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Contos e crônicas da Antyga

January 13, 2009 0:00 , par Inconnu - | No one following this article yet.

Mon, 01 Mar 2010 00:58:00 +0000

February 28, 2010 0:00, par Inconnu - 0Pas de commentaire

ENTRE A CERVEJA E O CHOCOLATE

“Dentro de mim há dois cães; um deles é cruel e mau; o outro muito bom. Os dois estão sempre brigando. O que ganha é aquele que eu alimento mais frequentemente.” - provérbio dos índios norteamericanos

Levantou-se e caminhou até a frente, sentou na cadeira ao lado da mesa do coordenador, como viu os outros fazerem. As pernas bambas denunciavam a presença das três inimigas: vergonha, medo e culpa. Achou que não ia conseguir. Mesmo assim, abriu a boca. A voz enfim saiu:
-Meu nome é Ana Lúcia. Eu ... sou... al...alcoólatra.
O coro de vozes deu segurança; parecia uma rede de proteção:
-Oi, Ana Lúcia!
Sentiu que as três inimigas batiam em retirada. Depois de uma grande pausa, continuou:
-Eu não sei bem... quer dizer, é a primeira vez... ou melhor, não é a primeira vez que eu venho aqui... é a primeira vez que consigo falar... meu nome... não sei se sou eu mesma... quando acordo no dia seguinte não me lembro... quando as pessoas me contam eu não acredito... que tinha feito aquilo...
Silêncio. Com todas aquelas reticências, ninguém tentou falar, interromper, apartear, como sói acontecer em tudo que é reunião. Ana Lúcia se surpreendeu. Todos quietos olhando para ela como se estivesse fazendo revelações importantíssimas. Tomou alento:
-Das outras vezes eu fiquei ouvindo vocês, e tem muita coisa parecida... então acho que eu posso... quer dizer, acho que eu quero...
Queria mesmo era terminar a brilhante falação. Procurou ajuda pela sala. Viu a foto do Bill, e, ao lado, a tabuleta com um dos refrões : “Se você quer beber, o problema é seu; se você quer parar de beber, o problema é nosso”. Inspirou-se:
-Acho que eu quero... quer dizer, eu... quero parar de beber.
Bateu na mesa, como vira os outros fazerem, despediu-se:
-Mais vinte e quatro horas para todos!
Durante o resto da reunião mal ouviu o que diziam. Notou que às vezes se referiam a ela, se diziam felizes com a nova “irmã”, desejavam força, davam conselho.
Em sua mente, passavam cenas que devia ter contado, ou que sabia que um dia ia contar: a noite em que a polícia a parou por dirigir em zigue-zague; a briga com a família no Natal, ela cuspindo “verdades” para os pais e os irmãos (e para todos os vizinhos que quisessem ouvir); o aniversário em que “capotou” antes dos amigos chegarem, dormiu a festa toda; a quarta-feira de cinzas em que acordou com um desconhecido ao lado, na cama, sem saber o que rolara...
Quando a reunião acabou já era noitinha, mas o calorão continuava. Entrou nas Americanas para aproveitar o ar condicionado. Comprou guloseimas, como ensinaram: “o corpo vai precisar de açúcar, para substituir o álcool; nem pense em dieta agora”. Tudo o que gostava: chocolate, pão de mel, caramelos; e um livro que há muito queria ler. Ao chegar em casa, foi direto para o chuveiro; pediu perdão ao meio ambiente e deixou a água do planeta se desperdiçar sobre ela.
Só resolveu sair quando ouviu o telefone. Não atendeu. Ficou esperando, ainda enrolada numa toalha, enxugando os cabelos com outra. Deixou entrar a secretária eletrônica. Logo, a voz da Mariana, a melhor amiga:
-Ô muié! Onde estás? Assim que chegar me liga, tá? Estamos te esperando; imagina o quê: vai ter uma festaça na casa da Glorinha, lá no Recreio. Vem para cá para ir com a gente. Sabe quem vai estar na festa? O Chico! E eu soube que ele está sozinho, despachou aquela bruaca... Já se animou, né? Voa para cá, amiga! E traz o biquine, que a festa vai ser na piscina! Demais, né? Nesse calor dos infernos. Vamos refrescar legal. Por dentro e por fora. A cerva aqui está geladíssima.
Podia ouvir as risadas e a música do outro lado; já estavam se preparando. Ao lado do telefone estava o cartão que trouxera, com a oração da serenidade.
O tempo parou. Ficou suspenso, igual à mão dela sobre o fone, aguardando a decisão.

RJ, junho 2009



Mon, 01 Mar 2010 00:57:00 +0000

February 28, 2010 0:00, par Inconnu - 0Pas de commentaire

CADÊ MEU PAI ?


