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Rio+20: Cúpula dos Povos

26 de Maio de 2012, 0:00 , por KADIO SERGE ARISTIDE - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
Estaço de divulgação das informações sobre a Cúpula dos Povos na Rio+20

Movimentos sociais e organizações debatem os malefícios dos agrotóxicos

17 de Junho de 2012, 0:00, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Convergência de Comunicação da Cúpula dos Povos – MST

A Via Campesina, em sua primeira atividade na Cúpula dos Povos, debateu a questão dos agrotóxicos no campo, em conjunto com outras organizações, como os Amigos da Terra e a Abrasc o e a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz). Participaram do debate Cláudia Gerônimo, dos Amigos da Terra da Guatemala, Cléber Folgado, membro da Via Campesina e coordenador nacional da Campanha Nacional Contra os Agrotóxicos e pela Vida, Fábia Londres, da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e Lia Giraldo, da Fiocruz.

Cláudia falou de sua experiência pessoal com os agrotóxicos. “Quando estava na universidade de agronomia, tive que aprender a aplicar agrotóxicos. Fui completamente desprotegida, passei mal e um professor me resgatou de lá”. Ela afirma que não é possível garantir que as pessoas se protejam, pois as instruções não são claras, além do fato de muitos camponeses não conseguir ler os rótulos de proteção.

Segundo Cláudia, na Guatemala, assim como no Brasil, os produtores são incentivados pelo governo a utilizar agrotóxicos. “Fiquei perplexa com o fato de que não há incentivo à outra alternativa para produzir. Acredito que devemos adotar o modelo agroecológico, que para mim deve ser amigável ao meio ambiente, sem uso de venenos e resgatando conhecimentos ancestrais de produção. Ao ver que os agricultores são forçados a usar agrotóxicos, sinto que nossos conhecimentos estão sendo tolhidos”.

Cléber, por sua vez, contextualizou o surgimento dos agrotóxicos. “O agrotóxico surgiu como resto da segunda guerra mundial, para resolver os problemas das indústrias bélicas, adaptando o uso de venenos à agricultura, e os governos tiveram um papel fundamental nisso. Por isso os agrotóxicos nunca podem ser chamados de ‘defensivos agrícolas’. As formas que o capitalismo encontra para resolver suas crises é fazer guerra e se apropriar dos bens naturais”.

Exemplo do papel do governo brasileiro no incentivo ao agrotóxico é o crédito agrícola. “Os camponeses na década de 60 tinham que pegar o agrotóxico para receber o crédito. Como é hoje? A mesma coisa”, enfatiza Cléber. O membro da Via Campesina desmentiu vários argumentos muito usados pelo agronegócio e os setores que o apoiam.

O primeiro ‘mito’ é que há formas seguras de usar agrotóxicos. “Há técnicas e proteções que evitam intoxicações agudas, mas a intoxicação ainda acontece. Também é mentira que ‘não podemos produzir com veneno, pois o preço da comida sobe’, pois quem produz 70% da comida neste país é a agricultura familiar”. O argumento de que O camponês também usa veneno é contestado. “É claro que usa, estão obrigados por conta do crédito agrícola. No entanto, o Censo diz que o agronegócio usa 80% de agrotóxicos, e os camponeses, 30%”. Por fim, a questão da Balança comercial, cujo agronegócio é responsável por 30% do PIB, o que corresponde à 151 bilhões de reais. “Para produzir isso, os latifundiários pegam do orçamento público 110 bilhões. Coloca esse dinheiro nas mãos dos camponeses para ver o que fazemos. O agronegócio é economicamente impotente, além dos custos ambientais, que ninguém calcula”.

Cléber também fez um balanço da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. “A Campanha não trouxe nenhuma novidade, pois desde que o agrotóxico existe há lutas contra ele. O mérito da Campanha está emsomar as forças das pessoas que lutam contra os agrotóxicos, para fortificar essa luta, denunciando à sociedade os problemas causados pelo agronegócio. Estamos obtendo resultados, como levar pautas referentes ao tema à mídia burguesa, e a Presidenta Dilma garantiu queira criar um grupo de Política Nacional de Enfrentamento ao Agrotóxico, mas ainda não está nada assinado por ela, então a pressão vai continuar”.

