<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"><channel><title>noticias RSS de Fernanda Nagem</title><link>http://cirandas.org/fernandanagem</link><description>contenido publicado en Fernanda Nagem de CIRANDAS</description><item><title>Primeiro empreendimento ativado via Oficina Virtual do Cirandas! </title><description>&lt;p&gt;O &lt;span class="userContent"&gt;primeiro empreendimento econômico solidário foi ativado via Oficina Virtual do Cirandas: Oporsol, do Piauí! Venha participar você também!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Sat, 15 Mar 2014 10:15:14 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../primeiro-empreendimento-ativado-via-oficina-virtual-do-cirandas</link><guid>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../primeiro-empreendimento-ativado-via-oficina-virtual-do-cirandas</guid></item><item><title>É amanhã: Oficina de ativação das páginas dos empreendimentos no Cirandas.net </title><description>&lt;p&gt;&lt;span style="color: #37404e; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 13.333333969116211px; line-height: 18px;"&gt;É amanhã, dia 15, das 10h às 18h, Oficina Virtual de ativação das páginas dos empreendimentos no Cirandas.net É só acessar a página do Cirandas &lt;/span&gt;&lt;a target="_blank" style="color: #3b5998; cursor: pointer; text-decoration: none; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 13.333333969116211px; line-height: 18px;" href="http://www.cirandas.org/"&gt;www.cirandas.org&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description><pubDate>Fri, 14 Mar 2014 12:11:13 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../e-amanha-oficina-de-ativacao-das-paginas-dos-empreendimentos-no-cirandas.net</link><guid>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../e-amanha-oficina-de-ativacao-das-paginas-dos-empreendimentos-no-cirandas.net</guid></item><item><title>Os limites do neodesenvolvimentismo</title><description>&lt;p style="text-align: justify;" align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Por Giovanni Alves&lt;/strong&gt;, no &lt;a target="_blank" href="http://blogdaboitempo.com.br/"&gt;Blog da Boitempo&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; -  Para além das manifestações de junho de 2013, o que temos hoje (e que irá prosseguir) é a explicitação dos limites do padrão de desenvolvimento capitalista implantado no país desde 2002 sob a direção da frente política do neodesenvolvimentismo sob inspiração do lulismo. As manifestações sociais expõem uma demanda reprimida de necessidades sociais e carecimentos radicais candentes do proletariado urbano brasileiro – incluso camadas médias assalariadas. Na verdade, o sistema democrático-politico da ordem burguesa no Brasil (e nos países capitalistas mais desenvolvidos) está paralisado há tempos em sua capacidade de dar respostas efetivas às demandas coletivas por reformas sociais.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O tema dos transportes públicos foi o gatilho em junho deste ano dos protestos massivos de rua; e o tema da educação pública municipal foi o disparador das manifestações no Rio de Janeiro. Entretanto, nos “dez anos que abalaram o Brasil” – título do livro de João Sicsú – não faltam insatisfações sociais reprimidas quando discutimos transporte publico, educação, saúde e qualidade de vida nas metrópoles brasileiras. Eis os limites do neodesenvolvimentismo.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Indiscutivelmente, o Brasil melhorou seus indicadores sociais, principalmente aqueles que dizem respeito às camadas pobres do proletariado brasileiro atendidas pelos programas sociais do governo Lula e Dilma. Como mostram indicadores medidos do Pnad/IBGE, de 2002 a 2013 diminuiu a desigualdade social com a redução da pobreza extrema, aumentou o consumo dos pobres com o crescimento da posse de bens duráveis e o acesso a serviços públicos essenciais. Nesse período, ocorreu a redução do subproletariado pobre e o surgimento de uma “nova classe trabalhadora”, isto é, trabalhadores assalariados de baixa renda com carteira assinada, identificado erroneamente por alguns como “nova classe média” (Marcelo Nery) ou “batalhadores brasileiros” (Jessé de Souza). Enfim, ocorreram mudanças de renda e consumo nada desprezíveis para as camadas pobres do proletariado que alteraram a estratificação social, mas não a estrutura de classes no país.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Entretanto, como temos salientado nos artigos anteriores, as camadas médias do proletariado urbano, principalmente o precariado (a camada social de jovens trabalhadores urbanos e estudantes altamente escolarizados, mas inseridos em relações de trabalho e vida precários), sentem-se órfãs do neodesenvolvimentismo. No caso do precariado, encontram-se imersos em frustrações de expectativas profissionais e carecimentos radicais insatisfeitos pela ordem burguesa; e no caso dos trabalhadores assalariados médios, apesar do aumento da sua renda nos últimos dez anos de neodesenvolvimentismo, aumentaram também, ao mesmo tempo, a carga tributária direta nos seus rendimentos e os gastos com serviços privados de péssima qualidade tendo em vista o sucateamento dos serviços públicos (é o caso, por exemplo, da educação e saúde pública nas grandes cidades).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Apesar da redução do desemprego e aumento da formalização no mercado de trabalho, preserva-se no Brasil neodesenvolvimentista, profundos traços de precariedade salarial historicamente estrutural no país, como, por exemplo, as altas taxas de rotatividade e crescimento das terceirizações (por exemplo, em 2000, o Brasil tinha cerca de 3 milhões de trabalhadores terceirizados; em 2013, tem cerca de 15 milhões e, segundo estimativas, em 2020, terá cerca de 20 milhões).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ao mesmo tempo, nos últimos dez anos, pelo menos, as camadas médias dos trabalhadores assalariados urbanos, empregados nos locais de trabalho reestruturados, com a disseminação do espírito do toyotismo nas práticas de gestão laboral, tiveram o aumento da carga de trabalho e incremento da pressão para cumprimento de metas de produtividade nas empresas privadas ou públicas (o que explica, por exemplo o crescimento, no período, das denúncias de assédio moral no trabalho). Com o choque de capitalismo flexível ocorrido nos últimos dez anos, o modo de vida &lt;em&gt;just-in-time&lt;/em&gt; disseminou-se nas grandes cidades. Instaura-se o que consideramos como sendo uma nova dimensão da precarização do trabalho no Brasil: a precarização existencial, traço sociometabólico da era do neodesenvovimentismo. É o que explica, por exemplo, o crescimento das ocorrências de adoecimentos laborais, principalmente transtornos psicológicos e doenças psicossomáticas (como a LER-DORT), muitos delas subnotificadas e invisíveis socialmente. Os adoecimentos mentais – &lt;em&gt;burn-out&lt;/em&gt;, síndrome do pânico e depressão, por exemplo – possuem um nexo causal com o complexo da precarização existencial ocasionada pela forma de gestão toyotista e modo de vida &lt;em&gt;just-in-time&lt;/em&gt; que promove o fenômeno da “vida reduzida” (como salientamos no artigo anterior). Enfim, o mundo do trabalho hoje – com dez anos de surto de modernização neodesenvolvimentista – é um mundo do trabalho adoecido.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;É esta camada social média do proletariado urbano brasileiro, órfã (e vítima) do neodesenvolcvimentismo e choque de capitalsimo flexível, que hoje apoia e participa das manifestações sociais de massa, exigindo, por exemplo, educação, saúde e transporte publico de qualidade e expondo irremediavelmente os limites do neodesenvolvimentismo. Mas perguntemos: em que medida estas demandas sociais reprimidas do proletariado urbano no Brasil expõem os limites do neodesenvolvimentismo? Nossa hipótese é de que são as camadas médias do proletariado brasileiro que expõem os limites do neodesenvolvimentismo quando mostram, por exemplo, a incapacidade do Estado brasileiro hoje em investir muito mais nas áreas sociais. Este é o verdadeiro limite do neodesenvolvimentismo.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Antes de prosseguirmos tratando dos limites do neodesenvolvimentismo é importante esclarecermos o significado de uma série de conceitos capazes de organizar nossa percepção e entendimento crítico do fenômeno do neodesenvolvimentismo no Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Primeiro, como salientamos nos últimos artigos, partimos da hipótese de que neodesenvolvimetismo &lt;em&gt;não&lt;/em&gt; é neoliberalismo. Na verdade, neodesenvolvimentismo diz respeito a outro padrão de desenvolvimento capitalista no interior da temporalidade histórica do capitalismo global ou bloco histórico do mercado mundial sob o regime de acumulação flexível predominantemente financeirizado. Na verdade, o neodesenvolvimentismo no Brasil nasce da crise do modo de desenvolvimento neoliberal no Brasil nos primórdios da década de 2000, embora ele próprio – o neodesenvolvimentismo – não consiga romper o bloco histórico do capitalismo neoliberal que deu origem a nova forma de Estado politico do capital (Estado neoliberal), desenvolvida nos últimos trinta anos, tanto no centro quanto na periferia capitalista desenvolvida. Nesse caso, o neodesenvolvimentismo no Brasil é uma variante do desenvolvimento capitalista possível na periferia capitalista inserida na macroestrutura do sistema do capital no plano mundial.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No Brasil, na década de 1990, a frente política do neoliberalismo vitoriosa nas eleições de 1989 (com Fernando Collor de Mello) e depois, em 1993 (com Fernando Henrique Cardoso), adequou o capitalismo brasileiro à nova ordem burguesa global, constituindo os pilares do Estado neoliberal no Brasil, o Estado politico do capital adequado à nova temporalidade histórica do capitalismo global ou bloco histórico da acumulação flexível de cariz predominantemente financerizado (a frente política do neodesenvolvimentismo ao assumir o governo em 2003, incapaz de alterar a forma do Estado neoliberal, organizou seu plano de governo no interior da nova forma estatal construída na década anterior).&lt;/p&gt;
