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January 13, 2009 0:00 , by Unknown - | 1 person following this article.

Esperança nas ruas: de Nova York a Hong Kong, a cidadania se move por um mundo melhor

September 30, 2014 21:03, by Débora Nunes - 0no comments yet

Nesse início de primavera aconteceram eventos nos dois extremos do globo motivados por temas mobilizadores de cidadãos e cidadãs do planeta. Enquanto jovens chineses de Hong Kong manifestam-se por democracia e podem estar construindo a primavera asiática, milhares de pessoas foram às ruas no domingo 21 de setembro de 2014 para exigir que os governos tomem medidas drásticas para diminuir as emissões de gases de efeito estufa. A manifestação em Nova York mobilizou cerca de 300 mil pessoas e contou com a presença de Ban Ki Moon, secretário geral da ONU. Cerca de duas mil manifestações aconteceram por todo o planeta e trazem esperança para aqueles que há anos se envolvem na sensibilização da cidadania em torno das mudanças climáticas.

Os últimos dados sobre o degelo no ártico e a emissão de metano que pode acelerar rapidamente o aquecimento global não são alarmantes, pois os dados anteriores já o eram. Eles são simplesmente desnorteantes, na medida em que afirmam que o mundo em que vivemos já não será o mesmo nos anos vindouros. Encontrar um norte significa preparar-se para a transição. Não será possível reduzir as emissões sem mudar os modos de vida e de consumo das pessoas. Isto não é simples, mas será inevitável em um planeta em que a relativa estabilidade do clima, do fornecimento de água, do preço dos alimentos, etc. não seja mais garantida. Assumir o desperdício como um delito, passar a atentar para o modo como cada produto que consumimos é produzido, exigir durabilidade e renunciar às novidades que surgem a cada dia, entre tantos gestos necessários... Se o mundo é resultado daquilo que fazemos todos os dias, mudar o modo de vida é mudar o sistema econômico e social, é questionar o capitalismo e sua lógica destrutiva

Por outro lado, pensar na responsabilidade de cada pessoa para com o destino da humanidade significa também avançar no controle social dos governos em todos os níveis. Avanços democráticos precisam acontecer onde eles não existem, como na China. Nos países democráticos é a própria democracia representativa que é questionada, buscando-se avançar para uma democracia participativa. Mudanças tão drásticas podem trazer medos, porém, provavelmente, não haverá outro caminho do que a transição para um mundo mais sustentável e democrático. Esta é a ótima notícia que vem das ruas. Uma vida mais simples, mais sóbria, mais engajada nas questões coletivas, mais cooperativa, já é a opção de muitas pessoas que se manifestam e oferecem assim caminhos que precisam ser melhor conhecidos. Algumas pistas podem ser dadas seguindo as diferentes ações da economia solidária, do consumo consciente, das ecovilas e cidades em transição, das medicinas alternativas, da permacultura, etc.

 

Boa transição a todos e a todas! 

 



Permacultura: prática do futuro emergente

September 15, 2014 21:05, by Débora Nunes - 0no comments yet

 

Num mundo no qual o rápido, o fugaz e o superficial ainda são majoritários, não é estranho que alguém tenha pensado na cultura do que permanece.  Toda a história humana se fez assim: enquanto a maioria está em um estágio, há os que já pensam e vivem como o tempo que virá. Bill Mollison e David Holmgren fazem parte destes construtores de futuro e não é à toa que o conceito de Permacultura, criado por eles na Austrália no final dos anos 70, seja hoje tão importante no mundo todo.  

Envolvendo práticas agrícolas tradicionais e descobertas científicas contemporâneas, a permacultura significa criar ambientes sustentáveis, favoráveis à vida. Seja no campo ou na cidade, a integração de plantas, animais e humanos de forma mais próxima aos ecossistemas naturais significa perenidade, como só a Natureza sabe fazer. Quando a observamos e integramos seus princípios e significados, podemos planejar e intervir de forma permanente e contribuir para a abundância de alimentos, a conservação do solo e das espécies e o bem estar humano.

A Permacultura está na base da agricultura orgânica, da agroecologia, das agroflorestas, das ecovilas e de tantas outras iniciativas que vão se tornando cada vez mais conhecidas e respeitadas. Ela significa a busca de uma vida mais próxima e harmônica com a Natureza, encontrando seu próprio lugar e entendendo o lugar de cada outro elemento da grande Teia da Vida. Pra se iniciar no tema, o vídeo Como os lobos mudam rios, mostra, em emocionantes quatro minutos, toda a interconexão e interdependência que existe na Natureza e que a permacultura busca respeitar. Pra saber um pouco mais acesse o resumo do livro Os Fundamentos da Permacultura de David Holmgren e busque conhecer iniciativas de destaque como o Instituto de Permacultura da Bahia ou o Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado .

 

Conheça a bela síntese " A flor da permacultura"

https://www.permacultureprinciples.com/pt/pc_flower_poster_pt.pdf

 



A sociedade civil mundial avança: boa notícia para o mundo

September 7, 2014 13:38, by Débora Nunes - 0no comments yet

O novo milênio trouxe boas notícias com a articulação cada vez mais consistente de movimentos cidadãos em escala internacional. A primeira notícia alvissareira foi a organização do Fórum Social Mundial em Porto Alegre em 2001, com o slogan Outro mundo é possível. Desde aí o FSM só vem crescendo e articulando movimentos sociais em escala planetária, renovando um importante impulsionador da história humana que é a união dos que desejam mudanças. As conferências governamentais, particularmente sobre o clima, como a Rio+20, têm sido outro momento formidável de mobilização mundial.  Em 2012, no Rio de Janeiro, cerca de 300 mil pessoas mostraram alternativas para outro desenvolvimento do mundo, mais justo, sustentável e solidário.

Uma das redes internacionais presentes neste evento, a rede Diálogos em humanidade, tem presença destacada aqui em Salvador e está instalada em quatro continentes, se propondo a ser um “fórum global sobre a questão humana”. O evento baiano da rede é o Brechó Eco-solidário, que trabalha com troca de bens usados e moeda social e é inteiramente construído de maneira autogestionária, por voluntários/as. Os demais eventos da rede Diálogos em humanidade também trazem exemplos de “práticas do futuro emergente” para a construção de um mundo melhor.

Nos eventos  da rede Diálogos ocorrem rodas de discussão entre cidadãos comuns que focam os desafios da humanidade para além das discussões sobre o papel das classes sociais, dos governos, dos espaços geográficos. Pergunta-se nestes diálogos: o que em nós humanos constrói os resultados concretos que vemos no mundo em termos sociais, econômicos e políticos? Como os sentimentos genuinamente humanos – o medo e o amor, a raiva e a compaixão, o egoísmo e a generosidade, entre outros – conformam o estar no mundo da humanidade? Quando esta dimensão dos problemas humanos é tratada, fica mais fácil entender a máxima de Gandhi: “nós precisamos ser a mudança que queremos ver” e fica mais fácil engajar-se com profundidade. 



Sobre o dinheiro e a alma

September 1, 2014 21:52, by Débora Nunes - 0no comments yet

Pesquisas recentes apontam uma leitura nada comum sobre a origem do dinheiro. Seu surgimento não estaria vinculado à facilitação das trocas de bens, substituindo com vantagens o escambo, a troca direta. Antes da razão prática ele teria sido criado por razões espirituais, para negociar com o divino. As primeiras moedas, segundo esta versão, teriam sido animais oferecidos aos deuses em troca de favores solicitados desde tempos imemoriais: chuva, sol, boa colheita, etc. Esta versão abre outra perspectiva de relação com o dinheiro que não é nem a da adoração, tão comum, nem a da execração. Ela vai além, entendendo seu papel simbólico e ajudando a compreender a alma humana.

 

Um dos motivos da adoração ao dinheiro é seu poder de evitar frustrações. Quem tem dinheiro não precisa o tempo todo priorizar, escolher. Pode, em termos materiais, ter “tudo” o que deseja, em comparação à média das pessoas. Outro conforto que o dinheiro traz, é o próprio conforto: paga serviços, bens e situações que evitam trabalho. Não é à toa que o dinheiro é normalmente tão cobiçado e que quem aparenta possuí-lo está tão exposto à inveja. Os motivos que cada pessoa elege para valorizar o dinheiro são um bom caminho do processo de autoconhecimento: ele pode ser um revelador de desprendimento, mas também de apego. Ele pode mostrar o cuidado consigo e com os outros, ou pode ser usado para controlar as pessoas. O dinheiro pensado com força de vida, como energia condensada, pode nos ajudar no caminho da coerência, usando-o para moldar o mundo que queremos.