Fábia apontou que a Campanha contra os agrotóxicos é a culminância de trabalhos que vem sendo desenvolvidos a anos por pesquisadores, ONGs e movimentos sociais. “A Campanha foi um acerto político, pois é absolutamente insustentável sermos o primeiro maior consumidor de agrotóxicos no mundo, e a sociedade não pode ficar alheia mais a essa questão”. Ela também reforçou o papel da agroecologia como modelo de desenvolvimento alternativo. “Na Rio92, a agroecologia era apenas uma aposta incerta; hoje,há milhares de experiências de sucesso, com relatórios de organizações como a FAO reconhecendo a importância do modelo para a erradicação da fome”.

Apesar do papel da agroecologia estar reconhecido, é necessário que haja políticas públicas para incentivá-la. Nesse sentido, Flávia denuncia que “está prometido para sair na Rio+20 uma Política Nacional de Agroecologia. No entanto, estamos tendo sinais de que a promessa pode não ser cumprida na Cúpula”.

Dossiê Abrasco – O debate de hoje foi marcado também pelo lançamento da segunda parte do dossiê da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) sobre agrotóxicos. De acordo com Lia, a problemática dos agrotóxicos atravessa todos os segmentos da vida, e não só o campo. Por isso, essa deve ser uma luta da sociedade. “Os inseticidas, que usamos nas cidades para nos proteger de mosquitos, contém as mesmas substâncias que muitos agrotóxicos, mas são vendidos como algo ‘limpo’ para a população”.

O dossiê, segundo Lia, indaga como a sociedade brasileira chegou ao ponto de maior consumidora de agrotóxicos, além de mostrar como o agronegócio depende da aplicação de venenos para continuar crescendo. “O desenvolvimento agrário com acumulação de capital está casado de forma indissociável no país com a utilização de agrotóxicos.



Começam hoje (17) as Plenárias de Convergência

17 de Junho de 2012, 0:00, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Começam neste domingo (17), a partir das 9h, as Plenárias de Convergência da Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo. Serão cinco Plenárias, dedicadas a temas chaves para a elaboração do documento final da Cúpula dos Povos, que será produzido durante as Assembleias dos Povos: Soberania Alimentar; Energia e indústrias extrativas; Defesa dos bens comuns contra a mercantilização; Direitos, por justiça social e ambiental; Trabalho: por outra economia e novos paradigmas.

As Plenárias acontecem nas tendas de 1 a 5, destinadas especificamente a essas atividades. Neste domingo (17), de 9h às 12h e das 14h às 18h. Na segunda-feira (18), na parte da tarde, das 14h às 18h.

Para localizá-las, consulte o mapa do Aterro durante a Cúpula (tendas das Plenárias, assinaladas em azul claro).



Articulação Nacional de Agroecologia debate alternativas para o Agronegócio

16 de Junho de 2012, 0:00, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Comunicação de convergência da Cúpula dos Povos – MST

A Articulação Nacional de Agroecologia- ANA- realiza, durante os dias 15 e 16, como parte Cúpula dos Povos, o seminário “Agricultura familiar e Camponesa e Agroecologia como alternativa à crise do sistema agroalimentar industrial”. A primeira palestra teve como tema Crise alimentar mundial e desafios à soberania alimentar. Participaram da palestra Aksel Naerstad, da Coalizão More and Better; Maria Emília Pacheco, da FASE/Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional no Brasil; Pat Mooney, Membro do Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração (ETC, sigla em inglês). A mesa foi coordenada por Jean Marc Von der Weid, da Agricultura Familiar e Agroecologia (AS-PTA).

Aksel iniciou a palestra indagando que crise alimentar o mundo sofre hoje. “ A crise alimentar é permanente: em 1992, época da Rio92, havia 858 milhões de pessoas passando fome. Há muito alimento no mundo para alimentar o dobro da população mundial. Parte desse alimento se perde no armazenamento, parte é usada em alimentação de animais, além do desperdício nos restaurantes, que, se fosse evitado, poderia alimentar o 1 bilhão de pessoas que passa fome. Ele salientou que a verdadeira crise está na concentração de poder em poucas grandes empresas multinacionais alimentícias, que acabam com a diversidade alimentar e poluem o meio ambiente devido ao uso de agrotóxicos e fertilizantes.

A lógica que as grandes indústrias impõem foram apontadas por Aksel como um grande problema para o avanço da agricultura familiar. “o próprio sistema cria a crise. A OMC obriga a importação de alimentos, o que impossibilita o desenvolvimento agrário local. Na Noruega, por exemplo, comemos muitas batatas, mas não há batatas Norueguesas, pois a maioria vem de outros países europeus”.