&lt;div class="wp-caption alignleft" style="width: 386px; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://revistaforum.com.br/wp-content/uploads/2013/10/tarsila-do-amaral-operarios.jpg"&gt;&lt;img height="282" class=" wp-image-34289   " width="376" src="http://revistaforum.com.br/wp-content/uploads/2013/10/tarsila-do-amaral-operarios.jpg" alt="" title="tarsila do amaral operarios" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;p class="wp-caption-text"&gt;O neodesenvolvimentismo no Brasil nasce da crise do modo de desenvolvimento neoliberal no país nos primórdios da década de 2000 (Reprodução do quadro Operários, Tarsila do Amaral)&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Na década neoliberal no Brasil, ocorreu um terremoto social que alterou não apenas a morfologia social do trabalho no Brasil, mas também o perfil da grande burguesia brasileira. Nesse período, no bojo da adequação à ordem burguesa global, consolidou-se um novo &lt;em&gt;bloco de poder&lt;/em&gt; no capitalismo brasileiro, a partir do qual se articulou inicialmente a frente política do neoliberalismo, com os partidos PSDB-PFL, que durante quase dez anos, governaram o Brasil (1994-2002).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;É importante esclarecer que &lt;em&gt;bloco de poder&lt;/em&gt; não se confunde com &lt;em&gt;frente política&lt;/em&gt; tendo em vista que frente política é a articulação de classes, camadas, frações e categorias sociais de classe, que apoiam, por exemplo, um &lt;em&gt;governo&lt;/em&gt; e sua &lt;em&gt;estratégia política&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Por exemplo, o &lt;em&gt;bloco de poder neoliberal&lt;/em&gt; é o bloco das classes dominantes (com suas camadas, frações e categorias sociais) que mantém o poder do capital nas condições do capitalismo global. A espinha dorsal do novo bloco de poder no Brasil constituído na década neoliberal é constituída pelo capital financeiro que possui vínculos orgânicos, por exemplo, com o agronegócio, empreiteiras, grandes corporações industriais, grandes empresas de distribuição e serviços de telecomunicações, inclusive fundos de pensões sob gestão estatal. Deste modo, o bloco de poder neoliberal constitui uma “oligarquia financeira” que encontra no aparato do Estado neoliberal, um veículo privilegiado de articulação sistêmica (a frente política do neodesenvolvimentismo, que é governo, não conseguiu romper com o poder dos grandes grupos financeiros).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, um &lt;em&gt;governo&lt;/em&gt; é constituído por uma &lt;em&gt;frente política&lt;/em&gt; que articula tanto camadas, frações e categorias da classe dominante, que compõem parcelas do bloco de poder e garantem a sustentação do governo no interior do Estado político do capital; e camadas, frações e categoriais sociais da classe dominada e classes intermediárias que, no caso do Estado político do capital, atuam como classe-apoio. Uma frente política, por exemplo, não se reduz efetivamente às representações políticas no Congresso nacional (câmara dos deputados e senado), mas se compõem também por apoios (hegemonia) no poder judiciário, meios de comunicação de massa, forças armadas e sociedade civil organizada enquanto instancias compositivas do bloco de poder do capital. É a composição com parcelas do bloco de poder e o apoio e interpelação de outras classes e camadas sociais – inclusive classes subalternas – que dá o &lt;em&gt;tônus da governabilidade&lt;/em&gt; e hegemonia política na sociedade burguesa.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Por exemplo, um governo que rompesse efetivamente com o bloco de poder burguês, para ter sustentação e governabilidade, teria que basear-se numa frente política vinculada a outro bloco de poder (por exemplo, um bloco de poder popular). Não apenas ter maioria na representação política no Congresso Nacional (sociedade política), mas ter apoios (hegemonia) na sociedade civil organizada. A frente política seria tão-somente a cristalização do processo de hegemonia política e cultural da classe do trabalho organizado nas cidades e no campo. Este bloco de poder popular implicaria a democratização radical da sociedade, com a constituição de conselhos sociais e populares, implodindo, deste modo, por dentro, o Estado político centralizado e burocrático do capital. Estamos no plano radical da utopia social, tendo em vista que não existem – nem de longe – possibilidades de um bloco de poder popular no Brasil. O que significa que, na perspectiva do realismo político, a sustentação e a governabilidade &lt;em&gt;hic et nunc&lt;/em&gt; de uma frente política com pretensões de reforma social, implicaria irremediavelmente, num primeiro momento, articulação – mesmo que contraditória – com determinadas camadas, frações e categoriais do bloco de poder burguês. &lt;em&gt;That’s the question&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Não nos interessa discutir os problemas da revolução social no Brasil, mas sim entender o que consideramos como sendo o neodesenvolvimentismo. Portanto, para nós, neodesenvolvimentismo é um &lt;em&gt;modo de desenvolvimento&lt;/em&gt; do capitalismo no Brasil operado por um determinada frente política inspirada por um estratégia de governo (o lulismo). A frente política do neodesenvolvimentismo visa operar um capitalismo periférico com pretensões social-democratas capaz de redistribuir renda e reduzir a desigualdade social no país. Esta frente política, embora tenha vínculos orgânicos com camadas, frações e categoriais sociais do bloco de poder neoliberal (burguesia produtiva interna e fundos de pensões articulados com o capital financeiro), se distingue efetivamente da frente política do neoliberalismo, lideradas pelo PSDB-PFL, vinculada organicamente com a burguesia parasitária-especulativa.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Apesar disso, na medida em que opera no interior do Estado político do capital originado do bloco histórico neoliberal no plano do mercado mundial sob a dominância do regime de acumulação flexível predominantemente financeirizado, a frente política do neodesenvolvimentismo mantém, mais ou menos, linhas de continuidade com a construção macroeconômica anterior (superávit primário alto, câmbio flexível e o sistema de metas de inflação), o que dá a efetiva ilusão de que nada mudou e que os novos governos “pós-neoliberais” são meros governos neoliberais. Entretanto, não apreender traços significativos de descontinuidade na política do neodesenvolvimentismo lulista em comparação com a estratégia política da frente do neoliberalismo da década de 1990, significa perder a dimensão da profunda contradição não-antagônica no seio do próprio bloco de poder do capital instaurada pelo novo modo de desenvolvimento capitalista no Brasil de feição neodesenvolvimentista.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, o neodesenvolvimentismo não é apenas um novo &lt;em&gt;modo de desenvolvimento &lt;/em&gt;do capitalismo no Brasil, mas uma &lt;em&gt;frente politica&lt;/em&gt; inspirada por uma estratégia politica ou estrategia de governo denominada &lt;em&gt;lulismo&lt;/em&gt;. Deste modo, é importante distinguir neodesenvolvimentismo de lulismo.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O primeiro – neodesenvolvimentismo – diz respeito a um padrão de desenvolvimento da ordem capitalista no País, operada por um frente politica baseada em camadas, frações e categoriais do bloco de poder do capital (a burguesia interna das grandes empresas, agronegócio, empreiteiras e fundos de pensão) com apoio de camadas, frações e categorias sociais do proletariado brasileiro (com destaque para a multidão do subproletariado pobre e proletariado de baixa renda, embora tenha apoio em parcelas organizadas do proletariado industrial do campo e da cidade).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O segundo – o &lt;em&gt;lulismo&lt;/em&gt; – diz respeito a uma estratégia de governo ou estratégia política que caracteriza esta frente política que nasceu em 2003. O &lt;em&gt;lulismo&lt;/em&gt; – tal como interpretamos as ideias desenvolvidas por André Singer no livro &lt;em&gt;Os sentidos do lulismo&lt;/em&gt; – compõe-se hoje por três elementos básicos, isto é, o lulismo é uma estratégia de governo da nova ordem burguesa no Brasil que se caracteriza por (1) interpelar &lt;em&gt;o apoio do subproletariado pobres e das camadas de baixa renda do proletariado brasileiro&lt;/em&gt;, das cidades e do campo por meio de programas sociais (Bolsa-Família, Minha Casa Minha Vida, por exemplo) e valorização do salário-minimo – 70%, de 2002 a 2012; (2) por adotar a postura de &lt;em&gt;não-confrontar o capital como bloco de poder&lt;/em&gt; (o que explica o viés bonapartista de Lula e Dilma, agindo aparentemente acima das classes sociais antagônicas, extirpando, inclusive, do horizonte do discurso político, o léxico do antagonismo de classe e cultivando como &lt;em&gt;alma mater&lt;/em&gt;, a conciliação social como valor fundamental, com o mote “Lula Paz e Amor” ou ainda “Brasil País de Todos”); (3) e, por fim, por adotar um &lt;em&gt;reformismo fraco&lt;/em&gt; baseado em políticas de combate a pobreza, incentivo ao consumo visando mercado interno e programas sociais voltados para a redução da desigualdade social. Na verdade, o reformismo fraco oculta a incapacidade política da frente do neodesenvolvimentismo de operar reformas sociais que incomodem os interesses de camadas, frações e categoriais sociais do bloco de poder neoliberal. Eis os limites do neodesenvolvimentismo.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Na medida em que o lulismo entrou em crise, tendo em vista as novas contradições sociais que surgem no desenvolvimento da conjuntura da luta de classes no Brasil, abriu-se um novo campo de contingencia política: exige-se, por exemplo, de Luiz Inácio Lula da Silva, criador (e criatura) do lulismo, hábil negociador sindical e personalidade política carismática, a notável capacidade de auto-reforma do espírito lulista, capaz de preservar o espólio do novo gestor da ordem burguesa no Brasil – o Partido dos Trabalhadores. De fato, a crise do lulismo abala a capacidade de governabilidade da frente política do neodesenvolvimentismo, expondo os limites do neodesenvolvimentismo e exigindo mudanças de rumo da condução da ordem burguesa do Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Na verdade, os limites do neodesenvolvimentismo expõem a crise do lulismo como estratégia política, &lt;em&gt;não&lt;/em&gt; no sentido de que a frente política do neodesenvolvimentismo tenha perdido o apoio do subproletariado pobre ou do proletariado de baixa renda – as políticas sociais adotadas pela frente política do neodesenvolvimentismo são indiscutivelmente positivas na perspectiva da consciência (e dos interesses) de classe contingente do proletariado brasileiro. Consideramos que a crise do lulismo ocorre no sentido do governo Dilma, por exemplo, ser interpelado, mais do que nunca, por outras camadas do proletariado brasileiro – as camadas médias assalariadas e principalmente o precariado – que se manifestam hoje nas ruas exigindo mudanças no tônus do reformismo fraco.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O lulismo hoje é intimado a adotar um reformismo forte, o que significa, por conseguinte, confrontar o núcleo do bloco de poder do capital e seus aliados sociais: o capital financeiro. Portanto, os limites do neodesenvovimentismo põem-se com a exigência de reformas sociais que signifique – pelo menos – mais investimentos sociais nos serviços públicos de qualidade (por exemplo, educação, saúde e transporte público). Impõe-se, deste modo, para construir uma nova forma do Estado brasileiro, uma frente política capaz de ir além do Estado neoliberal; o que significa implementar, pelo menos, duas reformas sociais preliminares: primeiro, &lt;em&gt;reforma política&lt;/em&gt; que democratize o parlamento brasileiro, resgatando o valor da representação política corrompida pelo particularismo dos interesses oligárquicos; e uma &lt;em&gt;reforma tributária&lt;/em&gt; capaz de implantar efetivamente a justiça social no País (a taxação das grandes fortunas e a tributação do capital parasitário-especulativo). Na verdade, trata-se de operações políticas de alta impacto que o lulismo não conseguiu fazer – e nem conseguirá faze-lo – nos dez anos de neodesenvolvimentismo. Elas são pre-condições políticas para deixar de lado o &lt;em&gt;reformismo fraco&lt;/em&gt; e alterar a face do Estado neoliberal capturado pela divida pública.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ao dizermos &lt;em&gt;limites&lt;/em&gt; do neodesenvolvimentismo, não se trata de afirmar que o neodesenvolvimentismo como novo modo de desenvolvimento capitalista se &lt;em&gt;esgotou &lt;/em&gt;irremediavelmente. Enquanto não se constituir uma nova frente política capaz de ir além dos limites do neodesenvolvimentismo, o novo padrão de desenvolvimento capitalista brasileiro herdado do lulismo, persistirá como um cadáver insepulto, sendo conduzido (e administrado) inclusive por uma nova frente política (de direita) hoje oposicionista que almeja assumir o espólio dos governos do PT.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O que se discute &lt;em&gt;não&lt;/em&gt; é a capacidade de desenvolvimento do capitalismo no Brasil (o neodesenvolvimentismo), mas a redução (ou ampliação) da desigualdade social e precarização do trabalho em suas dimensões cruciais. Pode-se inclusive admitir um neodesenvolvimentismo de direita capaz de fazer o Brasil crescer, administrando a barbárie social nos limites da farsa democrática e do Estado policial vigente.