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A Cúpula dos Povos na Rio+20 e as mobilizações por direitos na Europa

May 22, 2012 0:00 , von Unbekannt - 0no comments yet | Es folgt noch niemand diesem Artikel.
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por Fátima Mello, da FASE – Solidariedade e Educação

Manifestação em Frankfurt (Alemanha) contra a "ditadura da crise" da União Europeia (foto: Libertinus/CC BY-SA 2.0)

Ao mesmo tempo em que movimentos sociais constroem a reta final para a Cúpula dos Povos na Rio+20, jovens, mulheres, trabalhadores, trabalhadoras e ativistas de direitos lutam e se mobilizam nas ruas de centenas de cidades na Europa. Existe muito em  comum entre os dois processos. Em vários países da Europa, a perda de direitos, a precarização do trabalho, o sequestro da política pelo sistema financeiro e a fragilização da democracia acumulam as condições para a emergência de amplas mobilizações de massa. Na Rio+20, as corporações e o sistema financeiro ampliam cada vez mais o controle sobre os resultados da conferência oficial, deletando direitos do rascunho do documento final, eliminando conquistas expressas em princípios e convenções aprovados no sistema internacional, entregando ao sistema financeiro o controle sobre a natureza, fortalecendo uma arquitetura institucional que enfraquecerá a idéia de uma ONU dos povos e fortalecerá a tendência de uma ONU voltada aos interesses do capital.

A Rio+20 corre o risco de se tornar o mecanismo de institucionalização e formalização do controle do sistema financeiro e das corporações sobre diversas instituições e regimes internacionais. Ao fazer isso, o frágil arcabouço de direitos conquistado ao longo de décadas de lutas globais corre o risco de perder para o avanço do controle corporativo. De forma similar, o sistema financeiro sequestrou e passou a controlar a política em países como Grécia e Itália.

Existem, portanto, pelo menos dois pontos fortes em comum entre o que acontecerá no Aterro do Flamengo, no Rio, e o que ocorre nas ruas europeias: a financeirização da política e da natureza, e a perda de direitos em prol do aumento dos lucros das corporações e do sistema financeiro.

Tendo a crise global como preocupação central dos governos, a conferência oficial Rio+20 tende a ficar polarizada entre saídas frente à crise global via austeridade e recessão ou via desenvolvimentismo e consumismo tendo em vista a inclusão social. Como pano de fundo comum a ambos, haverá a legitimação da economia verde como nova forma de manutenção do crescimento econômico, dos insanos fluxos globais de investimentos e mercadorias, e de expansão da acumulação por meio da entrega da natureza ao mercado financeiro.

Desafios da Cúpula
Frente a esse cenário, a Cúpula dos Povos tem pela frente importantes desafios. Deverá se somar às vozes dos povos que na Europa  estão dizendo nas ruas um amplo “não” à perda de direitos e à financeirização da política. Deverá também buscar novas convergências  que articulem lutas que hoje se realizam em múltiplos planos e territórios, e que potencializem mutuamente as novas e as tradicionais  formas de organização dos movimentos sociais. E deverá buscar o difícil caminho do reconhecimento da importância das políticas de inclusão social e de manutenção do emprego, mas apontando a necessidade de alteração do modelo vigente de produção e  consumo.

Por esses, motivos a Cúpula dos Povos na Rio+20 não será apenas um evento. Será mais um ponto na trajetória de construção e fortalecimento de um movimento global que a cada dia incorpora novos desafios, novas dimensões, novas agendas e atores, e portanto, novas possibilidades e também contradições. Será assim um ponto crucial e estratégico nesta trajetória, pois tudo indica que poderá inaugurar um novo ciclo, onde a unidade antes existente em torno do anti-neoliberalismo poderá se ampliar para uma crítica mais profunda, que passa a colocar a natureza no centro das lutas por direitos e justiça. A luta por emprego e direitos passará a caminhar de mãos dadas com a defesa dos bens comuns e da natureza. Esse poderá ser o legado maior da Cúpula dos Povos na Rio+20 para o movimento global.


Quelle: http://cupuladospovos.org.br/2012/05/a-cupula-dos-povos-na-rio20-e-as-mobilizacoes-por-direitos-na-europa/

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