DIA DA ECONOMIA SOLIDÁRIA
diciembre 15, 2010 0:00 - no comments yet
UM POUCO SOBRE A TRAJETÓRIA DO LIDER MANOEL CONCEIÇÃO SANTOS UM FIEL COMBATENTE DA ECONOMIA SOLIDÁRIA MARANHENSE
junio 22, 2010 0:00 - no comments yetDois anos depois, já na cidade de Imperatriz no Maranhão, ele se reúne e discute com outras pessoas uma ramificação do CENTRU no Maranhão. Graças a essa entidade foram criadas e organizadas associações e cooperativas pelo Maranhão, com a ajuda de recursos provindos de ONGS, órgãos governamentais brasileiros e estrangeiros. A partir do CENTRU foi possível a criação da escola sindical Padre Josimo. que desenvolveu uma proposta de capacitação em cooperativas e a implantação de culturas permanentes em oitos municípios do Maranhão.
No início da década de noventa, o líder camponês é um dos articuladores para a criação do Centro Nacional de Apoio as Populações Tradicionais (CNPT). Paralela a criação desta entidade, se coloca como um dos defensores e articuladores na criação da primeira reserva extrativista da Região Tocantina, a reserva do Ciriaco. O CNPT, desde a fundação acompanha a reserva na elaboração de projetos, bem como em outros fatores relacionados à organização política e econômica da reserva. Além disso, o este órgão acompanha outros grupos de populações tradicionais pela região e defende a criação da nova reserva extrativista, a da Mata Grande (em processo de realização) nas proximidades de Imperatriz.
No mesmo ano participou da articulação da Rede Frutos do Cerrado em dez municípios, sendo apenas um no Tocantins. Esse projeto visa o desenvolvimento da cultura dos produtos nativos dessa região, visando, além do cultivo, a preservação e a defesa contra os devastadores que visam mais o lucro imediato que a preservação das riquezas vegetal e animal.
Em 1994, lança-se a candidato a senador pelo PT, no Maranhão, sem perder os princípios políticos que sempre defendeu sua vida inteira, apesar de não ter sido eleito, teve a simpatia de 111 mil eleitores que votaram no projeto defendido por ele. Três anos depois, torna-se coordenador nacional do CENTRU, além da coordenação maranhense, fez parte ainda do Conselho Nacional dos Seringueiros.
Depois dessa campanha política, praticamente não esteve envolvido com o partido na esfera burocrática. Seus trabalhos, desde então, têm se dado mais no âmbito social, não partidário, pelo menos de forma direta. Manoel tem se dedicado bastante às atividades de organizar cooperativas no Maranhão, desde 1992 vem tentando consolidar um projeto de criação de pequenos animais acompanhado de implantação de culturas permanentes, na ótica do cooperativismo. Para fortalecer essa proposta, ele vem trabalhando com outras lideranças, os Grupos de Produção de Base (GPB’s), com esse tipo de organização as pessoas começam se organizando em quantidades pequenas para discutirem o que é melhor para a comunidade. Isso faz parte de uma prática que Manoel aprendeu em seus vários anos de convivência com movimentos e entidades classistas. A organização começa abrangendo poucas pessoas, depois associações, cooperativas e daí por diante.
Manoel participou diretamente da criação de oito cooperativas, que na sua forma de ver, é um instrumento imprescindível para o desenvolvimento de uma sociedade, de forma mais harmoniosa. Foram criadas as cooperativas de Imperatriz, João Lisboa, Amarante, Montes Altos, Estreito, Riachão, São Raimundo das Mangabeiras, Loreto e Balsas. Sem contar com a atuação indireta da criação das cooperativas de Viana e Caxias. Todas no sul do Maranhão.
Na sua ótica as entidades que lutam pelos trabalhadores rurais, devem aproximar-se mais das cooperativas, assim ele acredita que há mais chances de fortalecer essas cooperativas e oferecer maiores vantagens aos trabalhadores. Sem a aproximação de entidades e grupos afins, ele não acredita que possa algum trabalho social se desenvolver de forma eficiente, sempre correrá mais risco de fracassar.