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Os limites do neodesenvolvimentismo são, deste modo, os próprios limites do Estado brasileiro como Estado neoliberal de feição oligárquico-financeira – enfim, um Estado capturado pelo capital especulativo-parasitário. A estratégia política do lulismo – talvez justificada pela correlação de forças desfavorável na sociedade civil e sociedade política – optou pelo caminho de menor resistência do bloco de poder do capital. Por exemplo, mais investimentos sociais na educação, saúde e transporte público com qualidade, são investimentos públicos bastante caros que exigem mais de um Estado brasileiro que tem hoje cerca de 42% do orçamento público comprometido com o pagamento da dívida pública (por exemplo, só em 2014 mais de 1 trilhão serão pagos a este título).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;É a dívida pública brasileira que expõem o circulo de ferro do capital financeiro que aprisiona o país. PT e PSDB, partidos-gestores do condomínio da ordem burguesa no Brasil, nunca assumiram (nem poderia assumir), a tarefa da auditoria soberana da dívida publica, tendo em vista seus vínculos orgânicos com o bloco do poder neoliberal. Ao mesmo tempo, a maioria do Congresso Nacional hoje está cativa da lógica financeira que mantém, sob a espada de Dâmocles da Lei de Responsabilidade Fiscal, os limites do Estado brasileiro em atender as necessidades sociais ampliadas. Na verdade, parlamento, poder judiciário, forças armadas e grande mídia e, &lt;em&gt;last but not least&lt;/em&gt;, igreja católica e igrejas evangélicas, são trincheiras da ordem burguesa desigualitária que impedem reformas sociais estruturais de maior espectro. Por outro lado, obviamente, mesmo que a oposição de direita ganhe, ela não tem condições (e vontade) política em romper com esta lógica do capital financeiro que determina a própria lógica da governabilidade no país que é hoje o elo mais forte do imperialismo na América Latina.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Finalmente, podemos concluir dizendo que a função do cientista social é ir além da imediaticidade histórica, embora não deva despreza-la em sua riqueza e diversidade contingente. Muitas análises das manifestações de junho de 2013 ficaram no impressionismo jornalistico sem atentar para as causalidades estruturais e estruturantes da nova configuração das classes sociais no Brasil, com suas camadas, frações e categorias sociais surgidas do movimento da reorganização do capitalismo no Brasil dos últimos dez anos. Temos salientado que o Brasil sofreu nos últimos vinte anos de neoliberalismo e neodesenvolvimentismo um terremoto social que alterou a configuração das classes, camadas, frações e categoriais sociais nas metrópoles brasileiras. A inquietação social das ruas possui uma base material profunda de classe – é preciso salientar isso. O que se manifesta nas ruas precisa ser melhor decifrado nas suas raízes sociológicas e a raiz está na nova configuração da estrutura de classes e suas camadas socais (a nova classe trabalhadora e o precariado).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Com o neodesenvolvimentismo alterou-se certas dinâmicas – o subproletarado ascendente transformou-se em nova classe trabalhadora e a camada social média do proletariado urbano tornou-se um imenso e inquieto precariado frustrado diante de um Estado brasileiro limitado em sua capacidade de dar respostas estratégicas às demandas sociais reprimidas. Ao mesmo tempo, temos um grande empresariado dependente do submundo financeiro que comanda o circuito da governabilidade, cercando situação e oposição, neutralizadas em sua capacidade de reforma social estrutural.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Com os protestos de ruas, as organizações tradicionais – partidos e sindicatos – perceberam a sua crise orgânica, incapazes de dar a direção política e ideológica das manifestações sociais. O Brasil vive há muito tempo uma crise de representação política que se exacerbou nas condições de explicitação dos limites irremediáveis do neodesenvolvimentismo como crise do capitalismo periférico. Nesse caso, o vazio organizacional e político é ocupado pela grande mídia como força sinistra da ordem burguesa, que manipula e pauta os movimentos sociais em prol dos interesses das forças oligárquicas do bloco de poder neoliberal. No calor dos protestos de rua e de exposição dos limites do neodesenvolvimentismo abriu-se um cenário de risco para a democracia política paralisada por sua ineficácia de representação e esvaziamento de legitimidade devido o apodrecimento do Estado burguês no Brasil. Enfim, o que pode parecer para os incautos com déficit de percepção dialética e perspicácia política mais apurada um cenário de revolução social, é mais a ante-sala do fascismo social sob o manto da democracia amesquinhada que reitera a perversidade da ordem burguesa desigualitária no Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;***&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Leia tembém &lt;a target="_blank" href="http://blogdaboitempo.com.br/2013/06/24/a-revolta-do-precariado-no-brasil/"&gt;A revolta do precariado no Brasil&lt;/a&gt;, &lt;a target="_blank" href="http://wp.me/pB9tZ-1MJ"&gt;O que é precariado?&lt;/a&gt;, e a série “&lt;a target="_blank" href="http://blogdaboitempo.com.br/tag/neodesenvolvimentismo-e-precarizacao-do-trabalho-no-brasil/"&gt;Neodesenvolvimentismo e precarização do trabalho no Brasil&lt;/a&gt;“&lt;em&gt;, &lt;/em&gt;de Giovanni Alves, no Blog da Boitempo.&lt;/p&gt;</description><pubDate>Thu, 24 Oct 2013 17:44:05 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../os-limites-do-neodesenvolvimentismo</link><guid>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../os-limites-do-neodesenvolvimentismo</guid></item><item><title>A América Latina está no contrafluxo, portadora de uma esperança que não existe em nenhum outro lugar do mundo hoje</title><description>&lt;p class="titulo_detalhe" style="color: #d2512e;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O Brasil e a América Latina, segundo Perry Anderson&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;em&gt; Por Marco Aurelio Weissheim&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="titulo_detalhe" style="color: #d2512e; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;O neoliberalismo segue aprofundando seu poder no mundo. Só na América do Sul a direção adotada tem sido a contrária, com maior ênfase no papel do Estado e no controle público e menos nas privatizações. A América Latina está no contrafluxo, sendo portadora de uma esperança que não existe em nenhum outro lugar do mundo hoje. E esse processo traz uma novidade importante. A maior nação do continente, o Brasil, não está na retaguarda como estava em 1820, mas sim na linha de frente. O Brasil foi o primeiro país latino-americano a cancelar uma viagem aos EUA, que costuma ser um tradicional exercício de humildade para os governos da região. Tudo isso ainda é uma obra em andamento, concluiu, mas é um processo no contrafluxo da ideologia mundial dominante que representa uma esperança para outros lugares do mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;A avaliação é do historiador marxista britânico, Perry Anderson, que esteve em Porto Alegre, segunda-feira (14), para uma conferência no evento Fronteiras do Pensamento. &lt;em&gt;De 1815 a 2013: a América Latina e o concerto político das nações.&lt;/em&gt; Esse foi o tema abordado pelo historiador na conferência proferida no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;Perry Anderson partiu de uma sugestão básica: a coisa mais próxima do sistema internacional de estados que vemos no início do século 21 é a ordem política estabelecida na Europa, na primeira metade do século 19, com o Congresso de Viena, conferência entre embaixadores das grandes potências europeias de então, realizada entre 1814 e 1815, com o objetivo de redesenhar o mapa político do continente após a derrota de Napoleão. Essa conferência, assinalou o historiador, resulto em um novo concerto político entre as nações europeias que se estendeu até por volta de 1853, quando eclodiu a Guerra da Crimeia. Esse concerto instituiu uma frente política entre as cinco grandes potências da época – Inglaterra, Rússia, Prússia, Áustria e França - cujos objetivos principais eram evitar o surgimento de levantes revolucionários e de novas guerras no território europeu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;Os governos dessas potências formaram uma pentarquia com o objetivo de preservar a paz no continente e, é claro, defender seus interesses políticos e econômicos. Assim como ocorre em nossos dias, como nos casos do Iraque e do Afeganistão, os integrantes da pentarquia do Congresso de Viena enfrentaram tentativas de sublevações no território europeu. Essas tentativas vieram, indicou Perry Anderson, e foram reprimidas na Itália, na Espanha e na Hungria, por tropas da Áustria, da França e da Rússia, respectivamente. Estabeleceu-se uma forma de equilíbrio, uma coordenação estabilizadora, que a Europa até então não conhecia. Durante cerca de quarenta anos, até a Guerra da Crimeia, não houve qualquer guerra importante na Europa e nenhuma sublevação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;Esse período costuma ser apontado por historiadores como um avanço civilizatório, assinalou ainda Perry Anderson. Desde o Renascimento a Europa não conhecera um período de paz tão prolongado. Os países que compunham a pentarquia tinham, é certo, importantes diferenças entre si. A Rússia czarista estava numa categoria a parte, pois ainda era uma monarquia feudal. A Grã-Bretanha, por sua vez, era a única potência capitalista avançada. Esses dois países eram as duas potências militares da época: a Grã-Bretanha possuindo o maior poder naval, e a Rússia o maior poder terrestre. Esses dois poderes hegemônicos, destacou o historiador, expandiram seus impérios, enquanto os demais disputaram franjas na periferia (a França, na Argélia e na Indochina, por exemplo, os Estados Unidos no México e outros países europeus na África, especialmente).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;O que vai acabar destruindo a paz de Viena são conflitos na periferia desses impérios, como ocorreu com o barril de pólvora dos Balcãs que detonou a Primeira Grande Guerra Mundial. A partir daí, instala-se um período de anarquia competitiva entre as grandes potências que resultará em duas sangrentas guerras mundiais, como se sabe. Depois, entre 1945 e 1989, o sistema político internacional será regido pela Guerra Fria, com dois blocos opostos disputando influência no mundo. Esse período chegará ao fim em 1991, com a desaparição da União Soviética. Hoje, destacou Perry Anderson, vivemos outra metamorfose do sistema político internacional com o surgimento de uma espécie de nova pentarquia, constituída por Estados Unidos, União Europeia, Rússia China e Índia. O historiador apontou as particularidades desses novos candidatos a donos do mundo:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;A União Europeia comanda o maior PIB do planeta, mas segue sendo uma confederação incompleta de Estados. A Rússia, embora bem menor que a União Soviética, ainda possui a maior massa de terras do mundo e o segundo arsenal nuclear. A Índia, em breve, será o país mais populoso do mundo e também é uma potência nuclear. Os Estados Unidos são o maior poder econômico, financeiro, tecnológico e militar. E a China é um regime comunista que preside a economia mais dinâmica do pós-guerra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;Na avaliação de Perry Anderson, estamos vivendo um lento processo de cristalização de um consenso entre essas nações. Um consenso baseado em algo mais prosaico, do que ocorreu no Congresso de Viena, mas, por outro lado, mais complexo. O perigo maior não é a ameaça da guerra, mas sim a interdependência econômica que prende essas nações em um abraço mútuo. “As principais ameaças para a estabilidade vêm da possibilidade de desordem econômica. É por isso que algo equivalente ao que foi feito no Congresso de Viena, foi criado por meios dos fóruns do G4, G7 e G20”, observou o historiador.