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January 13, 2009 0:00 , by Unknown - | No one following this article yet.

AS BICICLETAS DE DAVID BYRNE

July 14, 2011 0:00, by Unknown - 0no comments yet

A mesa 16 da FLIP 2011 apresentou David Byrne, o criador dos Talking Heads, que defende o transporte alternativo como forma de contribuir para a não poluição do meio ambiente e costuma pedalar sua bicicleta pelo mundo todo, inclusive quando viaja em turnês. Seu livro Diários de bicicleta relata suas impressões e vivências das cidades por onde passou. Segundo Byrne, a cidade é lugar de encontro, de troca e por onde viajou viu muitos espaços ociosos e abandonados e cidades mal estruturadas fisicamente. Antes de ser anunciado, foi exibido um vídeo sobre a bicicleta retratada no cinema e sua palestra foi ilustrada por slides de cidades que conheceu, apontando falhas e as melhorias possíveis. David Byrne chamou a atenção para áreas que são zonas mortas, que só servem para estacionamento, onde não há lojas, praças, nenhuma interação entre as pessoas. Um de seus slides tratava-se de uma Plaza na Itália, onde não é proibido entrar carros, mas acabam não trafegando, dando a preferência para os ciclistas. Dá exemplos de cidades, como no México, de ruas que em alguns dias são só utilizadas pelos pedestres. Ele disse que as cidades podem ser transformadas de várias formas e citou exemplos inclusive no Brasil, como o grupo Afro Reggae, que vem transformando as favelas. Citou também as favelas da Holanda, que tiveram as casas todas coloridas para ficarem mais receptivas.
A vantagem do uso da bicicleta é que nos proporciona uma maior visão das paisagens e dos problemas urbanos, que muitas vezes são ignoradas quando estamos de carro. Lembrou que o uso de bicicleta faz diminuir o número de acidentes de automóveis. David contou que há cidades que incentivam o uso de bicicleta com descontos em impostos, através de um sinalizador que é colocado na bike. Outro exemplo citado por Byrne, no Brasil, foram as faixas de pedestres e ciclistas por toda a avenida de Curitiba e que foi copiado por Bogotá. Citou Copenhague, Berlim e Amisterdã como as cidades que possuem as melhores ciclovias, dentre as que conheceu.
Seu companheiro de mesa, o engenheiro Eduardo Vasconcellos, expôs de forma realista a questão do transporte alternativo no Brasil. Começou dizendo que muitas alternativas que servem para países ricos não são eficazes para países em desenvolvimento. A cidadania e a democracia em países ricos são mais fortes e são novas e frágeis em países emergentes. Quem é pedestre e usa bicicleta como meio de transporte não tem influência nas políticas públicas e não conhecem os poderes e interesses que existem por trás dessas políticas. Nós construímos cidades hostis e perigosas para pedestres e ciclistas. Os ricos que têm automóveis consideram essas pessoas como de classe inferior, são pró-automóveis, não usam transporte público, são os que causam mais poluição, consomem mais energia e causam mais acidentes. Primeiro, temos que combater o mito de que os automóveis são a solução para o transporte e criar uma conscientização nas pessoas, gerar conhecimento e educação. Mas, a reformulação tem de ser devagar, porque haverá muita oposição de quem tem automóveis e motos.
Convenhamos, é difícil imaginar um executivo de terno e gravata indo para seu escritório em plena Avenida Paulista, de bicicleta, ou entrando em um ônibus super lotado e ir espremido entre a multidão. Porém, devemos pensar que como a maioria é a classe que se sujeitaria a experimentar um transporte alternativo como a bicicleta, podemos ter esperança de que um dia nosso planeta seja menos poluído. Resta aos inseparáveis dos automóveis o respeito no trânsito àqueles que pensam em um planeta melhor. Em Angra dos Reis, por exemplo, existem muitos usuários de bicicleta, principalmente no bairro Grande Japuíba, que cresce cada vez mais. Uma boa opção seria a construção de uma ciclovia ligando esse bairro ao centro da cidade, o que tornaria a vida dos usuários mais fácil e mais segura. David Byrne nos mostrou como deveria ser, Eduardo Vasconcellos nos contou a realidade caótica das grandes cidades do Brasil e nós devemos nos conscientizar pelo menos de uma coisa: é nosso dever pensar e praticar a sustentabilidade de nosso planeta.