Entrei correndo na capela, preocupada; atrasada, como sempre. Culpa do taxista, que não achava a entrada. Vi que o corpo já estava ali, me aproximei. Acariciei, sobre o véu de proteção, os cabelos brancos. “Meu pai”, sussurrei, apreciando o trabalho de quem o preparou: no final não comia, estava com as faces muito encovadas, devem ter feito algum preenchimento. Como ficou diferente, sem a vivacidade dos olhos azuis que davam um brilho especial ao seu sorriso zombeteiro! Um olhar de criança travessa, uma piada sempre pronta, debochando de qualquer convenção, preceito moral ou ético.

Para não estragar a lembrança que quero guardar dele, vivo e gozador, me afastei do corpo e fui sentar numa das cadeiras enfileiradas, acomodada no pensamento-chavão: “parece dormir”... Olhei em volta e não reconheci ninguém. Estranhei tantas pessoas idosas, pois ele estava sempre cercado de gente jovem, amigas das filhas do segundo casamento, que têm idade para ser minhas filhas. Imaginei que deviam ser os parentes dele da Piedade; alguém tinha ficado encarregado de avisar; eu não os via há décadas, não identificava ninguém.

Mais estranho era minhas irmãs não terem chegado ainda; tínhamos combinado de escolher juntas uma coroa de flores. Vi que alguma deve ter vindo e cansado de esperar, pois a coroa já estava lá, com “saudades eternas dos familiares e amigos”. Provavelmente a Joana; providenciou a coroa e foi buscar a filha.

Pensei: “agora sou a mais velha da família” (a "bola da vez”?)... Fiquei repassando na memória algumas proezas do papai, pequenos acontecimentos do cotidiano, afastando as cenas dos últimos dias, o sofrimento, nossas dúvidas e ansiedades, o cansaço dos revezamentos no hospital, o estresse das decisões costumeiras: “pediu coca-cola, dou ou não?”; “a médica acha melhor alimentar por sonda, deixamos ou não?”; e por aí vai.

De repente uma senhora que estava sentada do outro lado se aproximou de mim. Devia ter por volta de 80 anos, muito arrumada, blusa de seda, saia quase nas canelas, antiquada mas elegante. Tinha nas mãos um lencinho bordado, com o qual de vez em quando enxugava uma lágrima furtiva. Muito magra, cabelos brancos penteados para trás, parecia nervosa, mas caminhava empertigada, como se desfilasse.

- E a senhora, quem é? - me perguntou, muito baixinho, com um jeito meigo.

- Sou Marina, a filha dele. - respondi, também baixinho.

- Como? Filha dele? O que é isso? O que está acontecendo? - ficou agitada, levantou a voz, parecia que ia ter um chilique.

Outra senhora se levantou, acercou-se, amparou-a pelos ombros, perguntou de novo:

- Quem é a senhora?

- Marina, a filha mais velha. - repeti.

- Filha do Darcy? - ela arregalou os olhos.

- Que Darcy? - perguntei.

Ela apontou para o caixão. Então me dei conta do terrível equívoco:

- Esta não é a capela 1?

- Sim.

- Do cemitério da Ordem Terceira da Penitência?

- Não! Do cemitério da Ordem do Carmo!

- Me desculpem! Errei de cemitério! - saí correndo, para não ter que completar: “ e de morto!”

Cheguei esbaforida ao cemitério certo. De longe já vi minhas irmãs me procurando, sem entender meu atraso. Pelo menos pudemos escolher juntas a coroa, embora no final tenha ficado quase igual à outra. Quando contei minha desventura recente, rimos muito: papai teria adorado essa história. Em certos momentos da vida ( e da morte) somos todos mesmo muito parecidos.



RJ, maio 2009



Mon, 01 Mar 2010 00:56:00 +0000

February 28, 2010 0:00, par Inconnu - 0Pas de commentaire

RESSURREIÇÃO




Recobrou a consciência aos poucos. Mesmo sem abrir os olhos, percebeu, pelos sons e cheiros, que estava no hospital. Por um breve momento, teve a ilusão de que morrera e de que talvez tivesse voltado em outro corpo, como uma de suas patroas, dona Nininha, dizia que acontece. Mas não. Começou a lembrar de tudo, viu que infelizmente ainda era ela mesma.

Já devia ser domingo. Domingo de Páscoa. Tinha acontecido na véspera. Voltava da faxina do sábado, na casa da dona Zilda, feliz porque ganhara um ovo grande, ia fazer uma surpresa para o filho. Ao pé do morro, enquanto tomava fôlego para a subida, reparou o rapaz elegante entrar com pressa no carrão de luxo. Parecia um ator da novela. "O que estaria fazendo aqui?" - pensou. Arrancou numa disparada, quase passou por cima dela. Não a viu, nem parou para socorrer, quando ela caiu. Não sabe quanto tempo ficou ali: alguém deve ter achado e levado para o hospital.

