Diretor do PNUMA vai ao Aterro debater “economia verde”
junio 16, 2012 0:00 - no comments yetAchim Steiner, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), estará hoje (16) no Aterro do Flamengo para um “Diálogo sobre Economia Verde” com representantes da Cúpula dos Povos, das 18h às 20h, na tenda do Kilombo – Plenária2/Bens Comuns. Veja no mapa da Cúpula a localização da tenda (em PDF).
No encontro, estarão em confronto direto as posições antagônicas que separam a Rio+20, realizada pelas Nações Unidas, da Cúpula dos Povos, promovida pela sociedade civil. Se a ONU quer disseminar a ideia da “economia verde”, defendida por Steiner — um de seus principais formuladores –, o movimento social entende que o conceito transforma recursos naturais em mercadorias, gerando maior concentração de riquezas, perda do controle público sobre territórios e bens comuns, além da contínua degradação do planeta.
Pela Cúpula dos Povos, participam do “Diálogo sobre Economia Verde”, entre outros, Pat Mooney, diretor do Grupo ETC e grande especialista em questões relacionadas a biodiversidade, e o presidente da CUT, Artur Henrique.
Membros do governo debatem a reforma agrária
junio 16, 2012 0:00 - no comments yetpor Convergência de Comunicação da Cúpula dos Povos – MST
A Fundação Perseu Abramo, em parceria com o Partido dos Trabalhadores (PT), realizou debates sobre a questão agrária brasileira nesta sexta-feira (15), como parte da Cúpula dos Povos. Participaram do painel O Agrário Brasileiro e a erradicação da pobreza com sustentabilidade ambiental o deputado Padre João; Renato Maluf, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea); Guilherme Cabral, secretário de extrativismo e desenvolvimento rural sustentáve; e Leonardo Veloso, secretário de agricultura e membro do grupo de estudos em agrobiodiversidade.
Os debatedores discutiram a crise alimentar sob diferentes perspectivas. Para Renato Maluf, a crise dos alimentos é sistêmica e está articulada à crise econômica, ambiental e energética. “A pobreza rural e a fome no campo só podem existir numa sociedade desigual e injusta, pois não ter comida para o camponês, que produz alimentos para a sociedade, é cruel”.
Já Guilherme Cabral disse haver vontade e interesse do governo em realizar a reforma agrária, mas não se consegue fortalecer a pauta. Ele apontou que o Instituto Nascional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) reconhece a agroecologia como forma de resolver a pobreza nos assentamentos, mas que “a mudança não acontece só por vontade do governo; as organizações do campo devem levar a questão da agroecologia para os assentamentos e formar a base”.
Leornado Veloso acredita que a erradicação da pobreza no campo se dá por meio de políticas do governo, mas que este tem interesses diversos e contraditórios. “Por exemplo, a produção de arroz orgânico nos assentamentos do Rio Grande do Sul está sendo ameaçada agora pela liberação do arroz transgênico”.
Por fim, Padre João defendeu que, para alterar o estado das coisas, é necessário também haver educação no campo. “As universidades públicas colocaram o saber do campo nas mãos das multinacionais. É preciso criarmos um modelo educacional diferenciado para o campo”. O deputado afirmou que a educação no campo não avançou muito e que as maiores expressões de educação são iniciativa das próprias entidades e movimentos.
Opiniões sobre a reforma agrária
Quando indagados sobre a real intenção do governo em realizar a reforma agrária – já que continua não apenas investindo maciçamente no agronegócio, mas também perdoando as dívidas dos grandes latifundiários – os palestrantes deram as seguintes respostas:
Renato Maluf: ”A Reforma Agrária é um tema que deve ser reafirmado a todo momento, pois o governo não se apropria dele com facilidade. É um ponto forte, que gera conflitos, por isso é preciso ficar pressionando o governo para que a questão seja abordada.”
Guilherme Cabral: “A reforma agrária é um tema complexo e o governo não é monolítico. O PT precisa avançar nessa questão com os movimentos sociais, é um tema que precisamos debater mais no próprio partido, com o intuito de pressionar o governo e fortalecer o Incra e o MDA.”
Padre João: “A principal característica da Agricultura Familiar não é o tamanho da propriedade, é o uso da semente crioula, o não-uso de agrotóxicos. E está comprovado que, onde há incentivo do governo, há produção muito maior. No entanto, a reforma agrária não é prioridade do núcleo do governo. Nós deputados temos que disputar e pautar o tema. Também tenho angústias em relação ao cumprimento da reforma agrária, mas gostaria de reafirmar meu compromisso com essa luta e também pela soberania alimentar.
