Gehe zum Inhalt

Warenkorb

Warenkorb leeren
Einkauf beenden
Gesamt:
Warenkorb anzeigen Warenkorb verstecken
Zurück zu Rio+20: Cúpula dos Povos
Vollbild Einen Artikel vorschlagen

O sonho do Xingu

June 8, 2012 0:00 , von Unbekannt - 0no comments yet | Es folgt noch niemand diesem Artikel.
30 Mal angesehen:

Em 1977, Gilberto Gil teve ‘um sonho‘: discursava sobre a importância da tecnologia para o progresso do Brasil e apontava os malefícios da poesia. Ao acordar, assustado, viu que trabalhadores e estudantes aclamavam nas ruas o “índio do Xingu”. Hoje, 35 anos após Gil lançar a música ‘Um sonho’, o velho antagonismo entre o progresso tecnológico e as culturas tradicionais – e os direitos humanos – ali simbolizado veste roupas novas no conflito em torno da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, no Pará.

O discurso a favor da usina passa pela segurança energética que sua construção permitiria, “necessária para o crescimento e desenvolvimento do País”, segundo o BNDES, financiador do projeto orçado em R$ 26,5 bilhões. Por outro lado, os impactos socioambientais e as falhas na aprovação e implantação do projeto têm gerado denúncias de violação de direitos humanos na construção da hidrelétrica. Estão previstos o alagamento perene de 640 km2, a desocupação de 486 hectares no perímetro urbano da cidade de Altamira, a inundação de cerca de mil imóveis rurais, a vazão drasticamente diminuída em 100 km do rio Xingu, e muitos outros impactos socioambientais. O número de atingidos pelas obras de Belo Monte e suas consequências pode chegar a 40 mil, além das 24 etnias indígenas que habitam a bacia do Xingu.

Xingu+23
Para fortalecer as vozes dos grupos contrários à usina, o Movimento Xingu Vivo para Sempre – uma das maiores frentes de oposição a Belo Monte – realizará um encontro de entidades, movimentos sociais, ribeirinhos, pescadores, acadêmicos, ambientalistas e trabalhadores rurais e urbanos, entre 13 e 17 de junho. O encontro foi batizado de Xingu+23, em referência ao 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, em 1989, que marcou o início da resistência a Belo Monte. O cenário será a comunidade Santo Antônio (a 50km de Altamira), que já está parcialmente desocupada pelas obras da usina.

Não à toa, portanto, ‘Um sonho’, de Gilberto Gil, é o hino do Xingu+23. Por essa canção, o Xingu Vivo e os cidadãos contrários a Belo Monte tomam uma posição clara: ao lado do “índio do Xingu”, do “espaço cultural da poesia”, do estudantes e dos proletários; oposta à “pujança econômica baseada na tônica da tecnologia” e “dos polos industriais”.

“Queremos mostrar a noção de que Belo Monte não é um fato consumado”, explicou por telefone a jornalista Verena Glass, do Xingu Vivo, à redação da Cúpula. “Há problemas na Norte Energia [consórcio que detém direitos de construção e operação de Belo Monte] que, se passarem pelos processos jurídicos pertinentes, impedem a construção da usina”, acrescenta. Um desses problemas, segundo Glass, é a demora em apresentar um relatório de cumprimento de condicionantes ao Ibama.

Programação
No dia 13 de junho, o primeiro do Xingu+23, está programada uma recepção aos participantes e a missa tradicional de Santo Antônio. “Essa missa tem um peso simbólico, porque é a última que acontecerá na comunidade, já em boa parte desapropriada. É uma retomada simbólica do território”, afirma Glass.

No dia seguinte, 14 de junho, será realizada a assembleia dos atingidos por Belo Monte. Nesse espaço, todos os grupos afetados pela construção da usina levantarão as questões que consideram mais pertinentes: pescadores, pequenos agricultores, moradores das cidades atingidas etc. “As populações precisam ter uma noção mais consistente dos seus direitos e onde eles estão sendo violados”, diz Flass.

Já no dia 15, o Xingu+23 promoverá uma marcha pela cidade de Altamira, em mais uma manifestação contra Belo Monte. E, no dia 17, os participantes do encontro se reunirão para planejar as próximas ações e posicionamentos na luta contra a usina.

Resistência a Belo Monte e influência internacional
Frente às críticas de que o Xingu Vivo e os movimentos contrários a Belo Monte são intervenções de atores internacionais na soberania do Brasil, Glass rebate: “Essa crítica não faz sentido. Em relação a violação de direitos humanos, qualquer ser humano de qualquer parte do mundo tem o direito de criticar. Se nós nos manifestamos em relação à intervenção norte-americana no Iraque, estamos atentando contra a soberania dos EUA? Não, estamos apenas dando nossa opinião de que é um absurdo.”

Por isso, para a realização do Xingu+23, o Xingu Vivo criou um sistema de financiamento coletivo (uma “vaquinha” virtual) e pede constribuições. Para participar do encontro, qualquer interessado pode se inscrever ou organizar um comitê de mobilização em sua cidade.

Xingu na Cúpula dos Povos
Além do Xingu+23, no Pará, o movimento Xingu Vivo organizará duas atividades na Cúpula dos Povos. A primeira será no dia 19 (terça-feira), com o objetivo de debater as usinas hidrelétricas como falsa solução para a crise ambiental do planeta. Já no dia 21 (quinta-feira), a entidade realizará um encontro de trabalho para organizar ações locais, estaduais e internacionais contra Belo Monte.

Assista ao vídeo de divulgação do Xingu+23 e ouça o “hino” da campanha – a música ‘Um sonho’, de Gilberto Gil


Quelle: http://cupuladospovos.org.br/2012/06/o-sonho-do-xingu/

0no comments yet

    Einen Kommentar schreiben

    Die Felder sind zwingend erforderlich.

    Wenn Sie ein registrierter Nutzer sind, dann können Sie sich anmelden und automatisch unter Ihrem Namen arbeiten.

    Abbrechen

    Fórum de Economia Popular Solidário FEPS

    Mein Netzwerk