Ouviu a voz da filha lá fora, tentando entrar. Uma voz autoritária dizia que não podia, só na hora da visita, só se tivesse mais de 65. Bem que parecia, embora não passasse dos 40. A vida toda lhe veio à memória, os episódios mais importantes. O casamento, lá no interior, ainda menina; o dia em que o marido lhe disse para arrumar as coisas, que iam para o Sul, “sair dessa miséria”, sem pedir opinião, como sempre, ela já buchuda. A chegada ao Rio, o barraco, tão difícil de manter decente. Os partos: Josué, Mateus, que morreu antes de completar um ano, e Madalena. Essa , quando nasceu, ela já estava sozinha, o homem tinha sumido no mundo.

Então era isso: ia morrer de novo. Esse negócio de a vida passar como num filme é o que dona Nininha também dizia que acontece quando se morre. Não ficou triste, sentiu até um certo alívio. Só lamentou a tristeza que causaria aos filhos, mas sabia que ia passar logo, morte de pai não é como a de filho, que fere para sempre.

Pensou neles. Tanto sacrifício fizera para criar e deram naquilo: Madalena mal fez 16, nem casou e já está de barriga. Perguntara de quem, e tivera que ouvir : “Acho que é do Denilson”. Queria poder aconselhar que tirasse, mas era pecado mortal; calara-se. Bastava a dor daquele “acho”. Afinal, tem gente que diz que onde comem dois comem três, o que não é bem verdade... Josué largou a escola cedo, só queria saber de bola e boteco. Ano passado, fez a besteira maior: um dia na praia, com os amigos, viu a bolsa da mulher “dando mole”, como explicou, pegaram ele. Por vinte reais! Provavelmente era dinheiro para farrear; disse que era para lhe comprar o presente do dia das mães. Não o reconheceu quando o viu na delegacia, a cara inchada, deformada de tanto apanhar. Os guardas disseram que foi o povo na praia; que queriam linchar. Fingiu que acreditou. E as visitas, agora semanais, que tortura! Passar pela revista, humilhação, vergonha. Sua vida: de segunda a sábado limpando sujeira dos outros, domingo a viagem a Bangu...

Conseguiu levantar a mão direita, ainda presa no tubo do soro, levou-a ao pescoço. Com as forças que lhe restavam, apertou o crucifixo que a mãe lhe dera na despedida, há tanto tempo: “pra te proteger, filha”, dissera. Vontade de encontrar a mãe de novo, reclamar: “ protegeu não, mãinha”. Mas achou que enfim entendia o homem na cruz: teve a chance de voltar mas não quis ficar. Fez o mesmo. Nem esperou o terceiro dia. Se entregou. Subiu ao céu.


RJ, abril 2009



Mon, 01 Mar 2010 00:54:00 +0000

February 28, 2010 0:00, par Inconnu - 0Pas de commentaire

TEMPESTADE SOB O EQUADOR


Entrou no quarto do hotel já tirando a gravata, o terno, soltando os cabelos. No chuveiro, cantarolou uma música do Elvis. Colocou uma bermuda estampada que trouxera do Havaí, a camiseta vermelha do seu time de vôlei em Stanford; estreou as havaianas, apreciou o resultado no espelho. Começou a treinar o português: “Chega de business, agora ser turista”. Tinha vindo para a reunião da subsidiária brasileira da empresa, não ia perder essa chance de curtir o Rio de Janeiro, sonho acalentado desde criança.

Passeou pelo jardim do antigo palácio presidencial, quase em frente ao hotel. Subiu para ver as coisas do presidente que se suicidou - revólver, pijama furado - novidades para ele, pois em seu país presidentes não se suicidam, são assassinados. Encantou-se com o museu do folclore. Quanta coisa diferente! Queria conhecer todos aqueles lugares, ver de onde vinha artesanato tão variado.

Quando saiu, o susto: o céu de repente desabou, o mundo virou de cabeça para baixo, parecia ter entrado num redemoinho de tempo e espaço. As pessoas correndo; um senhor tentando manter na cabeça o boné da polícia de NY (NYPD); um menino com a camisa do Barcelona patinando nas poças; vendedores de guarda-chuva aparecendo em cada esquina, sob cada marquise. “Where do they come from?”

Pensou em ajudar, mas não precisavam: muitos riam, alguns xingavam, provavelmente culpando o governo ou a má-sorte. Notou uma aglomeração no bar em frente, foi buscar refúgio lá. Na tevê, um jogo do time deles, a julgar pelas camisas, todas listradas de vermelho e preto. Cada um que entrava, mesmo que só para se proteger, como ele, começava logo a gritar, torcer, gesticular.

