As protagonistas de 2015 foram as mulheres | Retrospectiva
enero 7, 2016 13:49 - no comments yet | No one following this article yet.Â
http://www.brasilpost.com.br/silvia-chakian/">Silvia Chakian http://www.brasilpost.com.br">do site
Promotora do MP-SP, coordena Grupo de Enfrentamento à Violência Doméstica
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Se por um lado 2015 se despede sem deixar saudades, seja pelo agravamento da crise política, econômica e fundamentalmente, ética, seja pelos crimes ambientais de proporções inimagináveis, incêndios, aumento do desemprego, da violência e outras tantas notícias que envergonham a humanidade, por outro, desponta como um ano produtivo e relevante para a luta pela equidade de gênero. São esses fenômenos paradoxais, inexplicáveis, que transformam os seres humanos e nos levam à reflexão sobre nossa existência. Tempos de Luz e Trevas, para rememorarmos Charles Dickens.
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Para as mulheres, o ano começou com a aprovação da http://www.brasilpost.com.br/news/lei-do-feminicidio/">Lei do Feminicídio, inegável aprimoramento legislativo que permite a qualificação específica do assassinato de mulheres por razões de gênero, conferindo visibilidade a esse fenômeno crescente no Brasil e que deve proporcionar a adoção de políticas públicas estratégicas de enfrentamento.
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Nos meses subsequentes, nunca se falou tanto sobre feminismo, relações de gênero e todas as formas de violência contra a mulher.
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A mídia convencional e principalmente a internet, por meio das redes sociais, estas movimentadas pelo chamado "feminismo jovem", trouxeram para o debate a questão do assédio e abuso sexual contra a mulher, de forma mais persuasiva a partir do episódio da menina participante do programa http://www.brasilpost.com.br/2015/10/22/masterchef-assedio_n_8361090.html">Master Chef Júnior, da Rede Bandeirantes de Televisão.
A origem dessa mobilização se deu após os comentários de cunho sexual feitos em redes sociais e direcionados a uma participante de apenas 12 anos. Milhares de mulheres se encorajaram a compartilhar episódios de assédio que sofreram, motivadas pela campanha http://www.brasilpost.com.br/news/primeiroassedio/">#primeiroassédio criada pelo http://thinkolga.com/">ThinkOlga).
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No mesmo mês, com a aprovação do famigerado http://www.brasilpost.com.br/2015/10/31/mulheres-contra-cunha_n_8443244.html">PL 5069 de Eduardo Cunha, pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, que dificulta o já sofrido e traumático caminho da vítima de violência sexual que procura o Sistema de Saúde, milhares de mulheres ocuparam as ruas contra o retrocesso, gritando palavras de ordem como "meu útero é laico", "meu corpo, minhas regras" e "Cunha sai, a pílula fica!". E a sociedade passou a refletir como nunca antes sobre temas como estupro, autonomia do corpo, direitos sexuais e reprodutivos. - -
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Nos dias 24 e 25 de outubro mais de sete milhões de alunos do ensino médio que fizeram a prova do http://www.brasilpost.com.br/2015/10/26/enem-feminista-2015_n_8389038.html">Enem, tiveram que refletir sobre a célebre frase de Simone de Beauvoir "Ninguém nasce mulher, torna-se mulher" e consequentemente sobre a questão de gênero.
Também tiveram que dissertar sobre "A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira", o que exigia a análise das causas sociais desse tipo de criminalidade, aspectos do patriarcado e do machismo estruturante.
A repercussão do tema sofreu intenso ataque por parte dos conservadores, que trataram de manifestar repúdio à apelidada "imposição da ideologia de gênero", com propagação de boatos permeados pela desonestidade intelectual.
Mas o tiro saiu pela culatra e todo esse debate acabou despertando ainda mais a sociedade para a importância de tratar das questões de gênero em todas as esferas, sobretudo na educação.