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;O risco maior para a estabilidade política internacional hoje, enfatizou, é o estouro de crises financeiras como a que ocorreu em 2008. “O início do século 21 está muito distante do universo polarizado do pós-guerra. A globalização unificou os interesses objetivos subjacentes desses países e a legitimidade interna dessas grandes potências depende da manutenção do crescimento econômico. O temor comum de todas elas é o de um colapso desse crescimento”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;E a América Latina o que tem a ver com tudo isso? Perry Anderson estabeleceu um paralelo entre os movimentos de independência e de libertação colonial que ocorreram no continente latino-americano quando o sistema político europeu era regido pelo Congresso de Viena e o recente ciclo de governos progressistas na região que caminham na contramão da ortodoxia neoliberal que domina a economia mundial. Quando a contrarrevolução triunfou na Europa, com o Congresso de Viena, a América Latina viveu um momento de emancipação. Um dos fatores que contribuiu para isso, no âmbito da política europeia, foi o enfraquecimento da Espanha que era objeto de preocupação por parte da pentarquia. Em 1823, exemplificou o historiador, uma revolução liberal na Espanha foi esmagada pela França. E será a Grã-Bretanha que ditará as condições e os termos da independência brasileira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;Com o colapso do sistema do Congresso de Viena, a América Latina ganhou espaço para respirar e se reavivar politicamente. A primeira grande revolução do século XX, lembrou Anderson, ocorreu no México. “Os Estados Unidos estavam muito preocupados com a Primeira Guerra Mundial e a situação de anarquia internacional”. Seguiram-se outros processos revolucionários em países como Nicarágua, El Salvador, Cuba, Bolívia, Chile, Peru e Venezuela, entre outros. Onda após onda, as revoltas populares marcaram a América Latina no século 20. No último quarto do século, houve uma guinada neoliberal em praticamente todo o continente. Pela primeira vez, destacou o historiador, o continente estava alinhado com a ideologia dominante do capitalismo global.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;No século 21, isso mudará abruptamente com o surgimento de governos de esquerda e progressistas na Venezuela, Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Equador, Peru e Chile. “Raramente essas experiências se articulavam como ocorreu no início deste século”, apontou. Nenhuma dessas experiências é igual, reconheceu Perry Anderson, mas elas apresentam um fato comum. “Com todas as restrições e ressalvas necessárias, há um fato que é expressivo. O neoliberalismo segue aprofundando seu poder no mundo. Só na América do Sul a direção adotada tem sido a contrária, com maior ênfase no papel do Estado e no controle público e menos nas privatizações. Esse é um panorama similar ao que tivemos no século 19. Com as guerras no Iraque e no Afeganistão, os Estados Unidos deixaram a região um pouco de lado. A América Latina está no contrafluxo, sendo portadora de uma esperança que não existe em nenhum outro lugar do mundo hoje”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;E uma novidade importante desse processo, disse ainda Anderson, é que a maior nação do continente, o Brasil, não está na retaguarda como em 1820, mas sim na linha de frente. “O Brasil não faz parte da pentarquia (“por não ter armas nucleares e estar muito longe da Eurásia, entre outras razões”, mas em vez disso, oferece ao mundo um novo horizonte de reformas sociais”. Falando sobre o recente episódio da espionagem praticada pela Agência Nacional de Segurança dos EUA contra o governo e empresas do Brasil, Perry Anderson destacou a reação da presidenta Dilma Rousseff: “Foi o primeiro país latino-americano a cancelar uma viagem aos EUA, que costuma ser um tradicional exercício de humildade para os governos da região”. Tudo isso ainda é uma obra em andamento, concluiu, mas é “um processo no contrafluxo da ideologia mundial dominante que representa uma esperança para outros lugares do mundo”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Tue, 22 Oct 2013 21:40:03 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../a-america-latina-esta-no-contrafluxo-portadora-de-uma-esperanca-que-nao-existe-em-nenhum-outro-lugar-do-mundo-hoje</link><guid>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../a-america-latina-esta-no-contrafluxo-portadora-de-uma-esperanca-que-nao-existe-em-nenhum-outro-lugar-do-mundo-hoje</guid></item><item><title>Mapa da desigualdade em 2013: 0,7% da população detém 41% da riqueza mundial </title><description>&lt;p class="autor"&gt;&lt;em&gt;Fonte: &lt;a href="http://operamundi.uol.com.br"&gt;http://operamundi.uol.com.br&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Cinco anos depois do início da crise econômica mundial, marcada pela quebra do banco norte-americano Lehamn Brothers, os indicadores financeiros seguem apontando para uma concentração da riqueza ao redor do globo. De acordo com o relatório "Credit Suisse 2013 Wealth Report", um dos mapeamentos mais completos sobre o assunto divulgados recentemente, 0,7% da população concentra 41% da riqueza mundial.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em valor acumulado, a riqueza mundial atingiu em 2013 o recorde de todos os tempos: US$ 241 trilhões. Se este número fosse dividido proporcionalmente pela população mundial, a média da riqueza seria de US$ 51.600 por pessoa. No entanto, não é o que acontece.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A Austrália é o país com a média de riqueza melhor distribuída pela população entre as nações mais ricas do planeta. De acordo com o estudo, os australianos têm média de riqueza nacional de U$219 mil dólares.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Apesar de serem o país mais rico do mundo em termos de PIB (Produto Interno Bruto) e capital produzido, os EUA têm um dos maiores índices de pobreza e desigualdade do mundo. Se dividida, a riqueza dos EUA seria, em média, de mais de US$110 mil dólares. No entanto, é atualmente de apenas US$ 45 mil dólares - menos da metade.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Entre os países com patrimônio médio de US$ 25 mil a US$ 100 mil se destacam emergentes como Chile, Uruguai, Portugal e Turquia. No Oriente, Arábia Saudita, Malásia e Coreia do Sul. A Líbia é o único país do continente africano neste grupo. A África, aliás, continua com o posto de continente com a menor riqueza acumulada.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Mesmo com o crescimento da riqueza mundial, a desigualdade social continua com índices elevados. Os 10% mais ricos do planos detêm atualmente 86% da riqueza mundial. Destes 0,7% tem posse de 41% da riqueza mundial.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Os pesquisadores da Credit Suisse também fizeram uma projeção sobre o crescimento dos milionários ao redor do mundo nos próximos cinco anos. Polônia e Brasil, com 89% e 84% respectivamente, são os países que mais vão multiplar seus milionários até 2013. No mesmo período, os EUA terão um aumento de 41% do número de milionários, o que representa cerca de 18.618 de pessoas com o patrimônio acima de 1 milhão de dólares.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em meados deste ano, a OIT (Organização Internacional do Trabalho) divulgou um estudo sobre o crescimento da desigualdade social nos países desenvolvidos, como consequência da crise financeira.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A organização diz que o número de pobres cresceu entre 2010 e 2011 em 14 das 26 economias desenvolvidas, incluindo EUA, França, Espanha e Dinamarca. Nos mesmos países, houve forte aumento do desemprego de longa duração e a deterioração das condições de trabalho. Atualmente, o número de desempregados no mundo supera os 200 milhões.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em contrapartida, entre os países do G20, o lucro das empresas aumentou 3,4% entre 2007 e 2012, enquanto os salários subiram apenas 2,2%.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Segundo informações da imprensa europeia, na Alemanha e em Hong Kong, os salários dos presidentes das grandes empresas chegaram a aumentar 25% de 2007 a 2011, chegando a ser de 150 e 190 vezes maiores que o salário médio dos trabalhadores do país. Nos Estados Unidos, essa proporção é de 508 vezes.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;América Latina&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Na contramão das grandes potências, a situação econômica e social da América Latina melhorou. Entre 2010 e 2011, 57,1% da população dos países da região estava empregada, um ponto percentual a mais que em 2007, último levantamento antes da crise financeira internacional.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em alguns países, como Colômbia e Chile, o aumento superou quatro pontos percentuais. Com o aumento do trabalho assalariado, cresceu também a classe média. Na comparação entre 1999 e 2010, a população dentro do grupo social cresceu 15,6% no Brasil e 14,6% no Equador.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No entanto, a OIT destaca que a região ainda enfrenta como desafios a desigualdade social, maior que a média internacional, e o emprego informal. A média da região é de 50%, sendo que em países mais pobres, como Bolívia, Peru e Honduras, supera os 70%.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em todo o mundo, a organização afirma que há mais de 200 milhões de desempregados. A expectativa é que, ao final de 2015, esse número chegue a 208 milhões.&lt;/p&gt;</description><pubDate>Tue, 22 Oct 2013 08:56:26 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../mapa-da-desigualdade-em-2013-07-da-populacao-detem-41-da-riqueza-mundial</link><guid>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../mapa-da-desigualdade-em-2013-07-da-populacao-detem-41-da-riqueza-mundial</guid></item><item><title>O que vi e senti ontem na Presidente Vargas: o campo popular precisa se unir!</title><description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;Depois do que vi e ouvi ontem (20.06) na passeata do Rio ou o campo popular se une em uma verdadeira aliança e com estratégias claras de atuação ou poderemos ser engolidos, mesmo que aos poucos, por uma onda conversadora e sectária. Vi e senti na pele muitas coisas, desde repressão e agressão policial, sempre esperada, ao que descreverei abaixo e que na verdade tem me tirado o sono. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;" align="JUSTIFY" class="western"&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Vi uma Presidente Vargas tomada por pessoas e grupos com seus cartazes e gritos, mas sobretudo dividida. Uma divisão que, num primeiro olhar, poderia ser interpretada como totalmente saudável e própria do estado democrático. Porém, deixando de lado as primeiras impressões, colocava-se bem `a minha frente uma perigosa f&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;ó&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;rmula: mobilização sem uma causa, aparentemente, clara e oportunismo dos que a possuem de modo bem nítido. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;" align="JUSTIFY" class="western"&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;De um lado, pessoas com seus cartazes e dizeres de ordem, cobrando direitos das mais distintas naturezas. L&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;egítimo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;, mas insuficiente para mudarmos o &lt;em&gt;status quo&lt;/em&gt;. As palavras de ordem dessa natureza quase que não existiram diante do mar de reivindicações por melhores condições de vida dentro de um sistema que, por natureza, é incapaz de proporcionar a todos e todas essa condição. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-style: normal; text-align: justify;" align="JUSTIFY" class="western"&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;De outro, vi pessoas também com seus cartazes e dizeres de ordem, mas nitidamente com inclinações fascistas, reforçando preconceitos e propagando a intolerância a toda e qualquer forma de organização coletiva. Vi os perigosos nacionalistas e patriotas, aos gritos e com olhares de ódio, cuspindo palavras de ordem, insultando, sobretudo, partidos políticos, movimentos sociais e sindicais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-style: normal; text-align: justify;" align="JUSTIFY" class="western"&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;A rua ficou dividida e tensa até o encontro e mistura de todos e todas em uma só marcha e, dai em diante, o que vi foi um cenário que me fez chorar pelas agressões físicas e psicológicas de um grande grupo de pessoas com os rostos tampados e de pedras e paus nas mãos. Assisti a tudo isso perplexa, ao ver muitos, mas muitos dos que ali para simplesmente exercer o simples e profundo direito de ir e vir e de expressar o que pensa serem agredidos por estarem envolvidos em causas claras, seja em partidos ou em movimentos sociais. Foram forcados a baixar e esconder todas as suas bandeiras, que mais do que bandeiras significam lutas distintas, e também muitas vezes contraditórias, por uma sociedade melhor. E ao vê-las sendo escondidas por aqueles que as erguiam de forma assustada senti a sensação amarga da repressão. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;" align="JUSTIFY" class="western"&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;O momento carece de muita reflexão, pois não podemos perder o bonde da hist&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;ó&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;ria. Já o perdemos em alguns momentos de nosso passado recente e sabemos, ou parte sabe e outra simplesmente sente na pele, o que pode significar a extinção dos direitos de ir e vir e de expressão politica. Sim, estou falando do período militar, de um longo e cinzento momento de nosso passado. As ruas precisam ser ocupadas, precisam ser &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;ressiginificadas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt; como espaço publico de debates e de pressão sobre questões do bem comum, da comunidade, da cidade! Não podem servir para legitimar a intolerância, o racismo, a homofobia, o machismo, o sectarismo!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;" align="JUSTIFY" class="western"&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Por isso, o campo popular precisa se unir, organizar suas pautas e ocupar com consciência as ruas. Os debates precisam acontecer, as pessoas, mais e mais, estão interessadas em entender o que tem afetado suas vidas. Os gritos de ontem, de parte significativa desta mesma marcha, por saúde, educação, cr&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;í&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;ticas `a copa, `a rede globo, e aos atuais governantes do estado do Rio de Janeiro, demonstram, minimamente, que as pessoas estão interessadas. Agora, para que lado esse debate ser&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;á&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt; direcionado vai depender da capacidade de mobilização e conscientização dos grupos políticos organizados, e ai incluir tanto os ditos de esquerda com os direita. Na hist&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;ó&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;ria, tudo sempre est&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;á&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family: Liberation Serif,serif;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt; em aberto, mas me parece que neste momento muito mais! &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;" align="JUSTIFY" class="western"&gt; &lt;/p&gt;</description><pubDate>Fri, 21 Jun 2013 15:35:53 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../o-que-vi-e-senti-ontem-na-presidente-vargas-o-campo-popular-precisa-se-unir</link><guid>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../o-que-vi-e-senti-ontem-na-presidente-vargas-o-campo-popular-precisa-se-unir</guid></item><item><title>E depois do capitalismo?</title><description>&lt;p&gt;Para o sociólogo Immanuel Wallerestein, o capitalismo não sobreviverá à crise, mas o que emergirá é imprevisível. Por isso, próximas décadas serão cruciais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em dois sentidos, pelo menos, o sociólogo norte-americano Immanuel Wallerestein parece disposto a contrariar as ideias que ainda predominam sobre a crise iniciada em 2007. Primeiro, no diagnóstico do fenômeno. Para ele, estamos diante de algo muito mais profundo que uma mera turbulência financeira. Foram abaladas as bases do próprio capitalismo. Ou, para usar um conceito caro a Wallerstein, do &amp;#8220;sistema-mundo&amp;#8221; que se desenhou a partir do século 16, em algumas partes da Europa, e se tornou globalmente hegemônico desde os anos 1800. Tal sistema teria atingido &amp;#8220;o limite de suas possibilidades&amp;#8221;, sendo incapaz de sobreviver à crise atual. Se ainda temos dificuldade para compreender o alcance das transformações em curso é porque, presos à inércia, demoramos a aceitar que &amp;#8220;há alguns dilemas insolúveis&amp;#8221;. &amp;#8220;Nada dura para sempre &amp;#8211; nem o Universo&amp;#8221;, lembra Wallerstein, um tanto irônico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O segundo ponto de vista não-convencional deste sociólogo &amp;#8211; também um pesquisador de enorme repercussão internacional nos terrenos da História e da Geopolítica &amp;#8211; diz respeito ao que virá, diante do eventual colapso do atual sistema-mundo. Ele diverge dos que pensam, baseados numa interpretação pouco refinada do marxismo, que podemos permanecer tranquilos &amp;#8211; já que o declínio do sistema atual dará necessariamente lugar a uma ordem fraterna e socialista.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não &amp;#8211; diz Wallerstein &amp;#8211; o futuro está mais aberto que nunca. O declínio do capitalismo pode abrir espaço, inclusive, a um sistema mais desumano &amp;#8211; como sugere a forte presença, em todo o mundo, de correntes de pensamento autoritárias e xenófobas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estamos, portanto, condenados à ação, sugere este pensador, em cuja obra destaca-se a tetralogia &amp;#8220;O Sistema Mundial Moderno&amp;#8221;. Se o sentido do século 21 é imprevisível, isso deve-se ao fato de ele estar sendo construído neste exato momento, &amp;quot;em uma infinidade de nano-ações, desempenhadas por uma infinidade de nano-atores, em múltiplos nano-momentos. Em outras palavras, convoca Wallerstein, não se trata de prever o futuro, mas de construí-lo, inclusive em ações e atitudes quotidianas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para transformar, contudo, é preciso conhecer. Talvez por isso, embora aos 83 anos e consagrado por vasta obra teórica, Wallerstein dedica-se, em seu site, a análises quinzenais sobre temas contemporâneos muito concretos. Boa parte do material produzindo nos últimos dois anos traduzida e publicada por &amp;#8220;Outras Palavras&amp;#8221;. Entrevistado há poucas semanas pelo cientista político coreano Lee Su-hoon, ele avança no exame destes temas, muitas vezes expressando pontos de vista pouco usuais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Indigado sobre a Europa, onde os cortes de direitos sociais e serviços públicos parecem não têm fim, propõe que se busque alternativas olhando, por exemplo, para a Argentina e Malásia. Estes países saíram da crise porque contrariaram, nas décadas de 1990 e 2000. Agora, pensa Wallerstein, o espaço para fazê-lo é ainda maior &amp;#8211; mas é preciso ter coragem política. O mundo irá tornar-se mais seguro se o Irã for impedido de desenvolver energia atômica? A resposta é &amp;#8220;não&amp;#8221;, garante este professor da Universidade de Yale: o atual Tratado de Não-Proliferação nuclear (&lt;span class="caps"&gt;TNP&lt;/span&gt;) é absolutamente hipócrita e será cada vez mais ineficaz. Contra o que ele preconiza, prevê Wallerstein, diversos países do Sul desenvolverão armas atômicas nos próximos anos &amp;#8211; inclusive o Brasil…&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;China e Estados Unidos tendem a se converter em potências globais inimigas? Nada demonstra esta hipótese, frisa ele. A despeito da retórica, e da necessidade de satisfazer audiências locais, na prática Washington e Beijing mantêm cada vez mais interesses em comum. A entrevista completa, publicada pelo ótimo jornal sul-coreano Hankioreh, vem a seguir. (A.M.)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lee Su-hoon: Você disse: &amp;#8220;Nos próximos 50 anos o mundo vai mergulhar em uma turbulência econômica séria e, mais tarde, o capitalismo vai enfrentar uma crise tremenda, como a da Grande Depressão&amp;#8221;. As pessoas dizem que a crise se deve à ganância de Wall Street e à bolha imobiliária etc. Como você analisa essa crise?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Wallerstein: Faz cinco anos que eu não mudo de opinião. Basicamente, a meu ver, estamos em uma crise estrutural da economia capitalista mundial desde os anos 1970, e ela vai continuar. E não vai ser totalmente resolvida até talvez 2040 ou 2050. É difícil prever a data exata, mas vai levar muito tempo. No momento, o sistema mundial está bifurcado. Tem problemas de tal magnitude que não poderá sobreviver, está tão longe do equilíbrio que não há como voltar atrás. Mas para onde ele vai é totalmente incerto, porque, como disse, essa bifurcação significa que, tecnicamente, há duas formas de resolver uma mesma equação, o que não é normal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em linguagem leiga, isso significa simplesmente que o futuro sistema mundial, ou sistemas mundiais (porque não sabemos se haverá um só) que vai ou vão surgir no final desse processo podem ter, no mínimo, duas variedades fundamentais. Assim, não se pode prever qual sistema teremos, porque ele vai ser uma consequência de uma infinidade de nano-ações, desempenhadas por uma infinidade de nano-atores, em múltiplos nano-momentos &amp;#8211; e ninguém é capaz de elaborar tanta coisa. Mas vai acontecer. Então, aqui estamos nós, no meio de tudo isso. É caótico, como se diz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E o que significa dizer &amp;#8220;É caótico&amp;#8221;? Significa que as flutuações são enormes e, portanto, há incertezas inclusive no prazo muito curto. Isso significa que uma pessoa que preveja qual será a relação entre o iene, o dólar, o euro e a libra dentro de um ano será alguém muito corajoso. Não há como saber. Mas os empresários precisam dessa informação. Eles têm de ter o mínimo de estabilidade, do contrário correm o risco de sofrer perdas enormes. Isso os deixa paralisados, com muito receio de se envolver em qualquer tipo de investimento, uma das coisas que está acontecendo no mundo todo. É por isso que o desemprego explodiu. E é também por isso que os governos estão em tal dificuldade financeira, pois sem essa produção adicional não há receitas fiscais, e sem receitas os governos passaram a sofrer um grande aperto. E então o desemprego aumenta, o que coloca mais pressão sobre o governo. É o que acontece hoje em praticamente todos os países do mundo. Os governos têm menos dinheiro e enfrentam demandas para gastar mais. Isso, naturalmente, é impossível: não se pode ter menos e gastar mais. Então, eles vêm com tudo quanto é tipo de solução. Nenhuma parece funcionar. É onde nos encontramos atualmente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lee: E muitos países europeus estão enfrentando uma crise fiscal, uma espécie de moratória, o que os leva a tentar obter ajuda da UE (União Europeia) e do &lt;span class="caps"&gt;BCE&lt;/span&gt; (Banco Central Europeu).