Pôs-se a imitar os nativos, e imediatamente se enturmou. A algazarra o envolvia como a colcha de retalhos da avó, o aquecia. Pediu uma “caipirinha” no seu melhor português, depois já estava partilhando cerveja com todo mundo; o copo sempre cheio, mesmo que não pedisse. Aprendeu rápido várias expressões idiomáticas: “Juiz ladrão!” “ Filho da puta!” “Porra!” “Caralho!” (Mastigando amendoim nem se notava o sotaque...)

No final do jogo, a chuva tinha amansado. Um homem lindo, que ele disfarçadamente observava desde o primeiro gol, embevecido com os meneios e sorrisos, deu-lhe um tapa nas costas:

- Camisa maneira, bro!

- O seu também, bro!

- Quer trocar? (e foi tirando a camisa, exibindo parte do corpo escultural, se é que se fazem esculturas em ébano).

Superou a vergonha de mostrar o torso sem cor, embora também musculoso,tirou a camisa , vestiu a do outro. Suspirou ao sentir o cheiro forte. Quando saíram do bar, estavam íntimos, se escorando um no outro, cantando ritmadamente “Men-go! Men-go!”

Foram para um hotel na Mem de Sá, que o outro sugeriu. Nem falou do hotel onde estava. “Afinal, ser gringo e viado mas não ser burro”, pensou (já estava pensando em português). Na porta, lembrou quando o comandante do avião, no meio da viagem, avisou que estavam cruzando a linha do Equador. Deu uma gostosa gargalhada, e berrou:

- Agora eu cruzar Equador!


RJ, março 2009



Mon, 01 Mar 2010 00:44:00 +0000

February 28, 2010 0:00, par Inconnu - 0Pas de commentaire

ATROPELOS DA VIDA



Zé Carlos já está postado à porta do quarto, caneca na mão. Sábado, constato, pelo bermudão que tenta conter a barriga saliente. O homem é um calendário ambulante: terno durante a semana, pela gravata sei o dia, roupa esporte fino para o almoço com a mãe no domingo.

- Acordou, querida? Quer um café? As crianças querem ir para a piscina no Jockey. Vamos?

Me desvencilho do sorrisinho obsequioso na cara redonda, do ar satisfeito de quem está prestes a ganhar a medalha de marido e pai do ano. Procuro na bagunça da cabeça qual foi a desculpa de ontem: “esticada” com o pessoal da academia, que uma ia viajar.

- Vai indo, encontro vocês depois, acho que passei um pouco da conta ontem.

A porta fecha atrás deles, respiro aliviada. Tinha sido tão bom ontem, há tempos rolava aquele clima com o professor de pilates, cada vez que ele vinha corrigir uma postura as mãos demoravam mais, eu já pronta para a cantada barata:”Que tal alongar um pouco mais depois?”

Fomos no meu carro, para um motel na Dutra. Perdi a conta das horas e dos gozos, delícia sentir sobre mim aquele corpo sarado, a pele lisa e elástica, segurar aquela bunda durinha e bem torneada. Uma das melhores das transas a que eu recorro de vez em quando para variar do sexo insosso com o Zé, hoje limitado a umas trepadas eventuais, meio que para “cumprir tabela”. Meu jeito de manter a estabilidade do casamento, que, afinal, não pode suprir tudo.

O programa teria sido perfeito, não fosse o incidente na volta. Logo na via de acesso à Dutra, um baque, um solavanco. Já imaginava a explicação se tivesse algum dano na lataria. O professor se alarmou:

- Pára, pára! Acho que atropelamos alguém!

- Nem pensar! Deve ter sido uma pedra, no máximo um cachorro, não posso parar aqui, imagine se alguém me vê!

Mas ele não se acalmava, olhava no retrovisor e depois para mim, aquele olhar indignado de jovem que ainda se revolta com as injustiças do mundo: “Deixa eu saltar!”

Deixei-o lá. Fazer o quê? Não deve ter acontecido nada. Folheio o jornal: nada. Também não sei se um atropelamento em Nova Iguaçu mereceria notícia. Melhor esquecer. Mudar de academia, com certeza. Tocar a vida.

Preciso me aprumar, ir encontrar o maridão e as crianças. Outro café, uma ducha. Vou a pé, a caminhada ajuda a acabar de acordar. Ontem foi ontem. Acabou.

Na esquina, um rebuliço: a moça dando ré para sair da vaga esbarrou numa velhinha, que perdeu o equilíbrio. Sai do carro, levanta a velhinha, pede desculpas, quer levá-la a algum lugar, a velhinha diz que não foi nada, só arranhão no joelho, a outra insiste. Tudo o que eu não fiz. E o que eu fiz? Não vou saber nunca.

Tento passar pelo grupinho de curiosos que já se formou para assistir a cena. Só quero esquecer. “Dá licença?”

RJ, novembro 2008



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