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Paralelamente a isso, no cenário mundial, o ano foi de discursos inflamados pela equidade de gênero nas premiações do http://www.brasilpost.com.br/2015/03/12/patricia-arquette-onu_n_6857088.html">Oscar e http://www.brasilpost.com.br/2015/09/21/viola-davis-discurso-emmy_n_8170162.html">Emmy Awards, especialmente pelas atrizes Patricia Arquette e Viola Davis, cujas reinvindicações por igualdade de salários e representatividade no cinema, respectivamente, foram replicadas milhares de vezes nas redes sociais.
| Segue abaixo trechos de outros artigos (que me pareceram que faltaram no artigo original que lemos até aqui), também sobre o protagonismo das mulheres em 2015. No final destes trechos, continuamos com o artigo original. |
TransfeminismoMulheres http://ebc.com.br/trans">transexuais ganharam mais espaço e visibilidade este ano. A estudante pernambucana Maria Clara Araújo se tornou a primeira garota-propaganda trans do Brasil ao representar uma marca de cosméticos. Já Candy Mel, da Banda Uó, estrelou uma campanha de prevenção sobre o câncer de mama, na mobilização do Outuro Rosa. Também chamou a atenção por aqui a transição da ex-atleta norte-americana Caitlyn Jenner, acompanhada em parte por dois reality shows.http://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/51a4fdd260b77d51f3d7dbfcbe2fef163.gif" rel="attachment wp-att-905"> Â |
Brasileiras brilham na disputa por vaga no OscarCom Que Horas ela Volta?, Anna Muylaert se tornou a primeira mulher em 30 anos a ser escolhida para representar o país na premiação. Em 1986, o filme escolhido para disputar um lugar entre os candidatos a Melhor Filme Estrangeiro foi A Hora da Estrela, de Suzana Amaral. A relação dos filmes que disputam a próxima edição do prêmio será divulgada no dia 14 de janeiro. A produção de Muylaert também tem duas mulheres como protagonistas: Regina Casé e Camila Márdila, que interpretam mãe e filha e levaram o Prêmio Especial do Júri de melhor atuação no festival de Sundance.http://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/e500e1df84d89992d3ce354c4f40d6993.jpeg" rel="attachment wp-att-906"> Â |
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Casos de racismo contra mulheresEm 2015, personalidades como a jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju, e as atrizes Taís Araújo e Cris Viana foram vítimas de comentários racistas nas redes sociais, muitos permeados por ofensas de cunho machista. As três responderam enfatizando a importância da diversidade e da denúncia às autoridades. Em entrevista ao http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil">Repórter Brasil, a consulesa da França em São Paulo, Alexandra Loras, falou também sobre discriminação racial e as barreiras para a ascensão social da mulher negra. |
Vamos Juntas?A ideia é simples: está andando sozinha em uma situação de risco e viu outra mulher no mesmo barco? Continuem o caminho juntas. Criado pela jornalista Babi Souza, o movimento estimula a união de mulheres contra a insegurança nas ruas. A página no Facebook reúne hoje depoimentos de internautas que conseguiram evitar que outras mulheres fossem assaltadas ou estupradas.Saiba mais no Repórter Brasil: http://youtu.be/Hr7Gh3MwiXs">http://youtu.be/Hr7Gh3MwiXs |
#AgoraÉQueSãoElasA iniciativa sugeriu a homens com destacado espaço na mídia que cedessem espaço para que uma mulher escrevesse. O objetivo foi reconhecer "a urgência da luta feminista por igualdade de gênero e o protagonismo feminino nesta luta", como escreveu em seu perfil no Facebook Manoela Miklos, http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2015-11/mulheres-pedem-igualdade-de-genero-na-acao-agoraequesaoelas">criadora da campanha. |
Viola Davis é a primeira mulher negra a ganhar um EmmyA atriz foi premiada em setembro como melhor atriz em série dramática por How to Get Away With Murder e emocionou a plateia com seu discurso. "A única coisa que separa mulheres de cor de qualquer outra pessoa é a oportunidade. Não se pode ganhar um Emmy por papéis que simplesmente não existem", disse.http://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/39fc4b863f4c4cb85490ab350542b4a33.gif" rel="attachment wp-att-912"> Â |
