GO: Herdeiros de mulheres e homens que lutaram por um País mais justo e solidário
agosto 10, 2012 0:00 - no comments yet | No one following this article yet.
Aproximadamente 40 jovens dos estados de Goiás e Espírito Santo participaram de mais uma etapa se encontraram no último fim de semana na Casa da Juventude Pe. Burnier (CAJU) em Goiânia (GO) para participar dos projetos: “Juventude e Cidadania” e “Juventude e Economia Solidária”. Participaram 36 jovens nessa etapa dos projetos, que se iniciaram em 2010. Os projetos são fruto de uma parceria com Cáritas Brasileira, IMS (Instituto Marista de Solidariedade) e Recid (Rede de Educação Cidadã).
No Projeto Juventude e Cidadania a oficina teve como tema: Poder local e participação política da juventude, tendo como facilitadores: Vanildes Gonçalves (UCB) e Eduardo Mota (CAJU). No Projeto Juventude e Economia Solidária os facilitadores Claudia Lima (IMS) e Vitélio Pasa (Cáritas Brasileira) aprofundaram o tema: Juventude na Sustentabilidade dos Empreendimentos Econômicos Solidários. Durante as oficinas os jovens foram provocados com histórias de luta de mulheres e homens que transformaram a realidade local como o Pe. Gisley Azevedo, Irmã Dorothy Stang, Paulo Freire, Maria Geralda Moraes e Osmarina Cabral.
No Projeto Juventude e Economia Solidária os facilitadores Claudia Lima e Vitélio Pasa trabalharam a temática na perspectiva do desenvolvimento local sustentável, apresentando experiências de economia solidária que produzem e comercializam coletivamente, com os princípios da autogestão, da solidariedade e garantindo a geração de renda para os trabalhadores envolvidos. Os jovens conheceram a experiência do Projeto Planta e Vida, da cidade de Rio Verde (GO), onde mulheres e homens lutam desde 1991 para que a comunidade tenha garantido o direito à saúde, e encontraram, por meio do resgate da sabedoria popular e o uso das plantas medicinais, uma maneira de transformar esta realidade.
Na programação da oficina, os jovens aprofundaram sobre dois temas:
- 1. Elaboração de Projetos Sociais como forma de ação social planejada coletivamente, que os projetos não devem ser voltados apenas um documento formal enviado a potenciais financiadores, pelo contrário um projeto precisa ser o “encantamento” da comunidade para que todos/as transformem a realidade onde vivem.
- Fundos Rotativos Solidários que “são mecanismos de mobilização e valorização social da poupança comunitária, assumem a forma de gestão compartilhada de recursos coletivos. Têm sido, na verdade, um exercício fundamental na busca da sustentabilidade dos sistemas familiares, na perspectiva da convivência com a região semiárida e na transição agroecológica”.
Inspirados na frase de Paulo Freire: “educar para transformar” os jovens iniciaram a elaboração de projetos de intervenção, que potencializam o desenvolvimento local, assim como a pedagogia freireana que é buscar soluções a partir da realidade concreta e construir o novo. Os projetos serão nos seguintes eixos: I Formação; II – Renda e Trabalho; III Mobilização e Conquista de Direitos e serão acompanhados/as pela equipe de assessores da Área Sociopolítica da Casa da Juventude.
Na noite de sábado o Momento Cultural, coordenado pelos próprios jovens, que apresentou o vídeo “Anos 90”, destacando o olhar da juventude para os acontecimentos vivenciados na década em que nasceram. Durante este momento foi construído um painel utilizando a técnica do grafite do qual o resultado foi um retrato de Paulo Freire, sendo o símbolo marcante nos dois projetos.
Finalizando as oficinas os jovens apresentaram os vídeos preparados como instrumentos de aprofundamento da oficina, destacando a economia do município onde atuam. A juventude de Goiânia apresentou a realidade da Ocupação Pedro Nascimento, onde cerca de 500 famílias vivem sem direitos básicos. A realidade do município de Marataízes (ES), trazida pela juventude, foi a produção de abacaxi, sendo a maior do Brasil, e que afeta diretamente a juventude gerando péssimas condições de trabalho. Outra experiência apresentada foi Cooperativa de Agricultura Familiar de Itapuranga (GO). O coletivo cultural de Brasília apresentou em vídeo destacando a diversidade na produção musical e artística dos jovens envolvidos no projeto.
As práticas apresentadas tanto pelos facilitadores quanto pelos jovens contrapõem-se ao padrão dominante de desenvolvimento, e reafirmam que esta juventude é herdeira da luta de mulheres e homens que fizeram história de transformação neste Brasil, mas que é preciso avançar em um desenvolvimento socioeconômico sustentável.
Texto: Claudia Lima Fotos: CAJU
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