É possível destacar duas relações profundas do dinheiro com a alma: a liberdade de escolha que o dinheiro permite e a promessa de aprovação social que ele oferece. Pensando que cada ser humano tem no seu DNA desejos de liberdade e de reconhecimento do seu valor, vê-se que todos tentam, por diferentes meios, cumprir estes desejos. A maioria tenta ser útil, trabalha no que lhe cabe buscando mostrar seu mérito, tenta ser bom pai, mãe, filho, amigo, colega de trabalho, etc., confiando colher amor e respeito de si mesmo e dos outros. O dinheiro entra aí desestabilizando a equação social. Como poderoso motor de reconhecimento, particularmente numa sociedade consumista, ajuda na criação de uma imagem pública favorável até para quem não tem mérito e usa o dinheiro para criar, acelerar ou aprofundar a desejada admiração pública.

Costuma-se separar, e é justo que se faça, aqueles que obtêm dinheiro por mérito do trabalho árduo, daqueles que o obtêm por meios escusos. Quando se obtém dinheiro por algo meritório, o desejo de reconhecimento através desse tenderia a ser menor, pois a atividade que causou sua obtenção já traz também reconhecimento, e assim não se necessitaria de exposição de poder econômico. Pode-se pensar que o apego exagerado ao dinheiro, e mesmo a exibição pública daquilo que ele proporciona, estaria mais presente naqueles que não têm outros merecimentos para serem reconhecidos, ou que intimamente duvidam de seu próprio valor. Nestes casos, que parecem ser frequentes, o dinheiro pode facilmente virar uma prisão, ao invés de um instrumento de liberdade de escolhas.

Se olhamos o dinheiro de modo mais espiritualizado, de fato é possível perceber caminhos da alma através das formas de sua presença diária na vida de cada um. Para aqueles que querem uma existência plena, não é possível ignorar como o dinheiro lhes afeta, nem desconhecer que ele é também uma metáfora de poder. A alma, ou a consciência de cada um, não quer subterfúgios, não quer vender ilusões a si mesma ou aos outros. Ao invés de execrá-lo, talvez a melhor forma de vencer o poder do dinheiro seja simplesmente olhá-lo de frente, como o que ele de fato é: um instrumento, um objeto, que tem o sentido que lhe damos. Como diz a música de Frejat “desejo que você ganhe dinheiro, pois é preciso viver também... E que você diga a ele, pelo menos uma vez, quem é mesmo o dono de quem...”.

 

Outro link relacionado: "Sobre o ter e o ter"



Um pouco da sabedoria do Yoga

August 24, 2014 10:29, by Débora Nunes - 0no comments yet

É comum pensar no Yoga como uma ginástica vinda da Índia, na qual as pessoas executam, ao som de música suave, belos exercícios de alongamento que ajudam a manter o corpo em forma, com equilíbrio e flexibilidade. Tudo isso é verdade, mas é a ponta do iceberg do universo do Yoga, que é também uma forma de exercício espiritual e uma via de cura, imersas numa concepção de mundo na qual tudo é um. Corpo e emoções, mente e alma estão completamente interligados e podem ser curados de desarmonias pela via do Yoga, que inclui a plena absorção da energia vital, o “prana”, através de práticas respiratórias.

Surgida na Índia há cerca de cinco mil anos, a prática tem uma dimensão devocional que inclui cânticos (mantras) e posturas meditativas que facilitam o contato com o divino. Como a palavra Yoga significa “união” e sua prática se propõe ser um caminho para a “iluminação”, pode-se destacar sua vocação para ser um caminho de autoconsciência. Iluminação sendo entendida aqui como a união entre a pessoa e o divino em si, a autenticidade na aceitação de seus talentos e suas sombras, do destino do Universo e do seu próprio.  A prática do Yoga é um caminho de busca da alegria de viver, que, no dizer de Gandhi, é encontrada quando existe coerência entre o que se faz, o que se pensa e o que sente. Integração.

Na prática do Yoga é-se convidado a uma concentração profunda da mente no funcionamento do corpo. Ao realizar uma postura tradicional, chamada “ásana”, em ritmo respiratório definido, por exemplo, inspirar ao subir, expirar ao descer, a mente é chamada a concentrar-se em algo que se está realizando no momento, o que a libera de quaisquer outras preocupações. Esta concentração meditativa é uma das portas que o Yoga abre para a união entre corpo, mente e espírito. Sem esta união não há possibilidade de um aprofundamento da consciência, nem de saúde perfeita. A relação do Yoga com a medicina ayurvédica indiana é assim, profunda.