Membros do governo debatem o agrário brasileiro e Reforma Agrária
junio 16, 2012 0:00 - no comments yet
Convergência de Comunicação da Cúpula dos Povos – MST
A Fundação Perseu Abramo, em parceria com o Partido dos Trabalhadores (PT), realizou debates sobre a questão agrária brasileira hoje (15), como parte da Cúpula dos Povos. No painel O Agrário Brasileiro e a erradicação da pobreza com sustentabilidade ambiental. participaram da mesa o deputado Padre João, Renato Maluf, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), Guilherme Cabral, secretário de extrativismo e desenvolvimento rural sustentável, e Leonardo Veloso, secretário de agricultura e membro do grupo de estudos em agrobiodiversidade.
Os debatedores discutiram a crise alimentar sob diferentes perspectivas. Para Renato Maluf, a crise dos alimentos é sistêmica e está articulada à crise econômica, ambiental e energética, e analisou à pobreza do campo. ”A pobreza rural e fome no campo só podem existir em uma sociedade desigual e injusta, pois o camponês, que produz alimentos para a sociedade, não ter comida para ele é cruel”.
Já Guilherme Cabral disse haver vontade e interesse do governo em realizar a Reforma Agrária, mas não se consegue fortalecer a pauta. Ele apontou que o Incra reconhece a agroecologia como forma de resolver a pobreza nos assentamentos, mas que “a mudança não acontece só por vontade do governo; as organizações do campo devem levar a questão da agroecologia para os assentamentos e formar a base”.
Leornado Veloso acredita que a erradicação da pobreza no campo se dá por meio de políticas do governo, mas que este tem interesses diversos e contraditórios. “Por exemplo, a produção de arroz orgânico nos assentamentos do Rio Grande do Sul está sendo ameaçada agora pela liberação do arroz transgênico”.
Por fim, Padre João defendeu que para alterar o estado das coisas, é necessário que também haja educação no campo. “As universidades públicas colocaram o saber do campo nas mãos das multinacionais. É preciso criarmos um modelo educacional diferenciado para o campo”. O deputado afirmou que a educação no campo não avançou muito e que as maiores expressões de educação são iniciativa das próprias entidades e movimentos.
Opiniões sobre a Reforma Agrária
Quando indagados sobre a real intenção do governo em realizar a Reforma Agrária, pois este continua não apenas investindo maciçamente no agronegócio, mas também perdoando as dívidas dos grandes latifundiários, os palestrantes deram as seguintes respostas:
Renato Maluf
A Reforma Agrária é um tema que deve ser reafirmado a todo momento, pois o governo não se apropria dele com facilidade. É um ponto forte, que gera conflitos, por isso é preciso ficar pressionando o governo para que ele a paute.
Guilherme Cabral
A Reforma Agraria é um tema complexo, e o governo não é monolítico. O PT precisa avançar nessa questão com os movimentos sociais, é um tema que precisamos debater mais no próprio partido, com o intuito de pressionar o governo e fortalecer o Incra e o MDA.
Padre João
A principal característica da Agricultura Familiar não é o tamanho da propriedade, é o uso da semente crioula, o não-uso de agrotóxicos, e está comprovado que onde há incentivo do governo, há produção muito maior. No entanto, a Reforma Agrária não é prioridade do núcleo do governo. Nós deputados temos que disputar e pautar o tema. Também tenho angústias em relação ao cumprimento da Reforma Agrária, mas gostaria de reafirmar meu compromisso com esta luta e também pela soberania alimentar.
Conheça a Cúpula dos Povos: o futuro já começou
junio 16, 2012 0:00 - no comments yetHá 20 anos, os movimentos sociais fizeram história no Aterro do Flamengo. A Cúpula da Terra (Rio 92) colocou a justiça ambiental na pauta do planeta. De lá para cá, muita água rolou debaixo da ponte. Agora, mais do que nunca, é urgente deter a privatização dos recursos naturais e a mercantilização da vida.
A Cúpula dos Povos é uma frente comum de todos que lutam pelos direitos da humanidade e da natureza.
Neste vídeo da TV Cúpula, apresentamos a Cúpula dos Povos, que ocupa o Aterro do Flamengo de 15 a 23 de junho: as tendas autogestionadas, plenárias e assembleias. As atividades autogestionadas darão origens às plenárias de convergências (organizadas em torno de cinco eixos), de onde sairão contribuições para a Assembleia dos Povos, o ponto alto do evento.
Venha visitar a gente!