Por fim, encerrou dizendo que os governos não podem continuar investindo no agronegócio. “Há sim formas ideaias de se produzir alimentos, como a agroecologia. É preciso que as políticas governamentais mudem para que esse novo modelo de produção possa florescer.

Pat Mooney iniciou sua exposição analisando a Rio+20: “a Cúpula oficial é um fiasco, os diplomatas lá presentes não tem a resposta para solucionar a crise. Vinte anos atrás, na Rio92, a discussão era como os países do norte poderiam controlar a biodiversidade do sul. Hoje, os países do norte querem pegar o que sobrou da natureza que pode ser explorado”. Pat disse que não existe outra maneira de resolver a crise climática sem a agroecologia. “A cadeia industrial não tem flexibilidade para nos sustentar. Para cada caloria de comida produzida pela indústria, gasta-se quatro calorias de energia, o que resulta em emissões de poluentes. Na cadeia campesina, a proporção é de uma caloria de alimento para uma de energia”.

Além disso, ele apontou que o sistema agroecológico trabalha com mais diversidade de espécies animais e vegetais, além de não patentear os produtos que cria como a indústria faz. Também criticou a pesquisa em relação à agricultura. “Antes, era necessário um milhão de dólares para criar um organismo geneticamente modificado; hoje, é necessário mais de 136 milhões de dólares para se criar um transgênico. É um investimento estúpido”. Pat acredita que “a minha geração é a primeira do planeta que perdeu mais conhecimento do que ganhou. Mas ainda temos muito e podemos reverter esta situação”, referindo-se às técnicas camponesas que foram sendo destruídas devido ao êxodo rural e imposições industriais.

Ele encerrou sua fala afirmando que não vamos sobreviver a uma crise ambiental com o sistema agrário que temos, e pediu que os agricultores do mundo se unam, para trocar conhecimento e diversidade de espécies.

Segundo Maria Pacheco, a crise alimentar é o elo mais dramático do conjunto de crises que vivemos hoje, pois o próprio valor da via está em crise. Para ela, o aumento dos preços devido à especulação, que transforma alimentos em mercadoria e “gera um contexto mundial no qual uma a cada sete pessoas passa fome”. O que preocupa Maria em relação às soluções apontadas pelo capital para a crise econômica é que estas “se referem ao saber tradicional dos povos indígenas e camponeses como algo que deve ser incorporado ao mercado para resolver a crise. Isso se dá porque esses novos conhecimentos de mercado querem privatizar inclusive o conhecimento natural”.

Maria acredita que o sistema agroecológico será implantado apenas com muita luta social por parte dos movimentos. “Os sistemas agroecológicos tem índice de produção maior e reduzem a pobreza rural. É com a agroecologia que os camponeses conseguem sua subsistência sem necessariamente ter de passar pelas regras do mercado”, e terminou salientando a importância da Reforma Agrária para se estabelecer a agroecologia. “A Reforma Agrária é essencial. Sem acesso à terra não há como assegurar o direito à vida. É fundamental que o movimento ecológico se uma na luta pela terra”.



Transporte urbano: “A cidade está na espinha. Não tem mobilidade nenhuma”

16 de Junho de 2012, 0:00, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Quem mora numa cidade grande como o Rio de Janeiro — aliás, nos arredores, como Baixa de Fluminense, São Gonçalo ou Zona Oeste –, certamente vai compartilhar deste sentimento: o de que você perde boa parte da sua vida no trânsito. E é justamente sobre esse problema estrutural que foi o debate desta manhã (16) na Cúpula dos Povos sobre Mobilidade Urbana, organizado pelo Fórum Permanente de Mobilidade Urbana da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Uma conta básica já basta para causar espanto: quem passa, em média, de duas a quatro horas por dia no trânsito, ao final de 30 anos, cinco deles você passou dentro dos meios de transporte.  Preocupante, não?

Além da piora na qualidade de vida, estudos mostram que, só na cidade do Rio de Janeiro, há uma “deseconomia”: a perda financeira, que prejudica o desenvolvimento da cidade, chega a ser de R$ 6 bilhões ao ano, por conta do adoecimento dos trabalhadores, principalmente das mulheres, devido às pessimas condições dos transportes coletivos. Sem falar na poluição atmosférica que é intensificada, uma vez que 82% do transporte no Rio é rodoviário -  número que pode ser maior, pois 10% do transporte, como um todo, são vans.