FLIP 2011 - IMPRESSÕES 4

July 13, 2011 0:00, by Unknown - 0no comments yet

O último evento da Flip, para mim, foi decepcionante. Comprei o ingresso interessada na leitura de livro de cabeceira pelos autores convidados. A mesa começou com a Macumba antropófoga de Zé Celso, que durou mais de 3 horas e vi-me assistindo uma festa dionísiaca, com direito a nudismo explícito de homens e mulheres, inclusive alguns mais afoitos do público. No final, houve um banquete à moda Dionísio, frutas e vinho e somente três autores tiveram coragem de comparecer: valter hugo mãe, Pola Oloxirac e Eduardo Sterzi. Cansativo e frustrante.
Pontos negativos além da macumba antropófaga, as falas de áudio, tradução e vídeo na tenda do telão. Atendimento no guichê de venda de ingressos, lento demais. Os banheiros não tinham onde lavar as mãos. De boa vontade e cúmplices do público, os guardiões dos banheiros espirravam álcool nas mãos dos usuários.



FLIP 2011 - IMPRESSÕES 3

July 13, 2011 0:00, by Unknown - 0no comments yet

A mesa 14 teve um James Ellroy altivo e eufórico, que começou de pé, a frente do encolhido mediador Arthur Dapieve, lendo um trecho de seu romance policial mais novo. Aos 10 anos, a mãe de James Ellroy foi assassinada brutalmente e o crime nunca foi solucionado. Ellroy mostrou-se excêntrico, disse que se fosse um compositor seria Beethoven, se fosse um religioso, seria Deus. Nada modesto. Ellroy é fascinado por Beethoven, disse que tem vários bustos do compositor em sua casa. Afirmou que é avesso à tecnologia e que escreve seus livros à mão. Terminou com uma pergunta: “ninguém vai perguntar por que eu escrevo?” E respondeu recitando uma poesia.
A mesa 15, no último dia, foi dedicada também ao antropofagismo de Oswald de Andrade. João Cezar de Castro Rocha falou com a sua postura real, de professor acadêmico sobre o que seria antropofagia. Já Eduardo Sterzi começou mal, se diminuindo frente ao seu colega de mesa e aos outros que falaram sobre Oswald anteriormente.



FLIP 2011 - IMPRESSÕES 2

July 13, 2011 0:00, by Unknown - 0no comments yet

Na palestra de abertura da Flip teve o professor Antônio Cândido, que conheceu pessoalmente Oswald de Andrade e contou particularidades sobre a vida do autor homenageado. Dividiu a mesa com José Miguel Wisnik, que, sendo aluno, teve a fala mais rebuscada que o próprio professor. O professor disse que a obra de Oswald não é muito conhecida porque foi ofuscada pelos rumores de sua vida, pelos mitos que se criaram em torno do escritor, e não era fácil encontrar suas obras no seu tempo. Oswald tinha presença de espírito, era excêntrico, sarcástico, massacrava quem falasse mal dele, tornava-se enfurecido, agressivo. Porém, não sabia viver só, precisava de amigos, de ser compreendido, de ser apreciado e não guardava rancor. Nessas horas era polido, atento e bem educado. Soube usar a arma do riso, que foi um dos grandes instrumentos do Modernismo. O próprio Wisnik, junto com Celso Sim começou o show de abertura, que teve como convidada especial, uma Elza Soares pura fibra que mal andava e que cantou sentada, mas com a mesma voz inconfundível e a vontade de estar na Flip.

