div&gt;Marcos Arruda - Genebra, 14.7.15&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;socioeconomista e educador do PACS, da Rede Jubileu Sul, e associado do Instituto Transnacional (Amsterdam)&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Os dirigentes da Europa e a grande mídia insistiram em mostrar suas garras: a vontade do povo grego, expressa no referendo de domingo passado, não lhes importa à mínima. A ameaça de expulsão da Grécia da zona do euro prevaleceu, e o governo Syriza recuou. A primeira ministra da Alemanha fez uma proposta macabra ao eurogrupo. Ela  falou em quebra da confiança e insistiu em condições já rejeitadas pelo povo grego. Uma vez mais, é a ditadura do grande capital financeiro armada para esmagar a democracia das ruas. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O novo acordo imposto pelo eurogrupo e assinado pelo primeiro-ministro Tsipras virtualmente retira da Nação grega o direito à soberania. A vitória dos credores, a meu ver, é uma vitória de Pirro. Perdem todos. Perde o povo grego, que vai experimentar ainda mais empobrecimento, mau viver e subordinação a poderes externos. Perde o governo Syriza, que aceitou os termos da Troika e o novo memorando, depois de ter sido eleito em janeiro de 2015 com base na postura de que para a Grécia Troika e memorando terminavam ali. Perde a Europa, que trata uma nação-irmã como pária, quebrando o preceito da solidariedade e da partilha dos custos da recuperação. E perde a família humana, ferida pela execração de um povo por uma crise provocada pelas próprias elites financeiras globais. Os prognósticos são, pois, os piores possíveis.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;strong&gt;A proposta alemã&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;No dia 11.7, sábado, Merkel, com postura de general da Europa, apresentou as condições que desejava impor à Grécia:&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;1. recusar a proposta grega, que incluía 53,5 bilhões de euros para cobrir as dívidas até 2018;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;2. exigir que 50 bilhões de euros de ativos gregos sejam congelados num 'fundo fiduciário' fora da Grécia, como garantia para os novos empréstimos;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;3. exigir que as receitas das privatizações do pacote vão para o pagamento dos juros da dívida pública grega;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;4. se não houvesse acordo, que a Grécia seja expulsa da zona do euro por pelo menos cinco anos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;strong&gt;O acordo assinado &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O acordo assinado ao fim das negociações de ontem inclui o congelamento de ativos gregos, mas situa o fundo fiduciário na Grécia, e não no Luxemburgo, como queria Merkel. Prevê a utilização das receitas das privatizações do patrimônio público de modo diferente da proposta alemã: 1/4 das receitas será investido na Grécia, 1/4 será usado para pagar os juros, e a metade restante irá capitalizar os bancos gregos. Tais concessões não mudam a substância perniciosa da proposta do eurogrupo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div&gt;As 'novas' medidas de austeridade, segundo a imprensa europeia, são piores que as que foram rejeitadas pelo povo grego no referendo de nove dias atrás:&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;1. aumentar dos impostos para companhias de transporte marítimo;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;2. unir todas as taxas de valor agregado no padrão de 23%;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;3. cancelar comunicar a renda básica solidária para pensionistas até 2019;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;4. cortar 300 milhões de euros nas despesas de defesa até 2016;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;5. privatizar os portos e liquidar as ações que ainda são estatais da OTE, gigante das telecomunicações;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;6. retirar a isenção de 30% das ilhas mais ricas.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div&gt;O acordo é invasivo, viola a soberania da Grécia e fere gravemente sua capacidade de gerar receitas do orçamento para as necessidades da economia doméstica e da população a quem esta economia deve servir. Impede o país de gerar excedentes e de pagar num ritmo sustentável o que tem que pagar aos credores. Noutras palavras, pretende perpetuar a sangria financeira da Grécia, como a de todos os países endividados.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Perguntas que a Comissão da Verdade tenta responder&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Mas as perguntas mais gritantes ninguém consegue calar: como foi possível que a dívida pública grega, que equivalia a 129% do PIB em 2010, passou para quase 180% do PIB atualmente, tendo o país sofrido os pacotes de austeridade impostos pelos credores ao longo destes 9 anos em troca de empréstimos bilionários da Troika, cuja justificação era o pagamento da dívida pública? Aonde foi este dinheiro? Que contrapartida teve a Nação grega em troca desta dívida?