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Wallerstein: Os europeus têm um problema básico. Possuem pelo menos nove moedas, e 17 países compartilham o euro. Mas não têm um governo federal. É uma situação muito complicada, pois significa que os governos não podem intervir em sua própria moeda. Uma dos instrumentos que os governos utilizam tradicionalmente para lidar com suas dificuldades é aumentar ou diminuir o valor da moeda. Ao diminuir o valor da moeda pode-se vender mais; aumentando o seu valor, pode-se comprar mais. Os países da zona do euro não têm essa opção, porque nenhum país tem moeda própria. E eles estão enfrentando os mesmos problemas de todos os outros. Ou seja, exigências crescentes, porque o aumento do desemprego gera mais demandas sobre o governo. Ao mesmo tempo, a receita do governo diminui, porque não há empregos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sua única opção (da Grécia, Espanha, Portugal ou Irlanda) é obter ajuda, algum tipo de solidariedade. Então eles se deparam com a relutância, por parte dos países mais ricos, em &amp;#8220;salvar&amp;#8221; os mais pobres. Isso não leva em conta o fato de que o único e maior beneficiário da zona do euro é, de fato, a Alemanha. E é justamente o país que está fazendo o maior estardalhaço sobre não querer ajudar outros países, a menos que façam X, Y ou Z &amp;#8211; medidas que, na verdade, só pioram a situação. Essa é a questão da zona do euro. É o problema enfrentado por todo o mundo, acrescido do fato de que esses países não podem manipular individualmente suas próprias moedas. Mas o problema básico não é diferente daquele dos &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt;, da Rússia, do Egito ou de qualquer outro lugar onde haja aperto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lee: Aqui na Coreia, os especialistas e a mídia apresentam dois argumentos diferentes. A Irlanda, a Grécia e outros gastam muito dinheiro em benefícios sociais &amp;#8211; essa é uma linha de argumentação. A outra é o efeito de contágio, por causa da facilidade de migração na zona do euro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Wallerstein: Vamos lidar com os dois argumentos. O primeiro é &amp;#8220;a Grécia está em apuros porque exagerou no bem-estar social&amp;#8221;. Isso é exatamente o que o Partido Republicano diz sobre os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt;. É um mesmo argumento para todo o mundo, não um argumento especial para a Grécia. A reação das forças mais conservadoras a essa crise é dizer &amp;#8220;corte benefícios&amp;#8221;, o que significa &amp;#8220;reduzir os gastos do governo&amp;#8221;. Mas se você cortar benefícios reduz também o poder de compra das pessoas. Cria assim uma demanda menos eficaz. Por exemplo, uma pessoa que fabrica camisetas, ou algo assim, tem menos clientes. De forma que essa não parece ser a solução. Para mim, só piora o problema. De qualquer forma, a questão é que não é um problema específico da Grécia, da Espanha ou de Portugal. É um problema de todos os países.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Agora, o efeito de contágio. O que acontece é que, como os governos estão sem recursos, precisam de dinheiro emprestado. E para obter esse dinheiro, dependem do mercado. As pessoas emprestam dinheiro com mais facilidade quando veem possibilidades de obter reembolso. Então há, sim, um efeito de contágio na Europa: a Grécia começa a ter problemas, Portugal e Irlanda começam a ter problemas, e Espanha e Itália começam a ter problemas. E agora é a França que está se metendo em encrencas, e depois a Holanda e a própria Alemanha. É o efeito de contágio, em parte criado pelas agências de classificação de risco &amp;#8211; que não são neutras -, mas também um problema muito real. O efeito de contágio vai da Europa para os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt;, e da Europa para o resto do mundo. Vai deixando as pessoas paralisadas. Isso significa que, quando veem as coisas indo tão mal, dizem &amp;#8220;bem, pode dar errado em outros lugares também, portanto, não vamos emprestar o dinheiro&amp;#8221;, ou &amp;#8220;vamos exigir taxas de juro mais elevadas&amp;#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas se tomamos o dinheiro emprestado a taxas de juros mais altas, sobra ainda menos dinheiro para gastar em outras coisas. Esse é exatamente o problema mundial. Então, novamente, não vejo isso como um problema especialmente europeu. A questão na Europa, no momento, é saber se as forças que dizem &amp;#8220;os países europeus estariam em situação melhor se não houvesse euro&amp;#8221; conseguirão aboliro euro e voltar para suas moedas nacionais. Há um certo movimento nessa direção, tanto da direita como de alguns setores de esquerda.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A esquerda europeia não gosta do fato de que Bruxelas, com tanta influência, tenha um viés neoliberal tão forte. Diz-se (em alguns países escandinavos e mesmo na França): &amp;#8220;estaríamos melhor se estivéssemos livres do controle de Bruxelas&amp;#8221;, em oposição ao ponto de vista ainda dominante &amp;#8211; o de que o euro fortalece a posição europeia frente ao resto do mundo e, mais especificamente, frente aos Estados Unidos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Está acontecendo uma luta política, não há dúvida. Tendo a acreditar que, em geral, deve-se separar a retórica política da realidade e das pressões geopolíticas. A retórica política é em geral uma resposta a uma circunstância política imediata de um país. Se a chanceler Angela Merkel diz certas coisas na Alemanha, não é necessariamente porque ela acredita naquilo, mas porque, na próxima eleição, que pode ser muito em breve, ela julga que com isso ganharia votos. A mesma coisa vale para Obama. Vale também, tenho certeza, para o presidente da Coreia. Os políticos têm de se preocupar com a próxima eleição. Isso não significa que: (a) eles querem realmente dizer o que falam, e (b) o que dizem tem importância. Não acho que importe muito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ainda que, numa situação muito volátil, a estupidez possa prevalecer. Em geral, o que acontece é decorrente de pressões geopolíticas. Então, penso que a pressão para manter o euro, os benefícios em termos de geopolítica, são muito maiores do que a pressão para voltar às moedas individuais. A chanceler Merkel está dizendo às pessoas, em toda a Europa, &amp;#8220;deixem-me fazer isso, e então terei cacife político para convencer os políticos e eleitores alemães a me acompanhar&amp;#8221;. Penso que a Europa vai concordar com um aumento do federalismo, ainda que não chamem isso de federalismo, porque não gostam dessa palavra. Mas um fortalecimento do poder central e, em consequência, um aumento do fluxo de dinheiro. Nos &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt;, um estado como o Mississippi só não vai à falência porque o governo federal pode redirecionar dinheiro para lá. É disso que a Europa precisa. É isso o que querem realmente dizer as pessoas que estão clamando por &amp;#8220;solidariedade&amp;#8221;. Se você me pedir que faça previsões, penso que a probabilidade de vermos, em três anos, não apenas um euro, mas um euro fortalecido, é muito maior do que o contrário. E algum tipo de mecanismo que permita enfatizar menos a prosperidade e mais a volta de recursos, ter o dinheiro fluindo novamente, é a única solução de curto prazo para os problemas europeus, assim como para os dos &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lee: Gostaria de acrescentar algo em sua análise da situação da zona do euro. Você mencionou os países escandinavos, que são mais fortes em termos de benefícios sociais. São os que mais gastam com bem-estar social e os que pagam mais impostos. Mas não estão em crise, embora se argumente que o chamado &amp;#8220;populismo do bem-estar&amp;#8221; social é inteiramente errado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Wallerstein:Sim, evidente. Isso pode ser demonstrada de várias maneiras. É claro, existem cinco países nórdicos diferentes, cada um com uma situação um pouco diferente, inclusive aqueles que estão e aqueles que não estão na zona do euro, e os que estão e os que não estão na &lt;span class="caps"&gt;OTAN&lt;/span&gt;. Mas, em geral, você tem toda a razão ao dizer que aqueles cinco países nórdicos ainda são estados de bem-estar fortes, com impostos relativamente altos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lee:Sim, na verdade o problema fiscal da Europa é um problema mundial. Quando você olha para países específicos, há diferenças. Em alguns países, a corrupção é mais grave do que em outros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Wallerstein: Vamos nos deter um pouco na corrupção. Penso que a corrupção é mais grave nos &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt;, na Grã-Bretanha, na França e na Alemanha, do que em alguns casos de países muito citados em todo o mundo. Eles são fichinha, perto da corrupção real. Temos escândalos o tempo todo nos &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt;, França e Grã-Bretanha. Quando você se depara com esses escândalos, de repente descobre que se trata de trilhões de dólares. Já quando ocorre algo do tipo em Myanmar ou no Iraque, por exemplo, estamos lidando com milhões, nem sequer com bilhões de dólares.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Assim, a corrupção é uma arma deveras etnocêntrica. Os países do Norte tendem a dizer que os do Sul são imorais, porque são corruptos. Mas não dizem que somos imorais porque somos corruptos. A corrupção é geral em nosso sistema. É geral porque, se você tem um sistema em que o principal objetivo é a acumulação de capital, a corrupção é simplesmente um aluguel que as pessoas que estão no lugar certo cobram, da acumulação sem fim do capital. Dizer que &amp;#8220;eles não deveriam&amp;#8221; é uma posição moral correta, mas retórica, porque eles irão até onde der, já que a opinião pública não gosta de enxergar a corrupção. E talvez uma ou duas pessoas sejam presas por um tempo relativamente pequeno, mas, basicamente, nada mais é feito contra a corrupção. Quando foi a última vez que uma pessoa corrupta dessas foi mandada para uma prisão de verdade, por um período realmente longo e teve de devolver todo o dinheiro que levou? Isso simplesmente não acontece.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lee: Quando ouvi o discurso de feito por Obama ao se candidatar à reeleição, anotei o que ele apresentou como receitas para salvar os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; dos tempos difíceis: criar mais postos de trabalho na indústria, reconstruir a classe média, enfatizar a educação, cortar tributos sobre a riqueza, uma nova política energética, a redução das importações e benefícios sociais que incluíssem assistência médica &amp;#8211; um tema sempre muito controverso nas eleições norte-americanas. Mas eu me surpreendi ao ouvir as mesmas coisas dos candidatos presidenciais aqui na Coreia do Sul. Claro, a Coreia tem uma situação peculiar: a divisão da península, razão pela qual a questão da paz e a questão nuclear são importantes. Fora isso, os programas e políticas socioeconômicas eram mais ou menos idênticos. Isso me levou a pensar se a Coreia do Sul seria como os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; socioeconomicamente. Cerca de vinte anos atrás a Coreia do Sul foi saudada como modelo para os países de Terceiro Mundo, uma vez que alcançou o crescimento econômico com relativa igualdade. Mas após as crises de 1997 e 2008 a Coreia do Sul revelou-se muito parecida com os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt;, e então as receitas políticas são quase idênticas nos dois países, penso eu.