DF: Chá com prosa debateu abuso e exploração de crianças e adolescentes
June 5, 2012 0:00 - no comments yet | Es folgt noch niemand diesem Artikel.
No dia 28 de maio mais uma edição do Chá com Prosa: Direitos Humanos em Pauta ocorreu na sede no IMS (instituto Marista de Solidariedade). O tema deste mês apontou para o assunto extensivamente lembrado em junho: o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. O tema complexo contou com a condução de Joseleno Santos, psicólogo, professor da PUC-Goiás e coordenador do Programa de Enfrentamento à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Participando do debate estavam assistentes sociais, educadores, acadêmicos e adolescentes do Centro Marista Circuito Jovem da Ceilândia.
Logo no início Joseleno questionou os participantes sobre o porquê de se falar extensivamente, hoje, sobre a violência sexual de crianças e adolescentes. As respostas: “A importância de ser discutido”; “Antigamente era um assunto velado”; “Se fala em espaços específicos, mas na família e nos espaços privados não se toca no assunto”. As respostas deram o tom da conversa e foi desenrolando o novelo e, aos poucos, o assunto foi ganhando corpo.
O provocador da tarde trouxe diversos dados para compor o debate. Sobre as denúncias de abuso, se destacou que a estimativa é que apenas 25% dos casos chegam até as autoridades competentes em averiguar a denúncia. “Há 20 anos falar desse tema reunia apenas 4 pessoas. Era um tabu. Neste ano, especificamente neste mês, mais de 3 mil municípios se envolveram na campanha do 18 de Maio, incluindo na luta milhares de pessoas”, disse o professor.
O professor, didaticamente, explicou diversos pontos preponderantes para discutir os abusos e a exploração sexual. As fases da criança, a adolescência e juventude foram abordadas para melhor compreensão dos participantes. “Quando uma criança é abusada seu desenvolvimento fica comprometido. Tudo tem seu tempo”, disse Paulo Henrique Farias, 18, do Fórum dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Sebastião – DF. “O adulto quando abusa de uma criança está apenas preocupado com seu prazer e não com o bem-estar da criança. Se tivesse essa mínima preocupação avaliaria que ela não está preparada nem fisicamente e nem emocionalmente para isso”, acrescentou o debatedor.
Outro ponto do debate foi a influência social, familiar e das indústrias culturais no comportamento da criança. O assunto acalorou o papo, fez com que os adolescentes, mais participativos, divergissem entre si mesmos. “Há situações que deixam as crianças mais vulneráveis: comportamentos imitados da TV e/ou de músicas, por exemplo; uso de determinadas roupas que levam alguns adultos a achar que elas já sabem e entendem de sexualidade e aí ocorre o abuso”, disse o estudante Weberson Maciel, 18, aluno da UnB. “Não há nada mais complexo que entender os fatores que levam ao abuso sexual de crianças. Nos últimos anos ocorreram diversas pesquisas que tem contribuído para o combate. Mas há de se julgar diversos fatores estruturantes, como por exemplo, a naturalização da violência”, acrescentou o debatedor.
“Não é a lei que impede o crime, é o receio da punição. O que pode ajudar no combate a esse tipo de crime é a rapidez na punição. Infelizmente, o Brasil é um país onde a impunidade é grande, criando uma sensação de naturalidade para o crime”, afirmou Joseleno. “Há de considerar, também, a questão de gênero envolvida. Apesar de os abusos acontecerem tanto com meninos e meninas, são elas a maioria das vítimas. A maioria, também, é negra ou parda. Questões sociais também são relevantes, principalmente em regiões mais longínquas, onde se valoriza a pessoas que tem mais posses, sempre rebaixando o outro, e a colocando num patamar de superioridade que a ‘autoriza’ ao crime. Regionalidade e cultura são outros fatores, dentre os quais posso citar o turismo sexual no Nordeste, o tráfico de crianças no Norte e a vulnerabilidade social que muitas crianças se encontram em todos os lugares do País e as levam à prostituição para muitas vezes poder apenas comer. O corpo é mercadoria na sociedade de consumo”, concluiu.
O Chá com Prosa é uma iniciativa do IMS (Instituto Marista de Solidariedade) e do IMAS (instituto Marista de Assistência Social).
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