A mesa 1 teve a poetisa laureada da coroa britânica, Carol Ann Duffy. Ela leu trechos de seu livro, em pé, no púlpito e ao responder sobre o ensino de fazer poesia, disse que as técnicas podem ser ensinadas, mas é necessário a fruição. Já Paulo Henriques Britto foi bem objetivo e pragmático, disse que se pode sim ensinar a escrever poesia, mas isso não quer dizer que o aluno será um poeta, só se ele quiser.
A mesa 2 teve como assunto as idéias modernistas de Oswald de Andrade e discutiu-se muito sobre antropofagia. A mês 5 teve o argentino Andres Neuman e o americano Michael Sledge, que escreveu A Arte de Perder, baseado na vida de Elizabeth Bishop e Lota de Macedo Soares. Enquanto Andres disse que a escrita vem do espanto, Sledge disse que é melhor fazer pesquisa para escrever.
A mesa 6 teve a maior atração da Flip 2011, o português valter hugo mãe (minúsculo como ele mesmo escreve) e a argentina Pola Oloixarac. Enquanto valter emocionou a todos ao ler uma carta onde declarou seu amor pelo Brasil e arrancou gargalhadas com suas tiradas engraçadas, Pola entediou e foi ofuscada pelo carisma de valter. O livro de lançamento de valter é “a máquina de fazer espanhóis” e ele disse que o momento de escrever para ele é o momento de salvação. Contou que foi convidado para dormir na cama de Fernando Pessoa e que não gostou, porque a cama é estreita e dormiu mal.
A mesa 8 teve o irreverente Ignácio Loyola Brandão, com Contardo Calligaris, substituindo Antonio Tabucchi. Loyola arrancou risos da plateia com seus causos. Disse que às vezes escreve crônicas com ódio e que observa tudo ao seu redor. Falou que existem nomes que destroem os personagens e mostra seu caderninho onde anota nomes excêntricos, de pessoas que conhece. Disse que a crônica é um olhar sobre o mundo e que toda história tem um pouco de autobiografia. O personagem é aquilo que o autor gostaria de ser. Por isso Loyola faz ficção.



FLIP 2011 - IMPRESSÕES

July 13, 2011 0:00, by Unknown - 0no comments yet

A 9ª edição da FLIP fez jus às edições anteriores: nota 10! E continua crescendo. Este ano, os parceiros, patrocinadores e apoiadores tiveram um espaço (estandes) e ofereceram agrados ao público. A Folha de São Paulo distribuiu café e jornal em seu estande próximo às tendas. No seu outro espaço, Casa Folha, ofereceu saraus, palestras com nomes de destaque, como Ferreira Gullar, vinho e café. O estande da CPFL Energia ofereceu um espaço simpático, com poltronas e transmissão ao vivo das palestras em aparelho de TV. O estande da Petrobrás ofereceu redes e a Suzano Papel e Celulose apresentou um novo papel, denominado Pólen, que promete maior nitidez e claridade das letras, com o slogan: “você pode ler mais”. A Casa SESC ofereceu uma programação intensa: vídeos, exposição, lançamento da revista Palavra, do catálogo Tempo de Almanaque, apresentação da Banda de Congo Panela de Barro, bate-papo com os vencedores do Prêmio SESC de Literatura 2010 e Cristóvão Tezza, sarau com os vencedores do Prêmio Off Flip 2011. A Off Flip, como todo ano, ofereceu uma programação ampla, com conversas literárias, saraus, música, maracatu, em vários espaços de Paraty. Destaque para os acadêmicos do Ateneu Angrense de Letras e Artes, José Mário dos Santos e Ednéa Pascoal. Os eventos na Casa de Cultura foram bons, o que prejudicou foi a falta de organização, devido à fila enorme e à demora para entrada do público. Fiquei espantada com a falta de educação das pessoas que ao mesmo tempo em que pareciam intelectualizadas, demonstraram ter total descompostura, passando a frente das pessoas que estavam cansadas de ficar na fila. Dentre as atrações, destaco Literatura em Língua Portuguesa: caminhos abertos, onde se discutiram o panorama da tradução das obras brasileiras em outros países. O melhor mesmo foi a palestra de José Paulo Cavalcante, autor de Fernando Pessoa – uma quase autobiografia, que escreveu após uma grandiosa pesquisa sobre o poeta português. José Paulo encantou o público contando seus percalços durante a pesquisa e curiosidades sobre a vida de Fernando Pessoa.



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