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Wallerstein: Bem, não discordo. Dentre os países mais ricos do mundo, a Coreia do Sul não está no topo, mas não está muito mal. As opiniões sobre o bem-estar social parecem estar divididas entre os conservadores e as pessoas de esquerda. Mas penso que, na verdade, a divisão pode ser mais ampla. Quando se olha para o papel do governo nos países mais pobres do mundo, ainda há a questão de quanto eles têm de benefícios sociais. Uma das coisas que o neoliberalismo, como um movimento atuante desde os anos 1980, tem prescrito para os países do Sul é: &amp;#8220;Vejam, ocês têm todos esses problemas econômicos. Querem emprestar dinheiro de nós? Então reduzam os benefícios sociais, porque isso é dinheiro jogado fora&amp;#8221;. A teoria age como uma força conservadora contra o governo local, que está atuando mais à esquerda. É o mesmo tipo de debate.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Você se lembra da chamada &amp;#8220;crise da dívida asiática&amp;#8221; de 1997? De repente, uma série de países do Leste e do Sudeste da Ásia se viu encrencado economicamente. Ou seja, o dinheiro desapareceu. Os governos viram-se em apuros. Alguns buscaram ajuda, dizendo: &amp;#8220;emprestem-nos dinheiro.&amp;#8221; E esses governos contaram que a resposta recebida em geral foi: &amp;#8220;emprestar dinheiro para vocês? Sim, desde que façam assim e assado&amp;#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O único país que se recusou a tomar dinheiro emprestado nesses termos foi a Malásia &amp;#8211; e ela foi o que se recuperou mais rapidamente, por ter recusado. Ao aceitar as exigências, a Indonésia provocou a queda de Suharto. E eu gostaria de citar este episódio. Trata-se de uma famosa atuação de Henry Kissinger, um político reconhecidamente de direita. Após a queda de Suharto, ele escreveu: &amp;#8220;como vocês (&lt;span class="caps"&gt;FMI&lt;/span&gt; e governo dos &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt;) podem ser tão estúpidos? Vocês prescrevem para o governo de Suharto medidas que provocam sua queda e colocam, no seu lugar, um governo à esquerda dele. É mais importante manter Suharto no poder do que negar-lhe dinheiro. Vocês não entenderam suas prioridades. A prioridade é geopolítica, e não econômica&amp;#8221;. Ele os repreendeu por fazer o que vinham fazendo há dez ou vinte anos em países menos importantes que a Indonesia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Coreia ficou no meio, tendo em vista o modo como respondeu. Teve uma atuação melhor do que a dos países que se entregaram completamente ao &lt;span class="caps"&gt;FMI&lt;/span&gt;, mas não tão boa quanto a da Malásia. Uma das coisas que se aprende com isso, e depois do que aconteceu na Argentina, é que esses países têm mais poder geopolítico do que acreditam ter e são mais capazes de reagir contra agências tipo &lt;span class="caps"&gt;FMI&lt;/span&gt;. Naturalmente, o &lt;span class="caps"&gt;FMI&lt;/span&gt; e o Banco Mundial aprenderam a lição. E começaram a falar em programas contra a pobreza. De repente, sua linguagem mudou, como resultado da crise da dívida asiática, porque se deram conta daquilo que Kissinger estava lhes dizendo: precisam ser mais astutos politicamente; não podem ser estritamente econômicos em suas exigências.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lee:Na convenção do Partido Democrata norte-americano deste ano, Joseph Biden afirmou, repetidamente, que &amp;#8220;os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; não estão em declínio&amp;#8221;, e Obama disse que &amp;#8220;os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; são um país do Pacífico&amp;#8221;. Isso pode ser interpretado como um retorno dos &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; à zona asiática do Pacífico, inclusive sugerindo a contenção da China.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Wallerstein: Aqui há duas questões. Uma delas é afirmar que os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; não estão em declínio. A outra é o que eles estão tentando fazer com essa ênfase na Ásia e no Pacífico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;#8220;Os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; não estão em declínio&amp;#8221; é um mantra nos Estados Unidos. Nenhum político pode dizer que os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; estão em decadência. Na verdade, todos eles se esforçam para negar essa realidade, porque a população dos &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; não está preparada para aceitar o fato de que os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; não são mais o &amp;#8220;Número 1&amp;#8221;, um exemplo admirado no mundo inteiro. Eles não vão dizer isso publicamente. É uma pena porque, a meu ver, uma das coisas importantes é tornar a população dos Estados Unidos mais consciente da realidade geopolítica e do fato de que os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; são um país muito forte &amp;#8211; mas não mais, em nenhum sentido, acima dos demais. Há vários países com avaliação melhor que os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; em determinadas questões. E a capacidade de os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; para influenciar a situação em várias partes do mundo diminuiu enormemente. Então, penso que é preciso separar a retórica política da realidade política.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E agora, o que os Estados Unidos estavam fazendo na Ásia? A primeira coisa a notar é que os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; não têm força econômica e militar suficiente para engajar-se por completo, como costumavam, na Europa e na Ásia. Se eles dizem publicamente &amp;#8220;vamos estar fazer isso na Ásia&amp;#8221;, querem dizer ao mesmo tempo que não vão fazer isso na Europa. Isso não está sendo ignorado pelos europeus. Está sendo ignorado pela opinião pública dos Estados Unidos. Ou seja: isso, em parte, é admitir o declínio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Agora, a segunda parte é &amp;#8220;conter&amp;#8221; a China. Os comunistas chegaram ao poder em 1948. A China não tem sido politicamente popular nos &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt;. A Guerra da Coreia, entre o Norte e o Sul da península, foi também uma guerra entre os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; e a China. Não a denominamos assim, mas essa é a realidade. E a linha de armistício não é tão diferente da linha anterior à guerra. Considero que houve um empate militar entre a China e os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt;. Nenhum dos lados ganhou. No entanto, a retórica era muito forte nos dois lados, China e &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; denunciando um ao outro de todas as maneiras possíveis, até que Nixon foi à China, guiado por seus instintos geopolíticos e os de Henry Kissinger. A combinação era bastante forte. Ambos eram muito cínicos e muito inteligentes. Naquele momento, a China travava uma grande disputa com a União Soviética. Tinham um terreno comum. Uniram-se contra a União Soviética, é simples assim. Agora, a Guerra Fria acabou, e a União Soviética não existe mais, e há algo chamado Rússia, que é o mesmo país e ao mesmo tempo um país extremamente diferente. A China ficou mais forte do que era antes &amp;#8211; militarmente e economicamente. Mas não se deve exagerar. A China está se afirmando geopoliticamente como líder da Ásia. Mas, trinta anos atrás, ninguém na África ou na América Latina pensava na China. A China simplesmente não fazia parte da cena. Agora, mudou. A China ambiciona ser uma potência, e uma potência mundial precisa interessar-se por todas as partes do mundo, da mesma forma que os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; e a Grã-Bretanha, que são potências mundiais, estão interessados em todas as partes do mundo. Nesse sentido, a União Soviética era uma potência mundial.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A China e os Estados Unidos têm muitas diferenças sobre questões imediatas, e esfregam isso na cara um do outro, de modo errado, de tempos em tempos. E atualmente há um monte de difamadores da China nos &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt;. Os políticos gostam de culpá-la por tudo. Isso irrita os chineses, mas é um jogo. Se você olhar para a realidade das políticas dos Estados Unidos e a realidade das políticas chinesas ao longo dos últimos trinta anos, verá que eles nunca fizeram nada que ultrapassasse os limites um do outro. Têm sido muito cuidadosos em manter boas relações geopolíticas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Então, não considero tão significativa a nova ênfase dos &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; na Ásia e no Pacífico. Primeiro, vejo isso como um show de retórica, em parte para os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; e em parte para os outros países da Ásia, porque há que se preocupar com a Coreia do Sul, Japão, Vietnã e Filipinas. Estes países são ambivalentes com relação aos &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt;. Eles gostam dos &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt;, porque Washington os ajuda em certas coisas. Por outro lado, não querem realmente os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt;. Então, têm relações complicadas. E os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; sentiram que precisavam reassegurar a esses aliados que não os haviam excluído da cena completamente. Não acho que seja mais do que isso. Penso que, quanto a isso, os dois lados não vão cruzar a linha, a não ser a linha retórica, no máximo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Agora, a península coreana é de fato uma das questões cruciais nas relações &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt;-China, porque temos um país chamado Coreia do Norte e outro chamado Coreia do Sul. Ambos são muito coreanos, e o nacionalismo coreano é muito forte. A pressão geopolítica pela reunificação é enorme. E agora os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; e a China têm de se preocupar com isso. Se as tropas americanas tiverem que sair, isso significa que a Coreia reunificada possuiria armas nucleares? E se eles tiverem armas nucleares, o que os japoneses diriam sobre isso? E Taiwan? Penso que a pressão para nuclearizar, para acabar com a abstenção de armas nucleares na Coreia do Sul, no Japão e em Taiwan é muito forte. Não acho que os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; estejam felizes com isso. Nem a China. O que leva à aproximação, não ao distanciamento dos &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; e da China. E ambos estão tentando descobrir, &amp;#8220;podemos parar este processo?&amp;#8221;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não posso enxergar o que têm em mente, mas suspeito que isso está no topo da sua lista de preocupações. O fato é que eles antecipam, não que a Coreia do Norte vá se desnuclearizar, mas que a Coreia do Sul, o Japão e Taiwan venham a se nuclearizar. Se você me pedir novamente uma previsão, diria que em dez anos, todos eles estarão nuclearizados. E não acho isso desastroso. O fato de os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; e a União Soviética terem, ambos, armas nucleares, foi um fator importante para garantir que não haveria guerra entre eles. Foi uma coisa positiva, e não negativa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Agora, é claro, com armas nucleares existe sempre a possibilidade de desastre. As armas nucleares estão em determinado lugar, sob um comandante militar. Ele pode apertar um botão qualquer e dispará-las. Nossa aposta é que ele, como indivíduo, irá obedecer ao comandante-em-chefe do seu país. Em 999 das vezes, é possível contar com isso. Mas há sempre uma chance em mil de haver um oficial descontrolado. Ademais, é bem verdade que, havendo mais armas nucleares no mundo, as pessoas podem roubá-las. Isso vem sendo discutido com relação ao Paquistão. Continua-se a dizer: &amp;#8220;Você sabe, o Paquistão tem de 70 a 80 armas nucleares e bombas&amp;#8221; e &amp;#8220;Será que os lugares onde estão armazenadas são realmente bem protegidos?