Os ásanas e os exercícios respiratórios do Yoga acionam os centros de energia do corpo segundo a medicina ayurvédica, chamados de “chacras”, e ajudar a manter e recuperar a saúde. A relação entre os sete chacras principais e cada parte do corpo, as funções corpóreas, as emoções, as dimensões sutis do ser humano e os elementos do universo foram por mim resumidas num desenho anexo. A prática contínua do Yoga, para além dos benefícios físicos ajudam a perceber o longo caminho do auto aperfeiçoamento e a entender melhor a contribuição de cada ser para a constante transformação do Universo em direção a mais amor.

 



"Revoluções tranquilas": A África dá exemplo ao primeiro mundo

August 14, 2014 22:08, by Débora Nunes - 0no comments yet

A experiência da "cidade rural verde" de Songhai é espantosa. É impressionante que um pais pobre como o Benin, na costa oeste da África, possa mostrar ao mundo tal exemplo de produção limpa com energias renováveis, lixo zero e criação de empregos decentes. Tudo isto em harmonia completa com a Natureza. Não seria este o sonho do “primeiro mundo”? pois há muito mais: formação, pesquisa, serviços de saúde,  incentivo ao empreendedorismo...Não é a toa que Songhai e seu modelo de desenvolvimento, tenha como slogan a expressão "A África levanta a cabeça".

 

O nome Songhai foi emprestado de um poderoso e dinâmico império africano do século XV. Segundo o padre dominicano Godfrey Nzamujo, fundador e animador das experiências Songhai desde 1985, os valores desta civilização eram: visão, coragem, criatividade, sentido do bem comum, disciplina e solidariedade. A equipe de Songhai vem formando, com base nesses valores, gerações de dirigentes que coordenam experiências implantadas em vários países e melhoram a vida de milhares de pessoas.

O que se vê na sede histórica do projeto no subúrbio de Porto Novo, capital do Benin, é uma impecável limpeza e organização, na qual os jardins que produzem alimentos e embelezam o sítio são adubados com a compostagem dos dejetos animais e humanos que também viram energia por biogás. Tudo é vendido fresco, a preços acessíveis, ou processado em indústrias cujas máquinas são fabricadas ali mesmo, muitas delas com latas de alumínio reutilizadas, idealizadas por mecânicos locais e que funcionam com energia produzida ali mesmo. Um exemplo de permacultura.

Os produtos, orgânicos, são de excelente qualidade e não vão todos para o exterior a preços inacessíveis: o alvo da produção Songhai é o povo pobre do Benim mesmo, numa economia chamada por eles de “de comunhão”. Os avanços tecnológicos desta experiência maravilhosas devem muito ao Pe. Godfrey, doutor em eletrônica, microbiologia e ciências do desenvolvimento. Os avanços humanos são uma conquista coletiva que se celebra a cada domingo numa alegre e colorida missa celebrada na pequena capela que transborda de gente que canta a liberdade de construir seu próprio destino.

 

Conheça o site em francês e inglês

https://www.songhai.org/index.php?lang=fr 



Paz: Israelenses e Palestinos convivendo respeitosamente

August 7, 2014 17:09, by Débora Nunes - 0no comments yet

Cada um nós se angustia com este conflito sem fim. Temos um sentimento de impotência que se agrava pelo fato de termos visto o fiasco de tantas tentativas de paz. Uma nova força está surgindo neste conflito: nós, a sociedade civil, os/as cidadãos que querem o bom, o justo e o belo.

Veja a petição que já foi assinada por quase dois milhões de pessoas no mundo inteiro. Seja uma delas e vamos mostrar que estamos atentos/as, que nos preparamos para outras formas de ação, mas já demos o primeiro passo. 

 

https://secure.avaaz.org/po/israel_palestine_this_is_how_it_ends_rb/?bgopYdb&v=42866

Se tem dúvidas,  veja uma excelente apresentação que tenta trazer mais clareza: IsraelPalestina_.pps



Baixe o livro Por uma Sobriedade Feliz

August 1, 2014 14:43, by Débora Nunes - 0no comments yet

Este belo livro de Patrick Viveret origina-se em uma palestra deste filósofo francês. O desafio de ser feliz com simplicidade, em conexão construtiva e criativa consigo mesmo, com os outros e com a Natureza, é o seu objeto. Fiquei encantada com a largueza do mundo e a singeleza do cotidiano que ali se encontra e resolvi tornar este trabalho acessível ao público brasileiro, traduzindo-o.  Patrick Viveret é co-fundador do movimento internacional “Dialogues en humanité”, do qual o Brechó Eco- solidário é um dos representantes brasileiros e que pode ser conhecida no site http://dialoguesenhumanite.org/ 

 