Mães em evidênciaA defesa do protagonismo da mulher no parto e da redução de cesarianas desnecessárias ganhou força este ano. A humanização do parto, o fim da violência obstétrica e o incentivo ao parto natural também. Outro aspecto sobre a maternidade que recebeu destaque foi o direito de amamentar em espaços públicos sem passar por constrangimentos. Em abril, os estabelecimentos da capital paulista que proibirem o aleitamento materno passaram a ficar sujeitos a multa. Em novembro, foi a vez do governo do Rio de Janeiro sancionar a meida para todo o estado.http://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/0e9f1da73c719f788cca5c139b6c2c963.gif" rel="attachment wp-att-907"> Â |
#MeuAmigoSecretoCriada pela página Não Me Kahlo e fazendo uma irônica alusão à tradicional brincadeira de fim de ano, a campanha estimulou a divulgação de casos de machismo vivenciados pelas internautas em seu círculo íntimo. O movimento fez surgir denúncias de crimes como estupro, pedofilia e violência contra a mulher.http://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/40fa5316c97525b99bd6f496151d399c3.png" rel="attachment wp-att-908"> Â |
#OcupaEscolaCom a proposta de reorganização escolar estadual pelo governo de São Paulo e a previsão de mais de 90 escolas fechadas em 2016, estudantes decidiram protestar com ocupações em unidades de educação e manfestações nas ruas. A participação feminina no movimento é marcante. No dia 4 de dezembro, Geraldo Alckmin recuou, anunciando a http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2015-12/alckmin-suspende-reorganizacao-escolar-em-sao-paulo">suspensão da medida, para que seja aberto diálogo com a comunidade escolar. |
| Abaixo, o mesmo só que a partir do site da SPM (http://www.spm.gov.br/restrospectiva-spm-2015">http://www.spm.gov.br/restrospectiva-spm-2015): |
Retrospectiva SPM 2015Inauguração da Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande/MShttp://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/6b44ba454d6e1b620159053c8b374b3c3.jpeg" rel="attachment wp-att-925"> Lançamento da 6a. Edição do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raçahttp://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/2da63e23aec790d815a71020f6f417e13.jpeg" rel="attachment wp-att-929"> Campanha voltada à saúde de mulheres lésbicas e bissexuaishttp://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/af2d8f3d7796f91160bef16d558188513.jpeg" rel="attachment wp-att-930"> Sanção da Lei do Feminicídiohttp://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/a0f544584b6acea0ecc5a9493b71ac863.jpeg" rel="attachment wp-att-923"> NOTA OFICIAL - Sobre a Redação do Enemhttp://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/4f6c3195cc79f796268610e6bdcae4ad3.png" rel="attachment wp-att-924"> 4a. Conferência Nacional de Políticas para as Mulhereshttp://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/7a929b3beaa548b563d861e887601f643.png" rel="attachment wp-att-927"> Lançamento do Mapa da Violência 2015http://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/4c632aadb71e1f994d6ff534d9fef30e3.jpeg" rel="attachment wp-att-928"> 9 anos da Lei Maria da Penhahttp://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/f00a525bc51a4b081858efb3787fb42f3.jpeg" rel="attachment wp-att-910"> Inauguração da Casa da Mulher Brasileira em Brasíliahttp://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/8c7e9d48efffa00d82b8569b93b9121c3.jpeg" rel="attachment wp-att-909"> Marcha das Margaridashttp://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/d897928d2bd3aab8ea477571368789873.jpeg" rel="attachment wp-att-922"> Lançamento do Protocolo de Atendimento CMBhttp://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/831d606fb8a5b4a0822060e041cd60933.jpeg" rel="attachment wp-att-932"> Entrega do Selo da 5a. Edição do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raçahttp://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/e9c789b035fd6952d5c444d81fc564b23.jpeg" rel="attachment wp-att-917"> 10 anos do Ligue 180http://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/be463dbccd2c8bb88ca1b7ef193b8bce3.jpeg" rel="attachment wp-att-921"> Marcha das Mulheres Negrashttp://ecosolfeministafbes.files.wordpress.com/2016/01/bfc372a5c93f04eed4bde44f3953572b3.jpeg" rel="attachment wp-att-913">
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As protagonistas de 2015 foram as http://www.brasilpost.com.br/news/mulheres">mulheres, acho que disso ninguém duvida.