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;No fim de junho, o Parlamento grego havia recebido os resultados preliminares da auditoria iniciada pela Comissão da Verdade sobre a Dívida Pública, que apontava os seguintes fatos:&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;1. Entre 2001 e 2009 os maiores endividados foram as famílias (aumento de sete vezes no período) e as empresas (aumento de quatro vezes), ao passo que a dívida pública aumentou apenas 20%. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;2. Na crise de 2008, o governo grego avançou 28 bilhões de euros para resgatar o setor bancário privado. Dada a insuficiência deste montante, os juros escalaram. Iniciou-se uma campanha de desinformação sobre a dívida pública, com base na falsificação das estatísticas, agravando assim o déficit e a dívida pública. Foi entre 2010 e 2015 que a dívida pública grega explodiu. Justamente no período dos programas de austeridade e megaendividamento. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;3. Em 2010 o FMI circulou um documento confidencial, ao qual a Comissão teve acesso em 2015, antecipando o futuro da Grécia no caso de implementação do plano de austeridade: corte de salários e pensões, queda do PIB e aumento exponencial da dívida pública, gerando um alto custo econômico e social, e a insustentabilidade dos pagamentos. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;4. Mesmo ciente destas desastrosas consequências do pacote de 'resgate', na verdade uma receita de desastre, o FMI não reteve a Troika. O retardamento da reestruturação da dívida deu tempo aos bancos credores de se livrarem do 'risco grego', engendrando um mecanismo que privilegiava os grandes credores privados, que tiveram amortecidos os custos da operação.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;5. Um dos efeitos do pacote foi a perda de mais de 50% dos ativos dos fundos de pensão gregos, que atingiu 15 mil pequenos pensionistas. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;6. O pagamento de 100% do valor de face dos títulos equivalentes a 4,2 bilhões de euros, exigido do governo grego pelo BCE em julho e agosto é abusivo, pois esses títulos foram comprados a preço deprimidos no mercado secundário em 2011. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Em suma, o aumento exponencial da dívida pública parece ser o resultado de um esquema secreto que em última instância beneficia os credores, sobretudo os bancos privados. Este esquema inclui a tomada de empréstimos para pagar juros. Esta prática foi condenada como criminosa pela legislação internacional. A Comissão estima que mais da metade da dívida pública grega provém daí. A estratégia neoliberal que prevalece no sistema de poder da União Europeia visa aproveitar o sobre-endividamento para arrancar concessões político-econômicas da Grécia  às custas da submissão total da Grécia a este sistema de poder.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;É surpreendente que a postura do governo Syriza durante a negociação não parece ter-se apoiado nos achados da Comissão da Verdade sobre a Dívida Pública. Por que Tsipras jamais mencionou o relatório preliminar da auditoria, apresentado por dois dos membros estrangeiros da Comissão, o belga Eric Toussaint e a auditora brasileira Maria Lucia Fattorelli? Por que Tsipras jamais questionou a legalidade da dívida pública, nem o fato de ela ter aumentado exponencialmente ao longo dos últimos anos de austeridade imposta pela Troika? Isto teria levado as negociações para um outro terreno, colocando o eurogrupo na defensiva e enfraquecendo a ameaça de exclusão da Grécia da zona do euro. Por que Tsipras não lembrou a Merkel a posição grega em 1953 de apoiar o cancelamento de metade da dívida alemã relativa à destruição e massacre que os nazistas alemães perpetraram nos seis anos de guerra total de conquista? Por que Tsipras não propos que se adotasse para a Grécia o mesmo ritmo de pagamentos concedido à Alemanhã em 1953 - apenas 3% das receitas anuais das exportações? &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Negociação foi draconiana &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Um jornal inglês, referindo-se ao eurogrupo,  traz o título "Cúpula Europeia da Tortura". Tsipras disse que o processo foi mais uma inquisição do que uma negociação. Ele também afirmou ao eurogrupo que ele "não tinha o mandato de vender a metade do país." Mas depois de assinar o acordo, tendo obtido concessões apenas táticas, de detalhe, disse, segundo &lt;em&gt;The Guardian&lt;/em&gt;, jornal inglês, que tomaria iniciativas contra qualquer um que se rebele contra a decisão súbita de ter-se curvado às forças econômicas externas.