A Agricultura Familiar e o IMS
June 4, 2014 14:10 - no comments yet | Es folgt noch niemand diesem Artikel.
Hoje (3/6/2014) em um ato solene no Congresso Nacional, organizado pela Coordenadora da Frente Parlamentar Mista pelo Desenvolvimento da Agroecologia e Produção Orgânica, Deputada Luci Choinacki, o Deputado Padre João e a Senadora Ângela Portela, o Brasil e a ONU homenagearam 2014, como o Ano Internacional da Agricultura familiar, camponesa e indígena. Foi também lançado o Selo alusivo ao ano, em parceria entre o MDA, FAO e os Correios. Que Beleza!!!!
O sentimento de gratidão que me envolve é indescritível, ver reconhecido, pelo Congresso Nacional e pela ONU, o trabalho da nossa gente, agricultoras e agricultores que de maneira coletiva, cooperativada e familiar, no Brasil e na América Latina, tem sido os guardiões da biodiversidade, os protetores das águas e das sementes… Este Resultado é fruto do suor, da inteligência e sabedoria, destes ditos “pequenos agricultoras/as”, mas que na verdade, são quem gloriosamente vêm alimentando as suas famílias na roça e hoje 80% das famílias na cidade.
Não é atoa este resultado, são mais de 400 anos de muita luta no Brasil e na América Latina que levou ao reconhecimento da ONU a importância da Agricultura camponesa, a agricultura em pequenas áreas, a permacultura, a agricultura agroecológica, a resistência indígena no nosso continente.
Para o IMS este é um compromisso que vem na trilha do seu fundador, Marcelino Champagnat que era ele também, filho de uma família camponesa.
Fico cheia de emoção, em um silêncio ruidoso por dentro, rememoro os vários projetos que o IMS apoiou ao longo dos seus quase 20 anos (2005-2014), passam na minha memória o rosto de mulheres, homens e suas famílias que tivemos o privilégio de encontrar, apoiar e assessorar.
Hoje ao retornar nas cidades por onde atuamos, somos recebidos com alegria por jovens que eram crianças, quando apoiamos projetos na sua região, alguns trabalhadores vêm nos dizer que agora é o filho que assumiu a coordenação dos trabalhos, outros que a filha esta estudando para poder ajudar na lida, no campo, esta fazendo Engenharia de Alimentos, Veterinária, Direito, Pedagogia e tantas outras.
O significado de apoiar projetos de agricultoras e agricultoras mostra a opção por fortalecer as famílias, garantir a segurança alimentar e nutricional, principalmente das crianças, adolescentes e jovens, as mais empobrecidas, pois o campo, a roça, como é comumente chamada foi por muito tempo largado ao “Deus dará”. Mas, o Deus capital, não dá, ele tira. Tira a dignidade, tira a vida e a esperança de trabalhadores/as pobres que tiram da terra o seu sustento e das suas famílias.
É necessária uma crença forte no Deus da Vida, um compromisso com o Reino para apoiar, incentivar e valorizar a agricultura em pequenas áreas, dar crédito, acreditar em mulheres e homens despossuídos de bens materiais, mas que trazem no olhar e nas mãos calejadas o significado da riqueza da vida.
Vêm-me na memoria as solicitações que recebíamos no IMS, quando atuávamos como um fundo de pequenos projetos. Era uma bola de arame para cercar um roçado. Um plantel de cabras para iniciar um fundo rotativo…
Agora, além destas, chegam também solicitações de investimentos maiores, que carecem de politicas públicas, articulações e parcerias, são demandas por estradas, centrais de comercialização, tecnologia de alimentos, softwares, tratores, irrigação e outras tantas. O campo se valorizou, temos as conquistas como o PRONAF, PAA e PNAE, o decreto que cria o Sistema Nacional de Comércio Justo e Solidário, tudo isto são conquistas importantes, resultado da luta, da persistência e determinação destes que trabalham em pequenas áreas, mas que fazem a grandeza deste continente chamado Brasil. Mas muito ainda precisa ser feito, até conseguirmos assegurar direitos de cidadania tanto para a cidade quanto para o campo. Ter aqui e agora o Reino que não terá fim.
Shirlei Silva
Diretora do Instituto Marista de Solidariedade – IMS
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