No ano de 2002, Manoel participou da criação da Central de Cooperativas do Maranhão, com o intuito de fortalecer os laços do cooperativismo no estado, conseqüentemente, consolidar valores solidários entre os agricultores. Ao lado da participação na esfera da cooperativa, procurou se engajar em atividades com a mesma bandeira como a Rede Frutos do Cerrado que busca o desenvolvimento e preservação das frutas nativas com objetivo de proporcionar bem estar aos trabalhadores do Sul do Maranhão. Também se engajou na luta em favor da “economia solidária” (movimento de cunho internacional), intimamente relacionada à sua prática, fazendo parte do Conselho Nacional e da Comissão Gestora do Estado. A intenção é concretizar um modelo alternativo de sobrevivência material e cultural para as sociedades marginalizadas economicamente.
Enquanto a participação partidária, desde a fundação do seu partido, Manoel participa de suas atividades, concorrendo a mais uma eleição para presidente estadual em 2005 na qual perdeu, com suas propostas de reestruturação do partido. Após isso, tem-se dedicado mais em atividades do CENTRU e da CCAMA (Central de Cooperativas Agro-extrativistas do Maranhão). Ele vê um enorme problema a respeito de grande parte dos envolvidos no partido, é o fato de se afastarem dos movimentos sociais, da mesma forma as pessoas ligadas aos movimentos. (Santos, 2005, p. 7)
Para muitas pessoas falar de uma sociedade justa é sinônimo de arcaísmo, é algo ultrapassado e que não há mais possibilidades de dar certo, é mais fácil viver o individual e pregar o fracasso das tentativas. Para Mané as pessoas perderam a capacidade de sonhar. Ele vive e acredita nessa sociedade, não apenas observando, mas contribuindo ativamente para esse projeto de melhorar o mundo."
Ai está um pouco da trajetória de Manoel Conceição Santos, um combatente da Economia Solidária que sempre compreendeu a importância das lutas pela libertação do povo, através da vivência objetiva experimentada na construção cooperativa, autogestionária, democrática, respeitadora dos recursos ambientais, culturais e étnicos e que compreende a história dos povos como origem e fonte do saber. Só alguém com o perfil deste "Mané" sabe discernir claramente pela importância de se apoiar a candidaturas populares como reação legítima ao coronelismo e ao atraso que não querem "desencarnar" da vida maranhense.
Helbeth Oliva
CESOL Bahia - 1 ano de atividades
agosto 11, 2009 0:00 - no comments yet
Centro Público de Economia Solidária
Um ano de atividades, um ano de aprendizados.
Há quase dois anos uma equipe multidisciplinar foi formada para iniciar a proposta de Centro Público de Economia Solidária, uma metodologia apoiada pela SENAES, hoje implantada majoritariamente em versão municipal. No entanto, a Bahia lançou-se ao desafio de tornar a proposta estadual, uma inovação, que hoje serve de modelo para as muitas experiências país afora.
Desde as primeiras reuniões de estruturação no CAB, passando pelo Instituto Mauá do Pelourinho ao prédio colonial situado no coração comercial da cidade de Salvador, o Centro Público Estadual de Economia Solidária tem demonstrado sua função estratégica de mediar a ação do poder público com as demandas dos empreendimentos populares da Bahia.
Oferecendo uma base de serviços nas áreas jurídica, administrativa, de comercialização, de design, de comunicação, de assistência social, somente em 2009, foram realizados 397 atendimentos, acolhendo as demandas provenientes tanto da capital como do interior do estado.
Multifacetado que é, o CESOL serve de palco para manifestações artístico-culturais, para promoção de cursos de informática em software livre via Centro Digital de Cidadania, para acesso do público consumidor a produtos da EcoSol como roupas, acessórios, artesanato, produtos de papelaria reciclados. Além disso, as reuniões de fóruns, de redes e assessorias tem encontrado aqui um local acolhedor para suas práticas e dinâmicas solidárias.
Esta experiência pioneira já serve de base replicável, em termos metodológicos, para os Centros Públicos territoriais, que já iniciaram atividades como o do Portal do Sertão e de Vitória da Conquista, com técnicos já contratados. Ainda em fase de estruturação física, a implantação destes Centros Públicos já demonstra o caráter plural e a abrangência da política de Economia Solidária no estado.
Para avaliar este primeiro ano de atividades, foi realizado um evento que contou com a presença do secretário da SETRE, Sr. Nilton Vasconcelos, o superintendente de Economia Solidária, Sr. Helbeth Oliva, além de equipe técnica SESOL, empreendimentos populares, outros órgãos públicos, representantes da sociedade civil.
Que outros tantos momentos como este possam ser celebrados conjuntamente!
Um ano de atividades e de aprendizados que só reforçam o desejo de continuar a trabalhar!