Agência Nacional de Agroecologia debate alternativas para o Agronegócio
junio 16, 2012 0:00 - no comments yetComunicação de convergência da Cúpula dos Povos – MST
A Agência Nacional de Agroecologia (ANA) realiza, durante os dias 15 e 16, como parte Cúpula dos Povos, o seminário “Agricultura familiar e Camponesa e Agroecologia como alternativa à crise do sistema agroalimentar industrial”. A primeira palestra teve como tema Crise alimentar mundial e desafios à soberania alimentar. Participaram da palestra Aksel Naerstad, da Coalizão More and Better; Maria Emília Pacheco, da FASE/Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional no Brasil; Pat Mooney, Membro do Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração (ETC, sigla em inglês). A mesa foi coordenada por Jean Marc Von der Weid, da Agricultura Familiar e Agroecologia (AS-PTA).
Aksel iniciou a palestra indagando que crise alimentar o mundo sofre hoje. “ A crise alimentar é permanente: em 1992, época da Rio92, havia 858 milhões de pessoas passando fome. Há muito alimento no mundo para alimentar o dobro da população mundial. Parte desse alimento se perde no armazenamento, parte é usada em alimentação de animais, além do desperdício nos restaurantes, que, se fosse evitado, poderia alimentar o 1 bilhão de pessoas que passa fome. Ele salientou que a verdadeira crise está na concentração de poder em poucas grandes empresas multinacionais alimentícias, que acabam com a diversidade alimentar e poluem o meio ambiente devido ao uso de agrotóxicos e fertilizantes.
A lógica que as grandes indústrias impõem foram apontadas por Aksel como um grande problema para o avanço da agricultura familiar. “o próprio sistema cria a crise. A OMC obriga a importação de alimentos, o que impossibilita o desenvolvimento agrário local. Na Noruega, por exemplo, comemos muitas batatas, mas não há batatas Norueguesas, pois a maioria vem de outros países europeus”.
Por fim, encerrou dizendo que os governos não podem continuar investindo no agronegócio. “Há sim formas ideaias de se produzir alimentos, como a agroecologia. É preciso que as políticas governamentais mudem para que esse novo modelo de produção possa florescer.
Pat Mooney iniciou sua exposição analisando a Rio+20: “a Cúpula oficial é um fiasco, os diplomatas lá presentes não tem a resposta para solucionar a crise. Vinte anos atrás, na Rio92, a discussão era como os países do norte poderiam controlar a biodiversidade do sul. Hoje, os países do norte querem pegar o que sobrou da natureza que pode ser explorado”. Pat disse que não existe outra maneira de resolver a crise climática sem a agroecologia. “A cadeia industrial não tem flexibilidade para nos sustentar. Para cada caloria de comida produzida pela indústria, gasta-se quatro calorias de energia, o que resulta em emissões de poluentes. Na cadeia campesina, a proporção é de uma caloria de alimento para uma de energia”.
Além disso, ele apontou que o sistema agroecológico trabalha com mais diversidade de espécies animais e vegetais, além de não patentear os produtos que cria como a indústria faz. Também criticou a pesquisa em relação à agricultura. “Antes, era necessário um milhão de dólares para criar um organismo geneticamente modificado; hoje, é necessário mais de 136 milhões de dólares para se criar um transgênico. É um investimento estúpido”. Pat acredita que “a minha geração é a primeira do planeta que perdeu mais conhecimento do que ganhou. Mas ainda temos muito e podemos reverter esta situação”, referindo-se às técnicas camponesas que foram sendo destruídas devido ao êxodo rural e imposições industriais.
Ele encerrou sua fala afirmando que não vamos sobreviver a uma crise ambiental com o sistema agrário que temos, e pediu que os agricultores do mundo se unam, para trocar conhecimento e diversidade de espécies.
Segundo Maria Pacheco, a crise alimentar é o elo mais dramático do conjunto de crises que vivemos hoje, pois o próprio valor da via está em crise. Para ela, o aumento dos preços devido à especulação, que transforma alimentos em mercadoria e “gera um contexto mundial no qual uma a cada sete pessoas passa fome”. O que preocupa Maria em relação às soluções apontadas pelo capital para a crise econômica é que estas “se referem ao saber tradicional dos povos indígenas e camponeses como algo que deve ser incorporado ao mercado para resolver a crise. Isso se dá porque esses novos conhecimentos de mercado querem privatizar inclusive o conhecimento natural”.
Maria acredita que o sistema agroecológico será implantado apenas com muita luta social por parte dos movimentos. “Os sistemas agroecológicos tem índice de produção maior e reduzem a pobreza rural. É com a agroecologia que os camponeses conseguem sua subsistência sem necessariamente ter de passar pelas regras do mercado”, e terminou salientando a importância da Reforma Agrária para se estabelecer a agroecologia. “A Reforma Agrária é essencial. Sem acesso à terra não há como assegurar o direito à vida. É fundamental que o movimento ecológico se uma na luta pela terra”.