O livro encontra-se esgotado, mas você pode ter acesso a ele clicando abaixo.

por_uma_sobriedade_feliz.pdf



"Revoluções tranquilas": O Brechó Eco Solidário é uma delas

July 25, 2014 15:54, by Débora Nunes - 0no comments yet

Aqui pertinho de nós, em Salvador, existe um mercado que funciona com base na abundância, no qual a moeda sobra e chega a pobre e ricos. A cada ano, no Parque da Cidade, centenas de pessoas trabalham para mostrar que outro mundo é possível e está em construção. A moeda social "grão" circula alegremente e seriamente movendo uma experiencia que começou em 2006, da qual milhares de pessoas já tomaram parte e sobre a qual a mídia quase nunca fala, preferindo tiros, pancadaria, guerras, catástrofes.

Muitas outras "revoluções tranquilas" estão acontecendo no mundo, sem fazer alarde. Bénédicte Manier, que escreveu um livro sobre o assunto, fala de "um milhão" de pequenas revoluções realizadas por cidadãos comuns pelo mundo afora. Pretendo falar destas experiências que nutrem a esperança, que impulsionam a crença de que é possível contribuir pra construir um mundo melhor. Começo pelo nosso Brechó, que além de um mercado alternativo de bens usados, tem terapias holísticas, cultura popular, educação ambiental. explosição de arte reciclada e Diálogos sobre soluções para as questões que nos afligem.

Para conhecer melhor o evento, saboreie o  vídeo abaixo. Alegre-se, esta bela experiência existe, é construida autogestionariamente e precisa de todos/as. Se quiser ser voluntário/a,  baixe o texto informativo e veja como inscrever-se. Se não pode, seja um consumidor consciente, separe objetos usados em bom estado e venha para o Parque da Cidade nos dias 24 e 25 de outubro para comprar objetos úteis com o "grão".

Inscrição_voluntários_brechó_2014_pdf_correto.pdf



Sobre o ter e o ter

July 22, 2014 18:14, by Débora Nunes - 0no comments yet

Ouvimos ad nauseum que vivemos um tempo em que o ter é mais importante que o ser. A frase é inócua, pois é raríssimo que um ser humano normal não ache que o ser é pelo menos tão importante quanto o ter, portanto não há desacordo e não se avança. Difícil então é questionar-se sobre a relação positiva e profunda de cada pessoa com o ter. Para chegar mais rápido ao ponto, evoco a velha roupa bonita, macia de tão usada, cheia de lembranças de coisas vividas e que é tão difícil de aposentar. Esta relação afetiva com o ter, com algo que tem significação para o ser profundo, é que precisa ser valorizada.

Num mundo de modas rápidas e produtos descartáveis, seria necessário uma relação mais densa com o ter, que prolongue e dê significado aos objetos. O que existe abundantemente é uma relação viciosa com o comprar. A emoção de adquirir algo novo, sem defeitos, sem história. Tanto que, pros mais endinheirados, é comum esquecerem nos armários o que compraram após consumirem a emoção do momento da compra. O mesmo “vício” é a relação com o descartável, com o prático, o que não dá trabalho, o que desaparece após o uso dos nossos olhos sem deixar vestígios depois de passado o caminhão do lixo. Só que não desaparece de fato.

Dados os resultados do consumo sem fim para o planeta, este comportamento de ligeireza com o ter deverá ser revisto, sob pena de catástrofes climáticas cada vez mais cotidianas. A durabilidade do produto ano após ano, seja ele um prato, um computador ou uma geladeira, a reinvenção da roupa por um novo acessório ou nova combinação, a escolha criteriosa de produtos alimentícios que de fato construam nosso corpo e não distraiam nossa fome íntima serão a nova ordem. Do mesmo modo que consertar um objeto usado significará respeito por ele, por si mesmo e pelo mundo. A Seva Ioga, a ioga que praticamos trabalhando concentradamente, faz do gesto mais simples de colar cacos, remendar, lavar pratos e limpar ambientes, um ato de meditação, de encontro consigo mesmo, de respeito para com o objeto. Que o ter seja reabilitado, no bom sentido.

(Publiquei esse texto pela primeira vez em 22 de julho de 2014, avisando ao público que "A partir de hoje irei partilhar pequenos textos de minha autoria que refletem sobre a vida e/ou que compartilham experiencias inovadoras de coletivos cidadãos que estão mudando o mundo sem que este mundão velho da TV, do consumo e do vazio interior nem perceba...". De lá pra cá, tomei gosto pela partilha e sigo publicando co alegria)