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Mas que mulheres?
O grande destaque do filme http://www.brasilpost.com.br/2015/12/28/sufragistas-vida-real_n_8886032.html">As Sufragistas que passou a ser exibido no Brasil este mês (não vou me aprofundar nas críticas, mas desde já concordo com aquelas relacionadas à falta de representatividade da mulher negra e imigrante) é ter contado a história da luta pelo direito do voto feminino sob a perspectiva das mulheres anônimas, que aderiram ao movimento e efetivamente fizeram toda a diferença.
Da mesma forma, ao final de um ano de muito trabalho pelos direitos das mulheres e tendo acompanhado diversas iniciativas anônimas, que tiveram a importância de mudar a vida de milhares de meninas e mulheres, dando-lhes a oportunidade de escolha por uma vida livre de discriminação e violência, me parece justo dizer que em 2015, foram elas, essas mulheres desconhecidas, que não têm acesso à mídia e não estão na mira de holofotes, que protagonizaram grandes transformações na busca por uma sociedade mais igualitária. E a elas direciono toda minha admiração.
Minhas eleitas são as ativistas que trabalham diariamente nas periferias mais esquecidas deste País, sem qualquer estrutura, com o objetivo de orientar meninas e mulheres sobre seus direitos.
As educadoras que reconhecem desde sempre a importância de trabalhar as relações de gênero nas escolas e universidades, como forma de respeito à diversidade e prevenção da violência.
As promotoras de justiça, juízas, delegadas, defensoras públicas e advogadas de todo o País, que muitas vezes precisam enfrentar o machismo dentro de suas próprias instituições, para lutar pelos direitos humanos de mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade social.
As assistentes sociais, psicólogas e outras técnicas, agentes comunitárias e profissionais da área da saúde, que trabalham diariamente nos serviços de atendimento à mulher, quase sempre precarizados.
As guardas civis do http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/politicas_para_as_mulheres/noticias/?p=198238">Projeto Guardiã Maria da Penha, que diariamente visitam casas de mulheres que sofreram violência por parte de seus parceiros ou ex-parceiros, proporcionando acolhimento, orientação e fiscalização do cumprimento de medidas protetivas concedidas judicialmente.
As meninas dos coletivos feministas das universidades que enfrentam todo tipo de preconceito para lutar pelo fim dos atos de discriminação contra a mulher no ambiente universitário.
As muitas ativistas digitais e blogueiras que são responsáveis por mobilizar milhares de mulheres em torno de temas feministas e campanhas de conscientização.
As publicitárias que começam a provocar uma nova forma de fazer propaganda, que não objetifica, idiotiza ou sexualiza a mulher.
E, por fim, todas as mulheres que sofreram qualquer ato de discriminação e violência e conseguiram romper com o silêncio, buscar ajuda, denunciar e, com isso, motivar outras tantas mulheres, assim como impulsionar as políticas públicas de enfrentamento.
O ano de 2015 é delas e todos os méritos das conquistas que tivemos também.
Então que venha 2016. E sem paradoxos.
Menos caótico, turbulento, cruel no cenário político, econômico, ambiental, social e ético, para erradicarmos os rompantes de Trevas, ao mesmo tempo em que amplie os espectros de Luz para novos avanços rumo à equidade de gênero.
Com a esperança de que as sementes plantadas no ano que se vai se revertam em resultados efetivos para todas as mulheres.
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