Celso Sá, um dos participantes do debate, foi membro dos Sindicatos dos Rodoviários por 10 anos. Para ele, a questão do transporte urbano é uma problemática séria e deve ser resolvida o mais rápido possível. “A cidade está na espinha. Não tem mobilidade nenhuma.”, reforçou.

“Quem mora em Vargem Grande, Recreio ou Barra da Tijuca acaba alugando apartamentos no Centro do Rio, onde ficam de segunda a sexta-feira, e voltam pra casa aos finais de semana. Acho que é a única cidade do mundo onde se tem uma casa de veraneio dentro da própria cidade. E quem não tem dinheiro para isso?”, provoca.

Celso Sá (de branco): "o Rio é a única cidade do mundo onde se tem uma casa de veraneio dentro da própria cidade" (foto: Júlia Sales).

Outro ponto interessante abordado por Sá foi a questão da instituição dos feriados em vista dos grandes eventos que a cidade promove e ainda vai promover. “No Carnaval, o Rio recebe um milhão de pessoas. Mas cerca de 700 mil habitantes saem da cidade pela ponte Rio-Niterói ou pelos aeroportos. Aí dá para administrar. Mas, quando ninguém sai, complica.”

Para Sá, é necessário pensar alternativas para resolver a questão do transporte urbano e da qualidade do serviço oferecido por concessionárias, empresas e consórcios para que haja uma melhora na qualidade de vida.

Cada transporte para o público que lhe cabe
Carlos Cosenza, professor e engenheiro da Coppe/UFRJ, defendeu a necessidade de se adequar o transporte à demanda existente. Para ele, o Brasil já deixou de pensar o planejamento de engenharia urbana como algo efetivamente importante para a cidade. “Hoje, se faz no chute e depois se vê como é que fica”, desabafa.

O engenheiro explica ainda que as pessoas, hoje, levam mais tempo no trânsito do que em seu local de trabalho. “Não vai ser possível conviver com isso por muito tempo. A cidade está parando”, alerta.

Carlos Conseza, da COPPE/UFRJ: "a cidade está parando".

Cosenza expôs um enorme problema que ainda está por vir:  de acordo com ele, já foi aprovado pelo Governo Federal a construção da Linha 3 do metrô carioca, que liga Itaboraí ao Largo da Carioca, no Rio. Como? Uma linha levaria os passageiros de Itaboraí até o terminal das Barcas S/A , e de lá seria feita a conexão até a Praça XV, onde os passageiros seguiriam viagem através da Estação da Carioca. Como é possível pensar nessa logística, questiona Cosenza, já que as barcas, mesmo hoje, já têm um serviço precário?

As questões levantadas aqui são assuntos importantes que devem ser pensados, discutidos e levados adiante. É importante pressionar para que os governos não ajam de forma leviana mediante as condições do transporte público.  Celso Sá, do Sindicato dos Rodoviários, reforça que essa é um debate longo que “passa por uma discussão sobre mudar o horário do comércio, dos bancos e do serviço público. Não se poder ‘despejar’ todas essas pessoas às 18h no trânsito, na volta para casa”.



Rio+Tóxico: Santa Cruz

16 de Junho de 2012, 0:00, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

por Convergência de Comunicação dos Movimentos na Cúpula dos Povos, com informações de Rio+Tóxico.

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De ontem (15) até amanhã, comunidades e entidades da sociedade civil guiam ativistas, jornalistas e pesquisadores por três empreendimentos de forte impacto socioambiental na região metropolitana do Rio de Janeiro. O objetivo do grupo é mostrar que, na mesma cidade que promete redefinir os marcos ambientais do planeta, estão sendo erguidos ou tocados uma série de megaprojetos na contramão do discurso oficial.

O primeiro desses toxic tours, como são chamadas as atividades, foi uma visita a Santa Cruz, na zona oeste da cidade, área afetada pela siderúrgica ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA). Localizada na Baía de Sepetiba, a TKCSA se instalou no Rio após ser negada em outros países e estados do Brasil. A siderúrgica despeja partículas de ferro-gusa e emite toneladas de gás carbônico no ar, suficientes para aumentar as emissões na cidade do Rio de Janeiro em 76%. Isso tem afetado a saúde e o meio ambiente dos moradores e pescadores da região em um nível tão elevado que se tornou um problema para a sede da empresa, na Alemanha.

Assista abaixo ao vídeo produzido pelo Coletivo Catarse que mostra a visita de participantes de Cúpula dos Povos na região. Veja também a galeria de fotos no Flickr da Cúpula.