&amp;#8221;, &amp;#8220;Alguém, afiliados à Al Qaeda ou talvez a outro grupo, poderia atacá-los e roubá-los?&amp;#8221; Assim, não excluo o potencial negativo da nuclearização generalizada. Mas não penso que isso significa que o Irã irá bombardear alguém. Na verdade, os governos usam as armas nucleares como um mecanismo de defesa, e não um mecanismo agressivo. Usam como um modo de se safar de ser bombardeados. Os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; foram para o Iraque não porque ele tinha armas nucleares, mas porque ele não tinha. Os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; sabiam que, portanto, Bagdá não poderia responder com uma arma nuclear.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Penso que essa é a lição que o Irã e a Coreia do Norte tiraram imediatamente do que aconteceu no Iraque. Na verdade, do ponto de vista da Coreia do Norte, essa é a única proteção real que eles têm militarmente, no momento. Minha previsão é de que, em dez anos, todos os países da Ásia Oriental terão essas armas. E também muitos outros países, como Brasil e Argentina. Suécia, Egito e Arábia Saudita as terão. Sempre pelas mesmas razões: para evitar de ser bombardeado pelos outros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lee: E se todo mundo desistisse das armas nucleares, inclusive aqueles que já as possuem?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Wallerstein: Isso seria o ideal, se você considera possível convencer os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; ou o Paquistão, Índia, Israel, França e Grã-Bretanha. Mas não há política que possa persuadir esses países a reduzir os armamentos nucleares a zero. Você poderá persuadi-los a reduzir o número de bombas que têm, em certas condições. Mas voltar a zero não seria prático. Pela simples razão de que é difícil verificar se os outros estão de fato reduzidos a zero. Há muitas maneiras de esconder essas coisas. É por isso que eles não vão aceitar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas essa é a razão porque o tratado de não-proliferação nuclear é uma farsa, pois basicamente o que ele diz é que ninguém deve possuir armas nucleares, exceto os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da &lt;span class="caps"&gt;ONU&lt;/span&gt;. O resto de vocês, o mundo todo, deve renunciar a qualquer tentativa de ter armas nucleares, e em troca disso nós prometemos duas coisas: (1) vamos reduzir significativamente o nosso estoque, e (2) vamos permitir que você desenvolva a energia nuclear para fins pacíficos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desde que o tratado entrou em vigor, não houve uma redução significativa, e agora todo o mundo está falando novamente em renovar e expandir. Os três únicos países que se recusaram a assinar o tratado são a Índia, o Paquistão e Israel. E isso agora está praticamente aceito. Eles desafiam o mundo, desafiam todas as regras, e agora são membros do clube. Os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; têm boas relações com os três países, e nenhum foi penalizado por ter armas nucleares.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lee: Então, o que você diz sobre a nossa tentativa de persuadir a Coreia do Norte a desistir das armas nucleares…&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Wallerstein: É que é impossível. Se eu estivesse dirigindo a Coreia do Norte, certamente não concordaria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lee: Se for esse o caso, acha que o impasse atual entre os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; e a Coreia do Norte vai continuar? E o que dizer da China?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Wallerstein: Mais uma vez, há a retórica e a realidade. De fato, os diplomatas norte-americanos sabem, todos, que essa proibição é impossível. Mas não sabem o que fazer. Eles certamente não podem dizer, por razões políticas internas, que &amp;#8220;não há esperança&amp;#8221;. Então imaginam que, colocando pressão sobre a China, estão, por tabela, pressionando a Coreia do Norte. E usam um mecanismo de retardo, não um mecanismo sério. Os militares dos &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; dizem &amp;#8220;não vamos enviar tropas ao Irã em hipótese nenhuma&amp;#8221;. Por outro lado, os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt; estão comprometidos com Israel e Israel, por sua vez, está dizendo: &amp;#8220;Temos que bombardear o Irã&amp;#8221;. Então, o que fazem os &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt;? Operam com seu mecanismo de retardo. Isso reflete as limitações essenciais do poder dos &lt;span class="caps"&gt;EUA&lt;/span&gt;, o que revela parte de seu declínio. Houve um tempo em que eles não precisavam retardar. Houve um tempo em que podiam tomar decisões fortes sobre outros países. Já não podem. Aqui estamos. Separemos a retórica da realidade geopolítica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lee: Isso deixa muitos coreanos progressistas, que são-aliança, pró-negociações, pró-diplomacia, pró-processo de paz, muito pessimistas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Wallerstein: Por que? Há muitos possíveis acordos entre as Coreias do Norte e do Sul, a começar pelas questões econômicas. Veja, se você está no comando de um regime como o da Coreia do Norte, tem que levar em conta a realidade geopolítica. Por outro lado, quer permanecer no poder. Até agora, eles contaram com um regime de mão pesada, muito repressivo, e o apoio do exército. Podem tentar continuar a reprimir a maioria, os famintos, podem tentar ludibriá-los com a ideologia, tentando fazê-los acreditar que vivem maravilhosamente bem. Mas hoje é cada vez mais difícil fazê-los acreditar nisso. Então é preciso dar-lhes um pouco de bem-estar social &amp;#8211; o que significa que deve haver algumas mudanças na política econômica da Coreia do Norte, na linha das que foram feitas pela China e Vietnã. Tanto a China quanto o Vietnã mostraram a eles um modelo, no qual um partido único pode permanecer no poder e ainda assim promover uma abertura econômica. E acho que o novo líder está tentado pela ideia, mas é um caminho difícil. Ele tem as mesmas dificuldades em negociar com o seu público interno que a chanceler Merkel tem, que Obama tem, e certamente todo o mundo precisa se preocupar em manter a retórica satisfatória, internamente. Assim, ele pode ser capaz de ter algo equivalente ao que os chineses fizeram, como as Zonas Econômicas Especiais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fonte: Entrevista a por Lee Su-hoon Tradução: Hugo Albuquerque e Inês Castilho&lt;/p&gt;</description><pubDate>Wed, 16 Jan 2013 20:31:18 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../e-depois-do-capitalismo</link><guid>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../e-depois-do-capitalismo</guid></item><item><title>Boaventura apoia Campanha Proprietários do Brasil</title><description>&lt;h5 class="uiStreamMessage userContentWrapper" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="messageBody"&gt;&lt;span class="userContent"&gt;Ranking dos Proprietários do Brasil levado a cabo pela Cooperativa EITA e pelo IMD (Instituto Mais Democracia) é um dos mais inovadores e potencialmente eficazes instrumentos de militância democrática contra a plutocracia que eu conheço.&lt;strong&gt; Sem conhecermos com rigor a estrutura do poder económico não é possível combater eficazmente o seu domínio sobre o poder político. Esta iniciativa da EITA e do IMD é um contributo inestimável para denunciar a baixa intensidade da democracia em que vivemos e identificar os caminhos que nos permitam substitui-la por uma democracia de alta intensidade. &lt;em&gt;Por Boaventura de Sousa Santos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; AJUDE A REVELAR A CONCENTRAÇÃO DO PODER ECONÔMICO NO BRASIL&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h5&gt;
&lt;h5 class="uiStreamMessage userContentWrapper" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="messageBody"&gt;&lt;span class="userContent"&gt;&lt;br /&gt; Conheça, apoie e ajude a divulgar a campanha no site do Catarse: &lt;a target="_blank" href="http://catarse.me/pt/portalproprietariosdobrasil"&gt;http://catarse.me/pt/portalproprietariosdobrasil&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h5&gt;</description><pubDate>Sat, 12 Jan 2013 23:14:17 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../boaventura-apoia-campanha-proprietarios-do-brasil</link><guid>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../boaventura-apoia-campanha-proprietarios-do-brasil</guid></item><item><title>Apóie a campanha Quem são os Proprietários do Brasil</title><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Olá amigas e amigos, Nós da Cooperativa EITA (Educação, Informação e Tecnologia para Autogestão) e do IMD (Instituto Mais Democracia) desenvolvemos uma metodologia e processamos dados de mais de 6 mil empresas e pessoas do país, através do qual construímos o &lt;strong&gt;Ranking dos Proprietários do Brasil&lt;/strong&gt;, uma espécie de "contra-ranking", mostrando quem de fato está por trás das grandes empresas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;      Precisamos até 11 de fevereiro arrecadar 56 mil reais via doações (financiamento colaborativo na catarse).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;       &lt;strong&gt;Portanto, uma mensagem sua reforçando a proposta e seu envio para sua rede de contatos seria um apoio fundamental.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;      Claro que sua contribuição financeira também será muito bem-vinda!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;      Abaixo envio o texto introdutório, e no site &lt;a href="http://www.proprietariosdobrasil.org.br/"&gt;www.proprietariosdobrasil.org.br&lt;/a&gt; é possível vocês terem acesso ao ranking, e ao clicar em qualquer empresa do ranking, ter acesso à sua rede de poder.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Abraços,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fernanda Nagem (EITA)&lt;/p&gt;</description><pubDate>Fri, 11 Jan 2013 20:49:12 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../apoie-a-campanha-quem-sao-os-proprietarios-do-brasil</link><guid>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../apoie-a-campanha-quem-sao-os-proprietarios-do-brasil</guid></item><item><title>Para que serve a História?</title><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="userContent"&gt;Reflexão para o "dia" do/a Historiador/a - 19 de agosto&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;:&lt;/strong&gt; &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;"Não sou apenas objeto da História, mas seu sujeito igualmente. No mundo da História, da cultura, da política, constato não para me adaptar, mas para mudar."&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Paulo Freire&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Sun, 19 Aug 2012 12:35:13 +0000</pubDate><link>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../para-que-serve-a-historia</link><guid>http://cirandas.org/fernandanagem/diario-sobre-o-mundo..../para-que-serve-a-historia</guid></item></channel></rss>