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Tendências&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O texto do acordo assinado por Tsipras, em nome do governo grego, terá que passar pelo Parlamento grego amanhã, quarta 15.7. Até agora, o Parlamento tem se posicionado em defesa da soberania e da dignidade da Grécia. É o Parlamento que está promovendo a auditoria através da Comissão da Verdade sobre a Dívida Pública. Sob a liderança do partido Syriza, o Parlamento parece sintonizado com a indignação e as aspirações da maioria da população. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Existe a possibilidade de um recuo do executivo grego para unificar-se com o Parlamento, caso a opção deste seja alinhar-se com o voto popular. Existe também a possibilidade de um racha no Syriza. Panagiotis Lafazanis, líder da plataforma de esquerda e membro proeminente do Syriza, lançou uma declaração pública conclamando o executivo a unir-se com o legislativo na recusa dos termos do acordo e na busca de um caminho soberano para a Nação Grega. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Será que Tsipras ficará no governo que vai implementar um plano que vai subordinar da Grécia à ambição dos credores, e vai impor uma austeridade que pretende esmagar a população e empenhar o patrimônio público, justamente aquilo que Tsipras e o governo por ele liderado têm condenado há tanto tempo?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description><pubDate>Sun, 19 Jul 2015 20:26:46 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/grecia-o-cassino-global-e-a-democracia-140715</link><guid>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/grecia-o-cassino-global-e-a-democracia-140715</guid></item><item><title>OXI! FESTA DA DEMOCRACIA NA GRÉCIA</title><description>&lt;h2&gt;
&lt;br&gt;OXI! FESTA da democracia na Grécia! A luta&lt;/h2&gt;
&lt;h2&gt;continua!&lt;/h2&gt;
&lt;div&gt;Marcos Arruda - PACS e Rede Jubileu Sul - www.pacs.org.br&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;61,3% de votos NÃO, eis o resultado do referendo grego. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Vitória da democracia direta, vitória do povo contra a tirania dos credores externos e das classes ricas da Grécia. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;É preciso relembrar. Em 1953, a Grecia assinou o acordo que reduzia em 50% a dívida alemã do pós-Guerra e permitia à Alemanha pagar anualmente até 3% do valor das suas exportações! Hoje, a mesma Alemanha quer  'arrancar os olhos' do povo grego, com uma demanda de pagamento imediato de dívidas impagáveis, algumas delas ilegais, conforme descobriu a comissão de auditoria da dívida pública grega. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Todo o problema tem girado em torno dos prazos. Mas o problema real é bem mais grave. Trata-se de uma dívida que está marcada por fatos e suspeitas de ilegalidade e aberrante comportamento, tanto dos governos anteriores, que sobre-endividaram o país, como também dos credores inescrupulosos, interessados em ganhar imediatamente por meios espúrios, e mesmo criminosos contra a economia do Nação e dos contribuintes.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Eis os principais itens da proposta de ajuste do Eurogrupo ao governo grego, rejeitada nas ruas neste domingo, 5.7.15:&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;- Taxa de valor agregado (TVA): criar um novo sistema com três taxas para aumentar o PIB em 1% (às custas de quem?)&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;1. taxa aumentada em 23% sobre a maior parte dos bens (isto sufocaria o povo grego e o turismo, a principal fonte de renda em divisas do país;&lt;/p&gt;
&lt;div&gt;2. taxa aumentada em 13% para alimentos básicos, energia elétrica, hoteis e água;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;3. taxa aumentada em 6% para medicamentos, teatro;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;- Fim das isenções e eliminação dos descontos da TVA para as ilhas gregas;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;- Criação de fortes desincentivos para a jubilação antecipada;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;- Aumentar a idade de jubilação para 67 anos até 2022;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;- Fim do EKAS 'solidário - ajuda a mais de 200 mil pensionistas mais pobres; corte imediato do EKAS para os recipientes de maior renda; cancelamento do EKAS até 2020;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;- Aumento das contribuições do plano de saúde de 4 para 6%.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A fonte desta informação é o documento da Comissão Econômica Europeia de 26.6.15. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Os gregos chamam este pacote de uma violência contra o povo grego e contra o turismo, sua principal fonte de renda em divisas. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O pacote não é de 'bailout' (resgate para fora da crise) mas sim de  'bailin' (afundamento ainda maior na crise). O que os banqueiros querem é receber do governo grego já, a qualquer custo, o pagamento dos juros de uma dívida moral e contabilmente duvidosa. A maior parte do dinheiro aprovado pela Troika para manter o governo grego em dia com o pagamento dos juros não entra no país - serve apenas para aumentar sempre mais, e tornar sempre mais impagável, a dívida pública do país.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Isto é reconhecido pelo próprio FMI. E o primeiro-ministro Tsipras vai usar este fato como um dos argumentos para negociar soberanamente novos termos para o pagamento da dívida pública.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Ninguém fala na auditoria dessa dívida que o governo de Syriza está realizando, e que está bem avaliada em artigo recente pela coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fattorelli.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Em relatório preliminar ao governo grego de junho de 2015, a Comissão da Verdade Sobre a Dívida Pública da Grécia aponta que a dívida contraída com a Troika nos últimos anos tem forte probabilidade de ser ilegítima, ilegal e odiosa. A Comissão mostrou que os credores e os negociadores dos pacotes de resgate desde 2010 já sabiam antecipadamente que a dívida pública grega era impagável. Em vez de agirem de acordo com este fato, escamotearam a verdade, mostrando ao público uma falsa situação e formando um conluio criminoso com o governo grego, a fim de beneficiar os credores privados. Finalmente, a Comissão explica que o uso dos recursos para o resgate foi ditado pelos credores, e apenas 10% dos valores dos pacotes de 2010 e 2012 foi destinado a gastos correntes do governo grego. O resto foi engolido pelos encargos da dívida, aumentando-a desmesuradamente.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O estrondoso NÃO do povo grego no domingo 5.7.15 representa uma recusa a se submeter à ditadura da Troika. Os próximos dias serão importantes, pois o governo Tsipras, fortalecido pelo resultado do referendo, voltará à mesa de negociações com os credores, que têm agido em função dos seus interesses imediatos, desprezando a voz do povo grego. Esta postura é vesga, pois vai contra seus próprios interesses de médio prazo. Seria mais inteligente da parte deles ajudar a Grécia a criar as condições econômicas de continuar pagando. Mas eles sabem que esta dívida é impagável. E seu grande temor é que o exemplo da Grécia se reflita em posturas soberanas de outros credores do Mediterrânea, como a Espanha e Portugal. Na verdade, até um estado associado dos EUA, como é Porto Rico, hoje afogado pela dívida pública impagável, pode se beneficiar da postura soberana adotada pela Grécia.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A crise torna evidente um dos aspectos mais negativos do processo de criação do euro, que foi a eliminação das moedas nacionais. Como a moeda é um fator de soberania na gestão do seu próprio caminho de desenvolvimento, os países da zona do euro passaram a depender de uma autoridade monetária supranacional - o Banco Central Europeu, que é dominado pelos maiores e mais ricos países da União Europeia, Alemanha e França.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Caso os credores não flexibilizem os termos do acordo com o governo grego, revelando assim uma postura antidemocrática e arrogante, o governo da Grécia tem a opção de consultar novamente a população sobre a ideia de ressuscitar a moeda nacional grega - o dracma. Este seria um meio de aprofundar a soberania da nação sobre sua economia e viabilizar a gestão doméstica dessa economia, em detrimento do atual domínio monetário, financeiro e político-econômico pelas potências do euro.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Mais importante seria uma decisão do governo grego de apoiar e estimular a população a organizar-se para a realização de uma pesquisa sobre as necessidades e os recursos disponíveis a nível das comunidades que compõem o país. Poderiam ser adotados para isto novos indicadores de desenvolvimento socioeconômico, político, cultural, tecnológico e humano, contemplando também a sustentabilidade ecológica. Eles forneceriam uma abordagem holística do desenvolvimento da Grécia. Os resultados da pesquisa, ancorada nesses indicadores, serviriam para o planejamento participativo do desenvolvimento socioeconômico e humano da Grécia e a redefinição da estrutura e das prioridades do orçamento público.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Todo apoio ao povo grego e ao seu direito de definir um caminho próprio de desenvolvimento!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Lyon, França, 5.7.15&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description><pubDate>Sun, 19 Jul 2015 20:17:13 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/oxi-festa-da-democracia-na-grecia</link><guid>http://cirandas.org/marcosarruda/blog/oxi-festa-da-democracia-na-grecia</guid></item></channel></rss>